Domingo, 22 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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MONITOR DA IMPRENSA >

Blogs intensificam críticas e pedem explicações

17/05/2011 na edição 642

Por anos, o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, exaltou a virtude da transparência, noticia Miguel Helft [The New York Times, 14/5/11]. A rede social requer que as pessoas usem sua identidade real em grande parte porque Zuckerberg alega acreditar que as pessoas se comportam melhor se não puderem esconder suas palavras e ações sob o anonimato. ‘Ter duas identidades é uma exemplo de falta de integridade’, teria dito ele.

Esta virtude foi questionada depois de vir à tona que o Facebook teria contratado uma empresa para difamar o Google na mídia, por conta de uma ferramenta rival, o Social Circle. O fato foi revelado na semana passada, pelo site The Daily Beast. As matérias acusavam a ferramenta, que permite que usuários do Gmail interajam entre si, de permitir que o Google coletasse dados muito pessoais de seus clientes. Detalhe: o próprio Facebook teve suas práticas de privacidade criticadas. ‘Fazer isto de forma anônima é, obviamente, uma contradição dos valores do Facebook. Parece hipócrita’, disparou David Kirkpatrick, autor do livro O Efeito Facebook.

O Facebook chegou a emitir um mea culpa, alegando que não teve a intenção e não autorizou a campanha de difamação contra o Google. ‘Quisemos que terceiros verificassem que as pessoas não aprovassem a coleta e o uso de informação de suas contas no Facebook e outros serviços para inclusão no Social Circles. Pedimos à empresa Burson-Marsteller para focar na questão, usando dados disponíveis publicamente que poderiam ser verificados de maneira independente por qualquer veículo ou analista. A questão é séria e deveríamos tê-la apresentada de maneira séria e transparente’, afirmou, em declaração.

‘Inaceitável’

Ainda assim, continuou a ser criticado. O influente blog de tecnologia TechCrunch pediu uma explicação melhor e chamou as táticas do Facebook de ‘covardes’ e ‘repugnantes’. Outro blog, o Inside Facebook, disse ter sido uma ‘tentativa espetacularmente falha de prejudicar a concorrência’. Empresas no Vale do Silício costumam vender pautas para repórteres sobre práticas questionáveis de rivais. Em 1998, por exemplo, quando a Microsoft foi criticada por reguladores antitruste, descobriu-se que ela planejou uma campanha para plantar cartas ao editor e artigos de opinião favoráveis em jornais dos EUA, como se fossem de pessoas comuns.

Especialistas de relações públicas criticaram o Facebook por ter feito isto de maneira anônima e por ter solicitado à Burson-Marsteller que não revelasse sua identidade. ‘É inaceitável’, pontuou Tom Goldstein, professor de jornalismo e especialista em ética da Universidade da Califórnia. Na opinião de Rosanna M. Fiske, executiva-chefe da Sociedade de Relações Públicas dos EUA, foi errado o Facebook insistir no anonimato e a Burson-Marsteller ter concordado.

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