Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

MONITOR DA IMPRENSA > MÉXICO

Cansados do medo, jornais enfrentam narcotráfico

05/04/2006 na edição 375

Após sofrer constantes ameaças de morte e outros tipos de intimidação por traficantes, muitos profissionais de imprensa do México desistiram de cobrir assuntos relacionados ao narcotráfico pelo medo de represálias. No entanto, na segunda-feira (3/4), centenas de jornais mexicanos, frustrados com a falta de resultados dos inquéritos policiais sobre os assassinatos e desaparecimentos de jornalistas no país, publicaram simultaneamente o primeiro de uma série de relatórios sobre os casos.


A primeira reportagem investigativa, também publicada em jornais em língua espanhola nos EUA, abordou o desaparecimento do jornalista Alfredo Jimenez Mota, do El Imparcial, em abril do ano passado. Mota escrevia sobre tráfico de drogas no estado de Sonara, na fronteira com o Arizona. O artigo desta segunda (3/4) associava famílias de Sonara ao tráfico de drogas e alegava que o provável seqüestrador do jornalista teria sido Raul Enriquez Parra, um suposto traficante cujo corpo foi encontrado, com marcas de tortura, em novembro de 2005, depois de ter sido jogado de um avião. Uma das últimas reportagens de Jimenez relatava uma possível ligação entre a gangue de drogas de Parra e um ex-chefe de polícia na cidade de Sonoyta, em Sonara. A matéria sugeria que a polícia – alguns policiais eram fontes de Jimenez – poderia ter ligação com o desaparecimento do jornalista.


‘O fato mais relevante da história é que um ano se passou desde o seqüestro do jornalista e o escritório do procurador-geral do México não tem nada sobre seu paradeiro’, dizia o artigo. Uma porta-voz da Procuradoria Geral mexicana não quis comentar o caso.


Ligação nervosa


Os colegas de Jimenez afirmaram que ele ligou para o jornal por volta de nove horas da noite no dia 2/4/05, e parecia nervoso sobre encontrar um contato. Foi a última vez que qualquer um soube dele. Depois do desaparecimento, jornalistas do El Imparcial deixaram de assinar as matérias sobre narcotráfico e passaram a informar seu paradeiro aos editores, conta Fernando Healy, diretor-geral do jornal.


Jorge Morales, diretor-assistente do jornal, afirmou que um grupo de jornalistas investigativos planeja terminar a série na qual Jimenez estava trabalhando sobre as gangues de drogas na região. A pedido de repórteres e editores, o presidente Vicente Fox nomeou um procurador especial em fevereiro deste ano para investigar os ataques aos jornalistas.


Mais proteção à imprensa


Organizações de monitoramento de mídia afirmam que o México é um dos lugares mais perigosos do Ocidente para a atividade jornalística, principalmente devido aos violentos cartéis de drogas. Desde 2004, houve nove assassinatos de profissionais de imprensa relacionados ao narcotráfico.


Ainda na segunda-feira (3/4), a Associação de Imprensa Interamericana (IAPA) divulgou a iniciativa dos mais de 100 jornais mexicanos e diversas publicações em espanhol nos EUA de publicar o relatório feito por uma equipe de oito jornalistas investigativos. Segundo a IAPA, os repórteres esperam que, ao publicar o relatório simultaneamente, eles possam proteger a si mesmos de ataques de vingança do crime organizado. A organização Repórteres Sem Fronteiras também emitiu uma declaração, no mesmo dia, pedindo ao presidente do México que resolva o caso Jimenez. A RSF afirmou ainda que a falta de proteção no país está fazendo com que os jornalistas se autocensurem.


O jornalista Enrique Santos Calderon, do jornal colombiano El Tiempo, afirmou que a publicação em conjunto foi ‘o primeiro passo para combater o crime organizado e o outro inimigo da imprensa – a autocensura – de forma unida’. Informações de Julie Watson [Associated Press, 3/4/06].

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IMPRENSA EM QUESTãO > MÉXICO

Cansados do medo, jornais enfrentam narcotráfico

05/04/2006 na edição 375

Após sofrer constantes ameaças de morte e outros tipos de intimidação por traficantes, muitos profissionais de imprensa do México desistiram de cobrir assuntos relacionados ao narcotráfico pelo medo de represálias. No entanto, na segunda-feira (3/4), centenas de jornais mexicanos, frustrados com a falta de resultados dos inquéritos policiais sobre os assassinatos e desaparecimentos de jornalistas no país, publicaram simultaneamente o primeiro de uma série de relatórios sobre os casos.


A primeira reportagem investigativa, também publicada em jornais em língua espanhola nos EUA, abordou o desaparecimento do jornalista Alfredo Jimenez Mota, do El Imparcial, em abril do ano passado. Mota escrevia sobre tráfico de drogas no estado de Sonara, na fronteira com o Arizona. O artigo desta segunda (3/4) associava famílias de Sonara ao tráfico de drogas e alegava que o provável seqüestrador do jornalista teria sido Raul Enriquez Parra, um suposto traficante cujo corpo foi encontrado, com marcas de tortura, em novembro de 2005, depois de ter sido jogado de um avião. Uma das últimas reportagens de Jimenez relatava uma possível ligação entre a gangue de drogas de Parra e um ex-chefe de polícia na cidade de Sonoyta, em Sonara. A matéria sugeria que a polícia – alguns policiais eram fontes de Jimenez – poderia ter ligação com o desaparecimento do jornalista.


‘O fato mais relevante da história é que um ano se passou desde o seqüestro do jornalista e o escritório do procurador-geral do México não tem nada sobre seu paradeiro’, dizia o artigo. Uma porta-voz da Procuradoria Geral mexicana não quis comentar o caso.


Ligação nervosa


Os colegas de Jimenez afirmaram que ele ligou para o jornal por volta de nove horas da noite no dia 2/4/05, e parecia nervoso sobre encontrar um contato. Foi a última vez que qualquer um soube dele. Depois do desaparecimento, jornalistas do El Imparcial deixaram de assinar as matérias sobre narcotráfico e passaram a informar seu paradeiro aos editores, conta Fernando Healy, diretor-geral do jornal.


Jorge Morales, diretor-assistente do jornal, afirmou que um grupo de jornalistas investigativos planeja terminar a série na qual Jimenez estava trabalhando sobre as gangues de drogas na região. A pedido de repórteres e editores, o presidente Vicente Fox nomeou um procurador especial em fevereiro deste ano para investigar os ataques aos jornalistas.


Mais proteção à imprensa


Organizações de monitoramento de mídia afirmam que o México é um dos lugares mais perigosos do Ocidente para a atividade jornalística, principalmente devido aos violentos cartéis de drogas. Desde 2004, houve nove assassinatos de profissionais de imprensa relacionados ao narcotráfico.


Ainda na segunda-feira (3/4), a Associação de Imprensa Interamericana (IAPA) divulgou a iniciativa dos mais de 100 jornais mexicanos e diversas publicações em espanhol nos EUA de publicar o relatório feito por uma equipe de oito jornalistas investigativos. Segundo a IAPA, os repórteres esperam que, ao publicar o relatório simultaneamente, eles possam proteger a si mesmos de ataques de vingança do crime organizado. A organização Repórteres Sem Fronteiras também emitiu uma declaração, no mesmo dia, pedindo ao presidente do México que resolva o caso Jimenez. A RSF afirmou ainda que a falta de proteção no país está fazendo com que os jornalistas se autocensurem.


O jornalista Enrique Santos Calderon, do jornal colombiano El Tiempo, afirmou que a publicação em conjunto foi ‘o primeiro passo para combater o crime organizado e o outro inimigo da imprensa – a autocensura – de forma unida’. Informações de Julie Watson [Associated Press, 3/4/06].

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