Segunda-feira, 18 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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MONITOR DA IMPRENSA > NOVO JORNALISMO?

Blogs foram o sucesso de 2004

11/01/2005 na edição 311

Os blogs passaram do anonimato ao sucesso num piscar de olhos. Antes brincadeira de adolescentes, as páginas viraram febre nos EUA durante a campanha presidencial de 2004. Surgiram milhares de novos blogs sobre os mais variados assuntos, e os blogueiros foram eleitos ‘A Pessoa do Ano’ pela ABC News. ‘Blog’, aliás, foi considerada pelo dicionário Merriam-Webster a ‘palavra do ano’.

Com tanto prestígio, as populares páginas pessoais de internet foram estudadas pelo Pew Internet and American Life Project, instituto de pesquisa sediado em Washington. Foram entrevistados, em novembro, 1.324 usuários de internet. Os resultados, divulgados na semana passada, revelam que os blogs conseguiram se firmar como parte da cultura online dos EUA.

Hoje, num universo de aproximadamente 120 milhões de internautas adultos no país, mais de 8 milhões têm blogs. Dos entrevistados, 27% afirmaram ter o costume de ler blogs – um aumento de 58% desde fevereiro do ano passado – e 12% já ‘postaram’ comentários nas páginas.

Quando a notícia do horror causado pela tsunami no Índico começou a se espalhar pelo mundo, poucas horas depois da tragédia, o assunto passou a dominar também a blogosfera. Internautas debatiam causas e conseqüências do desastre, e entre argumentos sensatos pipocaram também as bobagens.

Cada blog puxou a discussão para seu foco de interesse. Em blogs de caráter político, a culpa do desastre natural sobrou para o governo, é claro. No Democratic Underground, ponto de encontro virtual de pessoas que odeiam o governo Bush, um dos participantes lançou a seguinte teoria: ‘Como sabemos que a atmosfera já foi contaminada por todo tipo de teste atômico, equipamentos eletrônicos e espaciais, e gases poluentes, entre outras coisas, é lógico se pensar que talvez os ‘ossos’ do local onde teve início este terremoto também tenham sido afetados’.

Entre mensagens inflamadas e insultos online, destacaram-se também a criação de redes de ajuda às vítimas e relatos ricos em detalhes de blogueiros que viveram a tragédia – alguns deles, enviados aos blogs por celular, descreviam o cenário de buscas por amigos e parentes em meio aos destroços.

Práticos e rápidos

A praticidade dos blogs e seu longo alcance são fatores determinantes para o sucesso, diz o jornalista James Surowiecki, autor do livro The Wisdom of Crowds. Informações podem ser incluídas e alteradas com poucos cliques do mouse ou do celular, e recebem resposta quase instantânea dos leitores.

A mídia os vê como uma nova forma de jornalismo – a blogueira Ana Marie Cox, conhecida na rede como Wonkette, apareceu ao lado do venerável jornalista político do New York Times R.W. Apple Jr. na capa de uma edição da New York Times Magazine. Mesmo assim, mostra o estudo do Pew, 68% dos entrevistados não sabem exatamente o que a palavra ‘blog’ significa.

O resultado não chega a assustar Mark Frauenfelder, co-fundador da versão eletrônica da revista Wired e criador do Boing Boing, um dos blogs mais populares. ‘Ainda há muitos internautas que nunca saem dos domínios do Yahoo e dos grandes sítios comerciais e não estão interessados na mídia independente produzida pelos blogueiros’, resume ele. Informações de John Schwartz [The New York Times, 3/1/05] e Dawn C. Chmielewski [San Jose Mercury News, 3/1/05].

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