Segunda-feira, 21 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº955

MONITOR DA IMPRENSA > IMPRENSA NOS EUA

Cadê as mulheres nas redações?

29/03/2005 na edição 322

A reclamação da colunista do Los Angeles Times Susan Estrich sobre a falta de mulheres na página editorial do jornal levantou um acalorado debate nos EUA. Colunistas de outras publicações opinaram – a favor e contra – sobre o assunto. Mas, segundo Pati Poblete, editora do San Francisco Chronicle [22/3/05], no meio de acusações e manifestações de raiva, perdeu-se o fio da meada.

‘A representação feminina nas redações – e não apenas nas páginas de opinião – é um problema antigo no jornalismo impresso’, diz ela. Nas posições mais baixas dentro dos jornais, a ausência das mulheres – embora exista – é menos notada, mas nos cargos mais altos é quase total.

A editora do Chronicle conta que participou, recentemente, de um seminário chamado ‘Mulheres nas Redações’, onde ouviu de diversas jornalistas as mesmas reclamações: não são ouvidas, os homens são encarregados de tomar as decisões importantes, e estão cansadas de ter que se adaptar à ‘cultura masculina’. O descontentamento destas jornalistas reflete o tratamento que a mulher – profissional e leitora – recebe das redações, comandadas, em sua grande maioria, por homens.

Se há poucas mulheres nos altos postos dos jornais, o número de leitoras também não é tão grande – e vem caindo cada vez mais. Tradicionalmente, os jornais criaram seções especiais para as mulheres, onde assuntos como moda, compras e relacionamentos imperam. Mas as leitoras querem mais do que isso, afirma Pati; querem mais artigos sobre educação, cultura, negócios.

Ela defende que as mulheres, de qualquer idade ou cor, podem contribuir muito para as reuniões de pauta. ‘Elas podem sugerir como seria bom contar determinada história, que fotos deveriam ser tiradas, quais as fontes a ser procuradas’ em assuntos que elas entendem. Enquanto não são ouvidas, entretanto, o que as leitoras realmente querem de um jornal fica sendo adivinhado pela cultura dominante das redações: os homens brancos de meia idade, reclama Pati.

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