Terça-feira, 18 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1004
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MONITOR DA IMPRENSA > PROFISSÃO DO FUTURO

Blogs começam a substituir emprego fixo

Por Leticia Nunes (edição), com Larriza Thurler em 21/11/2006 na edição 408

O blog cresceu; deixou de ser apenas hobby e virou trabalho sério. Há quem tenha deixado o emprego formal para se dedicar exclusivamente a sua página online, e, hoje, surgem empresas voltadas a dar suporte a este novo modelo de negócios.

Até recentemente, a maioria dos quase 60 milhões de blogs existentes era formada por diários pessoais. Este tipo de página costuma ter pouco público e seus autores fazem pouco esforço para obter lucro a partir dela. Há serviços, como o AdSense, do Google, que colocam banners com publicidade em blogs e geram alguns centavos por clique naquele anúncio. Mas, no geral, o objetivo não é ganhar dinheiro. Segundo a organização de pesquisa americana Pew, apenas 7% dos blogueiros dizem que têm o dinheiro como sua motivação principal.

Há, entretanto, um segundo tipo de blog, que é, no fim das contas, um negócio. São verdadeiras revistas segmentadas publicadas em um formato diferente daquele tradicional. Estes blogs funcionam como empresa, com direito a funcionários que ajudam no conteúdo e venda de espaço publicitário. Um exemplo que deu certo é a Gawker Media, ‘conglomerado’ de blogs que inclui o sítio de fofocas Gawker e o guia de aparelhos eletrônicos Gizmodo. Juntos, os 14 blogs da empresa têm 60 milhões de page views mensais. Blogs deste tipo são ‘o mais lucrativo negócio de mídia atualmente’, sentencia Jason Calacanis, que hoje dirige o Weblogs Inc, grupo de blogs populares que ele vendeu para a AOL no ano passado.

Ecossistema

Segundo artigo da revista britânica Economist [16/11/06], hoje existe uma terceira categoria de blog. São páginas que se baseiam em um modelo de pequenos negócios. ‘Antigamente, éramos chamados de publicadores de newsletters’, explica Om Malik, que deixou seu emprego fixo na revista Business 2.0 em junho para trabalhar em tempo integral em seu blog, o GigaOm. Malik contratou dois outros jornalistas para ajudá-lo com o conteúdo e sua página atrai cerca de 50 mil leitores por dia, gerando ‘dezenas de milhares’ de dólares em renda mensal. Para tocar o empreendimento, ele gasta cerca de US$ 20 mil por mês – incluindo o salário dos funcionários.

Malik acredita que este tipo de negócio só funciona hoje em dia pelo surgimento de um verdadeiro ‘ecossistema de apoio’ à blogosfera. Toda a parte de venda de publicidade e administração do GigaOm é coordenada por uma empresa chamada FM, lançada no ano passado por John Battelle, que antes dirigia a revista Wired. Firmas como a dele negociam com anunciantes pelos blogs que representam, dando um tom significativo de profissionalismo a estas páginas.

Não é para qualquer um

A americana Heather Armstrong – que, no blog Dooce, relata sua vida como uma mormon desiludida em Salt Lake City, fala de sua ex-carreira como webdesigner, sua gravidez e depressão pós-parto – é um exemplo de sucesso na blogosfera. Há um ano, sua página passou a ter receita publicitária suficiente para se tornar a principal fonte de renda da família. Heather se enquadra na terceira categoria de blogs. Assim como Malik, seu ‘pequeno negócio’ é administrado pela empresa de Battelle.

Mas perguntada se é um trabalho fácil, Heather tem a resposta na ponta da língua: não é para qualquer um. Ela conta que trabalha sete horas por dia no blog e não tem fins de semana ou férias. ‘Blogar’ é um trabalho constante. Malik concorda. ‘Não é fácil’, diz ele, contando que levou cinco anos, ‘e muitas noites em claro’, para conquistar sua audiência.

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