Sábado, 23 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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MONITOR DA IMPRENSA > ARGENTINA

Briga interna provoca fim de associação de jornalistas

11/01/2005 na edição 311

Uma discussão interna provocou o fim do Periodistas – Associação Argentina para a Defesa do Jornalismo Independente. A entidade foi criada em 1997, quando, além da retomada pelo presidente Carlos Menem de ameaças e ataques físicos a jornalistas, foi morto o fotógrafo José Luis Cabezas, por encomenda de um empresário que ajudara a denunciar por corrupção – crime que chocou a nação. Desde então, o Periodistas chamava atenção para abusos contra jornalistas. O sítio de internet da organização, agora desativado, lembrava que a violência e a intimidação contra os profissionais de mídia continuavam a ocorrer.

De acordo com Mark Fitzgerald [Editor & Publisher, 04/01/05], a Associação declarou que se dissolveu porque ‘depois de um longo debate interno sobre a meta principal da entidade, foi impossível alcançar um consenso que integrasse os diferentes pontos de vista’. A declaração, assinada pelos líderes da organização – Horacio Verbitsky, Joaquín Morales Solá, Oscar Serrat e Magdalena Ruiz Guiñazú – dizia que o ‘Periodistas não nasceu para perder tempo com rachas internos, que nunca tinham acontecido até agora, mas para defender a liberdade de expressão na Argentina’.

Os jornais Clarín e Ambito, de Buenos Aires, informaram que a causa do desentendimento foi o Caso Nudler: o publisher do Página 12 teria se recusado a publicar matéria de Julio Nudler com críticas à política econômica do atual governo. Como resultado da briga interna, 10 jornalistas, incluindo Nudler e o romancista Tomás Eloy Martinez, deixaram o Periodistas.

A ONG internacional Budget Transparency Project, que defende o direito à informação pela transparência dos governos, colocou a Argentina em antepenúltimo lugar em liberdade de imprensa numa lista com 15 nações do Hemisfério Sul.

O Periodistas classificava-se como uma ONG ‘independente de donos de associações de mídia e sindicatos de trabalhadores’. Agora, o único grupo nacional de jornalistas que restou no país, o Fórum Argentino de Jornalismo, criado há dois anos, dedica-se à reflexão, ao diálogo e à promoção dos padrões de qualidade jornalísticos.

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