Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

ENTRE ASPAS > DIVERSIDADE

Cadê os correspondentes negros na Casa Branca?

13/01/2009 na edição 520

Falta diversidade racial entre os correspondentes da Casa Branca, acredita o presidente George W. Bush. ‘O número de pessoas de minorias caiu não por falta de correspondentes destas minorias, mas por causa dos donos dos jornais e emissoras’, diz a correspondente April Ryan, que reporta para a American Urban Radio Networks. ‘Imagine você como presidente, no pódio, olhando todos aqueles rostos – isso representa a América?’.

A questão de raça e diversidade é sempre relevante, mas parece ter adquirido uma urgência maior com a eleição do primeiro presidente negro dos EUA. E uma semana antes de Barack Obama assumir a Casa Branca, os jornalistas negros são exceção entre os correspondentes desta que é a editoria mais exposta de Washington.

Entre os canais a cabo, ainda há negros, como Wendell Goler, da Fox News, Suzanne Malveaux, da CNN, e, até recentemente, Kevin Corke, da MSNBC. Mas quando se trata de emissoras da TV aberta, a coisa muda de figura. ‘A Casa Branca é usada pelas emissoras para testar profissionais quem elas acreditam ter um futuro de alta visibilidade’, diz Goler. ‘É mais difícil colocar afro-americanos nesta posição com este pensamento de competição’.

Entre os jornais, a situação não é melhor. Em determinado momento do ano passado, o repórter William Douglas, da McClatchy, viu-se como o único negro a cobrir regularmente a Casa Branca. ‘Antes mesmo da crise na economia, havia apenas poucos repórteres negros cobrindo o Capitólio e os congressistas’, diz.

Pontos de vista

Douglas acredita que jornalistas de diferentes raças trazem perspectivas diferentes à cobertura. Ele exemplifica: houve um debate, durante a campanha, sobre se Obama – filho de pai negro e mãe branca – era ‘negro o bastante’ para a comunidade afro-americana, e este ‘era um tema novo para muitas pessoas brancas’. Em outra ocasião, Michelle Obama compareceu a um jantar com um grupo de senhoras negras, e houve muitos cochichos sobre o impacto que ela terá sobre o problema da obesidade na comunidade negra, sendo tão magra. ‘Não estou certo de que um repórter não-negro seguiria por este caminho’, diz.

A chamada mídia negra já se prepara para concentrar mais atenção na Casa Branca. A revista Ebony, que nomeou Obama sua primeira Personalidade do Ano, tem planos de destacar um correspondente em tempo integral para a sede do governo. Segundo Bryan Monroe, diretor editorial da revista, Washington sempre esteve presente na cobertura, mas hoje há um interesse enorme dos leitores em Obama. ‘É algo grandioso. Sem dúvida, é a maior pauta na América negra nos últimos anos’, ressalta.

Wendell Goler, com 22 anos de experiência em Casa Branca, diz que os esforços da mídia especializada não são o bastante. ‘O que eu quero ver são mais jornalistas negros sem uma motivação específica; mais jornalistas negros fazendo simplesmente jornalismo’, defende. Informações de Howard Kurtz [Washington Post, 12/1/09].

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