Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Cineasta ganha processo contra Vanity Fair

25/07/2005 na edição 339

O cineasta Roman Polanski ganhou o processo contra a editora Condé Nast, responsável pela publicação da Vanity Fair. A revista acusou Polanski, em um artigo publicado em 2002, de ter tentado seduzir uma jovem sueca em 1969, em um restaurante em Nova York, quando estava a caminho do funeral de sua esposa, a atriz Sharon Tate. Sharon foi assassinada por seguidores da seita do serial killer Charles Manson em Los Angeles, quando estava grávida de oito meses e meio. O cineasta será indenizado em US$ 87,5 mil em danos por calúnia.

Polanski, hoje com 71 anos, participou do julgamento, conduzido em Londres, por uma videoconferência a partir de Paris. Ele não foi à Inglaterra mover sua ação contra a revista porque corria o risco de ser extraditado para os EUA, onde foi condenado em 1977 sob a acusação de ter mantido relações sexuais com uma garota de 13 anos de idade. Polanski conseguiu fugir do país antes de ser preso. Como tem cidadania francesa, não pode ser extraditado da França.

No tribunal, ele admitiu ter tido relações sexuais com uma mulher um mês após a morte de sua esposa. Também reconheceu que, quatro meses após o assassinato de Sharon, teria feito sexo com adolescentes de uma escola de aperfeiçoamento social para moças em Gstaad, na Suíça. No entanto, alegou que o suposto incidente em Nova York não poderia ter acontecido, fornecendo documentos que provam que, na ocasião, ele havia viajado de Londres diretamente para Los Angeles.

Depois de questionar o passado sexual do cineasta e sua capacidade de recordar de fatos ocorridos há mais de 30 anos, o advogado da Condé Nast, Thomas Shields, afirmou que Polanksi seria incapaz de distinguir entre verdade e fantasia. Um trecho do artigo da Vanity Fair, reproduzido em documentos do processo, diz que o diretor teria prometido à ‘bela sueca’: ‘Vou fazer de você uma outra Sharon Tate’. Além disso, Shields alegou que a reputação de Polanski já era tão ruim que o artigo não foi capaz de prejudicá-lo.

A revista concordou com a alegação de que Polanski não esteve no restaurante quando se dirigia para o funeral de Tate, mas insistiu que ele compareceu ao local três ou quatro semanas depois do assassinato.

Depoimentos contra e a favor

A atriz Mia Farrow, estrela de um dos filmes mais conhecidos de Polanski, O Bebê de Rosemary, estava com ele no restaurante em Nova York e depôs a seu favor. Ela afirmou que Polanski estava desesperado com a morte de Sharon e era só disso que conseguia falar na ocasião.

Já o editor da Harper´s Magazine Lewis Lapham, fonte que relatou o caso envolvendo o cineasta, recordou o momento em que Polanski entrou no restaurante e abordou a jovem de maneira ‘vulgar e de mau gosto’, logo após a morte de sua mulher.

A jovem sueca acusada de ter sido seduzida, Beate Telle, não foi chamada pela Condé Nast para depor – embora, como foi lembrado pelo juiz, ela é viva e tem seu endereço conhecido.

Polanski, que escapou das forças alemãs quando era criança na Polônia e cuja mãe morreu em um campo de concentração nazista, mora atualmente em Paris, com sua mulher, a atriz francesa Emmanuelle Seigner. Ele dirigiu filmes como Chinatown e O pianista. Informações de Mike Collett-White, da Reuters [14, 19 e 20/7/05], AFP [19/7/05], Sarah Lyall, do New York Times [19/7/05] e The Guardian [22/7/05].

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