Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

MONITOR DA IMPRENSA > JORNALISMO EM CRISE

Cadê os subsídios governamentais que estavam aqui?

02/02/2010 na edição 575

Subsídios governamentais para veículos de mídia dos EUA, que constituem uma grande fonte de lucro para as editoras do país, estão rapidamente desaparecendo, constatou um relatório da Escola para Comunicação e Jornalismo Annenberg, da Universidade da Carolina do Sul. Não foi divulgado o quanto o governo contribui para os lucros da indústria, mas os autores do estudo – David Westphal, ex-editor do grupo McClatchy Newspapers, e Geoffrey Cowan, ex-diretor da Voz da América – acreditam que a redução no auxílio pode determinar a morte de algumas publicações.

O relatório aponta ainda para a diminuição de subsídios postais – que baixam os custos com o envio de jornais e revistas – e ressalta que muitas agências do governo têm considerado transferir seus anúncios do papel para a internet, o que eliminaria uma importante fonte de lucro para os jornais. Para se ter uma ideia, os subsídios postais – implementados pelo Ato Postal de 1792 para contribuir com a disseminação de informações – costumavam cobrir 75% do custo de envio de publicações. No entanto, com o Ato de Reorganização Postal de 1970 e posteriores mudanças na lei, este valor foi reduzido para 11%. A revista de esquerda The Nation viu seus custos de correio subirem US$ 500 mil em 2007, com uma alteração na legislação, o que a levou a pedir doações aos leitores. ‘O governo costumava subsidiar o jornalismo. Hoje, para piorar, o jornalismo está em crise’, diz a presidente da revista, Teresa Stack.

Desde o começo da recessão econômica, dezenas de organizações de mídia já pediram proteção sob a lei de falência. Revistas como a Gourmet não conseguiram resistir à queda de publicidade e acabaram encerrando suas operações.

Independência

As opiniões sobre a ajuda do governo em empresas de mídia privadas são divergentes. Algumas editoras acreditam que o apoio governamental não é uma solução desejável – nem para as empresas, nem para o público. Em um artigo de opinião publicado pelo Wall Street Journal no mês passado, o presidente da News Corporation, Rupert Murdoch, argumentou que a ajuda do governo pode ser vista, na verdade, como uma ameaça. ‘A ideia do governo americano interferindo diretamente no jornalismo comercial deveria ser desanimadora para qualquer um que se importe com a liberdade de expressão’, escreveu.

O relatório, no entanto, revida este tipo de crítica, alegando que o Journal é o diário que mais recebe apoio governamental. Os autores concluíram que o governo era o maior comprador de centimetragem do jornal – o que não significa, entretanto, que tenha gasto mais dinheiro que anunciantes privados, porque anúncios em cor geralmente são mais caros. No documento, é citado um estudo da Associação Nacional de Jornais, de 2000, que estimou que anúncios públicos eram responsáveis por 5 a 10% dos lucros de jornais locais. Informações de Andrew Vanacore [AP, 28/1/10].

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