Quinta-feira, 18 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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MONITOR DA IMPRENSA >

Cobertura televisiva decepciona

Por Edição de Leticia Nunes (com Dennis Barbosa) em 03/08/2004 na edição 288

Na última noite da Convenção Nacional do Partido Democrata, nos EUA, todas as emissoras de TV abertas estavam presentes para transmitir – e julgar – o discurso de aceitação do candidato à presidência John Kerry. Na NBC, Tom Brokaw o chamou de ‘forte’; Mark Halperin, da ABC, disse que foi ‘de longe o melhor discurso de John Kerry que eu já vi’; e, na CBS, Bob Schieffer comentou com Dan Rather que aquele havia sido ‘um excitante discurso político’. Em termos de elogios, porém, estas mesmas emissoras não merecem nenhum, diz David Bianculli [New York Daily News, 30/7/04].

A não ser pelo discurso de encerramento, as emissoras abertas não cobriram praticamente nada da Convenção Democrata. Em quatro noites de evento, foram transmitidas no total apenas três horas no horário nobre. Em seu discurso na quarta-feira (28/7), televisionado por todas as emissoras, o candidato a vice John Edwards falou sobre as duas Américas que existem hoje. No dia anterior, o candidato ao Senado Barack Obama falou sobre uma única América, em um ovacionado discurso ignorado pelas TVs comerciais.

Quando o assunto é política, pode existir apenas uma América, mas, quando o assunto é televisão, as Américas são duas, divididas entre aqueles que possuem TV a cabo ou satélite e aqueles que assistem apenas às emissoras comerciais. Bianculli diz que, anos atrás, a TV aberta cobria de maneira completa e consistente as convenções nacionais. Abrir espaço em seu horário nobre era simplesmente um dever cívico, afirma ele. Na semana passada, para quem não tem TV fechada nos EUA, a única opção foi a emissora pública PBS (Public Broadcasting System). Já os cidadãos com acesso à cabo e satélite puderam escolher entre a cobertura do C-SPAN e os comentários analíticos da CNN, Fox News, MSNBC e o novo serviço digital ABC News Now.

Fracasso de público

Mesmo assim, não foram só as emissoras abertas que não fizeram um bom trabalho. O público também decepcionou. ‘Ter a opção é uma coisa; usá-la é outra’, diz Bianculli. O discurso de Bill Clinton na primeira noite da convenção foi eloqüente, mas não foi ouvido por muitos telespectadores. De acordo com o índice do Nielsen Media Research, Clinton foi assistido em 14,1 milhões de residências nos EUA. Em 2000, este número foi de 15,38 milhões, em média.

Na segunda-feira (26/7), a CBS teve 11,8 milhões de telespectadores uma hora antes do começo da convenção, com a reprise de um episódio do seriado CSI: Miami. Com o começo da cobertura política, às 22 horas, o número de telespectadores caiu para 4,55 milhões. Segundo o New York Daily News [28/7/04], a fraca audiência já era esperada pelos canais abertos, que por este motivo haviam decidido há algumas semanas não investir muito na cobertura do evento. Nos canais fechados, a CNN contabilizou 2,54 milhões de telespectadores, seguida pela Fox News, com 1,44 milhão, e MSNBC, com 1,01 milhão.

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