Segunda-feira, 23 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

MONITOR DA IMPRENSA > IRLANDA DO NORTE

Assassinato de jornalista completa 10 anos de impunidade

27/09/2011 na edição 661
Tradução e edição: Leticia Nunes

Dez anos depois da morte de Martin O’Hagan, primeiro repórter assassinado por forças paramilitares no Reino Unido, seus colegas no Sunday World, o mais vendido jornal dominical da Irlanda do Norte, continuam a receber ameaças. A última delas, revela artigo do correspondente Henry McDonald no Guardian [25/9/11], ocorreu há algumas semanas, quando jornalistas foram alertados de que o grupo extremista protestante Força de Voluntários do Ulster planejava enviar uma bomba para a redação. No total, já foram registradas mais de 50 ameaças de morte.

Até hoje, ninguém foi punido pelo assassinato de O’Hagan, que completa uma década esta semana. “Nós sentimos como se estivessemos lutando uma batalha solitária pelos últimos 10 anos”, desabafa o editor Jim McDowell. No fim da semana passada, no entanto, um porta-voz do Ministério Público da Irlanda do Norte confirmou que um homem será acusado formalmente por ligação com o crime.

O’Hagan foi morto a tiros em 28 de setembro de 2001. Ele e sua mulher voltavam de um pub, onde haviam sido vistos por um simpatizante da Força Voluntária Legalista, outro grupo extremista protestante. O homem ligou para seus contatos no grupo para informar onde estava o jornalista. O’Hagan foi atingido sete vezes.

Exposição

O Sunday World publicou, por diversas vezes, os nomes de cinco suspeitos do crime, incluindo dois irmãos, todos membros da Força Voluntária Legalista. A “ousadia” do jornal trouxe mais ameaças e agressões a seus funcionários. McDowell, por exemplo, foi atacado no ano passado. Richard Sullivan, também editor do Sunday World, diz que ninguém do jornal escapa das ameaças enquanto a existência da chamada “para-máfia” na Irlanda do Norte – ex-terroristas que passaram para o tráfico de drogas e outros crimes “ordinários” – continuar a ser exposta em suas páginas. McDowell e Sullivan acreditam que a gangue responsável pelo assassinato de O’Hagan trabalha, ou trabalhava, para uma das forças de segurança do país.

John Kampfner, executivo-chefe da organização Index On Censorship, classifica o assassinato de O’Hagan “não apenas como um ponto baixo no conflito na Irlanda do Norte, mas na história da democracia e da imprensa livre nestas ilhas”. “A falta de um processo ou de uma investigação apropriada das alegações do Sunday World de que forças do estado estariam envolvidas no crime é algo vergonhoso”.

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