Sábado, 24 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1051
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Carta Capital

28/04/2009 na edição 535

NEW YORKER
Rosane Pavam

Cartuns

‘A boa notícia é que eles chegam aos brasileiros divididos por temas, com tradução ao português e apresentação editorial digna. A má notícia é que, para o Brasil atual, estes três volumes ainda parecem caros demais. Cada item da série The New Yorker Cartoons, pela Desiderata, pede 49,90 reais para 98 páginas de impressão em preto e branco, um cartum por página. Os editores raciocinam que a New Yorker vende inteligência e que devemos comprar os volumes com o objetivo de evocá-la. Difundir uma qualidade humana em falta é uma necessidade com seu preço.

Está no alto de cada volume o logotipo da revista de maior prestígio cultural da América, a New Yorker, lançada em 1925. Conta-se que o célebre editor e fundador Harold Ross supervisionava os cartuns com gosto, mas também rigor. A caneta palpitava quando a resolução dessas pequenas obras não estava definida a contento. Uma imagem e uma linha de texto deveriam saber transmitir tudo, a inteligência, o espírito, o humor, a síntese das situações. Tempo houve em que nosso Mauricio de Souza canetava cada página de seus quadrinhos.

Ross, contudo, não aceitava piadas como aquelas que pululam nos gibis e tiras da Mônica com uma obrigatoriedade que desanima. A New Yorker acredita no leitor sério, naquele quiçá indisposto com a infantilidade, embora surpreendido dentro dela por força da arte demonstrativa do cartum.

Os três volumes que se apresentam ao leitor brasileiro tematizam as terapias, os gatos e os cachorros. Eles vêm sendo assunto da New Yorker por muito tempo. Interessam ao leitor porque o revelam. O homem das cidades imponentes está ora na poltrona da sala, de onde observa seus bichos de estimação, ora no divã de análise. Quase todos os cartuns do volume Terapia brincam com o móvel de Sigmund Freud. Os que não brincam, como o publicado nesta página, surgem ainda mais sensacionais. Sem o analista, quem são os modernos?

Narrar um cartum não tem graça, mas este merece. O paciente no divã olha para seu analista, que estende a mão ao móvel de arquivos. ‘Você não está louco. Quer ver um louco de verdade?’, ele lhe pergunta ao fazer o gesto de puxar uma das pastas. Não se sabe o que mais preocupa, se o louco que há em todos os homens ou o louco que habita o analista.

Os gatos e os cachorros aparecem invariavelmente humanizados. ‘Meu Deus, você se deu conta de que metade do ano já passou?’, diz um dos dois gatos jogados no sofá. ‘E o que você acha que vai acontecer se subir no sofá?’, pergunta um cão ao outro, escondido sob o divã. Não é que o leitor ria sempre com esses cartuns, às vezes nem tão exuberantes. Mas ele agradece por haver um editor por trás de cada uma dessas tentativas.’

 

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