Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 27 E 28/2

Carta Capital

02/03/2010 na edição 579

INTERNET
Felipe Marra Mendonça

Google na mira

‘A marcha dos governos autoritários contra os direitos individuais na internet prossegue em ritmo acelerado. O Ministério das Telecomunicações do Irã anunciou, no início de fevereiro, que pretende inaugurar um serviço doméstico de e-mails, proposta que lembra o esquema ventilado pela Turquia (conforme publicou esta coluna na edição 575). A diferença é que o governo iraniano tem na mira o Google: quer suspender as contas do Gmail que pertencem aos usuários domésticos e impor a alternativa nacional. É de se esperar que qualquer serviço oferecido pelas autoridades do Irã seja de fácil monitoramento, o que possibilitaria maior controle sobre a expressão dentro do país e, principalmente, sobre o movimento oposicionista. O regime não consegue ler os e-mails dos dirigentes e simpatizantes da oposição caso eles utilizem o Gmail, um dos poucos serviços que codificam os dados enviados entre o usuário e os servidores do e-mail.

É curioso que o alvo seja novamente o Google, anteriormente vítima de ataques na China. A ofensiva iraniana não tem a mesma escala do que a empresa sofreu na China, quando seus servidores, além das contas e comunicações de usuários de seus serviços, foram bombardeados por ataques cibernéticos originados dentro do país. Mas o fato é que o cerceamento ao Google é proposital e mostra o interesse dos governos em atingir interesses americanos. Quem perde com toda a disputa é o usuário, que fica privado do direito à informação e à livre expressão.

***

Há um mês, na edição 582 de CartaCapital, a coluna discutiu o exemplo de quatro jornalistas francófonos que aceitaram se enclausurar em uma fazenda francesa sem acesso às mídias tradicionais e que se propuseram a tentar reportar as notícias a partir das redes sociais como o Twitter e o Facebook. O experimento foi condenado pelos setores mais tradicionalistas do jornalismo mundial, mas existe um jornal americano que decidiu radicalizar e trazer a internet para dentro da redação.

O Baltimore Sun pode não ter a pátina de diários mais famosos, como o New York Times ou o Washington Post, mas sua proposta interessaria a qualquer pessoa remotamente preocupada com o jornalismo atual. Todos os dias, o jornal transmite ao vivo a reunião de pauta pela internet, ocasião em que são decididas quais notícias serão cobertas pela equipe naquela edição. A página da transmissão, intitulada Page One, oferece um pequeno dicionário do jargão dos jornalistas para que os espectadores entendam tudo o que é discutido.

O curioso é que uma abertura tão franca de um dos processos fundamentais da criação do jornal diário poderia muito bem ser utilizada pelos competidores, mas fica também evidente que as vantagens são mais numerosas. A principal delas é que o leitor percebe que a cobertura é decidida por méritos e não por tendências políticas ou porque os editores são parte de uma conspiração nefasta. São simplesmente pessoas que querem descobrir a verdade e informar o leitor da melhor maneira possível, além de terminar uma reunião rapidamente.’

 

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