Domingo, 17 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1063
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MONITOR DA IMPRENSA >

Companhias de TV a cabo incorporam lições da web

Por David Gelles em 27/06/2011 na edição 648

A televisão vem aprendendo algumas lições da internet. Na Cable Show, feira do setor de TV realizada em Chicago na semana passada [retrasada], palavras-chave do mundo da tecnologia como “aplicativos”, “nuvem” e “social” circulavam de maneira exaltada. Mas não se tratava de declarações vindas da Apple, do Google ou do Facebook para mostrar seus produtos mais recentes. Elas partiam de empresas de TV a cabo, como Comcast, Time Warner e ESPN, buscando explorar avanços nas comunicações móveis, armazenagem remota e programação de software para tentar continuar relevantes para o consumidor atual. “A expectativa dos usuários sobre como consumir vídeos está mudando”, disse Imran Shah, sócio-gerente da IBB Consulting. A forma como os espectadores buscam programas está mudando e as “recomendações [feitas nas redes] sociais são parte integral disso”, afirmou Shah.

A Comcast, maior operadora a cabo nos Estados Unidos, lançou a próxima geração de seu software Xfinity. A tecnologia permite aos usuários buscar conteúdo de forma mais fácil e acessar algum conteúdo na internet. Por exemplo, uma busca por “Tom Cruise” mostrará todos os próximos programas a serem exibidos sobre ele ou nos quais o ator trabalha, assim como os filmes disponíveis sob encomenda.

O novo software da Comcast também apresenta quatro “aplicativos” que exibem informação sobre o clima e o tráfego e dão acesso a funções online, como o Facebook e o serviço de rádio pela internet Pandora. Os esforços para melhorar a experiência na TV são parte de uma investida mais ampla da Comcast e de outras operadoras a cabo para segurar assinantes que, de outra forma, poderiam fugir para as opções online.

Vantagens tremendas

Por trás do sistema da Comcast, há uma nova abordagem para a navegação na TV. Em vez do software que mostra a rede de canais e está inserido no decodificador fornecido pelas operadoras a cabo, a Comcast fornecerá uma interface “em nuvem” que pode ser personalizada e atualizada. “A Cloud TV é mais flexível”, disse Ian Blaine, executivo-chefe da The Platform, que fornece a infraestrutura para o novo sistema da Comcast. “Você pode desenvolver mais rapidamente, atingir mais aparelhos. É a tendência que avança neste ano.”

A Liberty Global, grupo americano que possui operações de TV a cabo na Alemanha e em países escandinavos, informou que também trabalha em um produto similar para mercados europeus chamado Horizon, que estará disponível ainda este ano.

A audiência total da TV aumentou 22 minutos por mês, por pessoa, em comparação com o ano passado, segundo a Nielsen, e as expectativas dos espectadores relativas à facilidade de navegação continuam aumentando. E, embora Netflix, Hulu e Apple estejam ganhando adeptos com suas alternativas aos pacotes tradicionais oferecidos pelas operadoras de cabo, analistas veem uma maior oportunidade para as empresas a cabo que possam usar o melhor da internet em seu benefício. “A empresa que integrar canais online tradicionais, vídeo sob encomenda e [gravadores de vídeo digitais] online, por meio de plataformas múltiplas e uma interface fácil de usar […] tem vantagens tremendas em termos de participação no mercado de vídeo e, mais importante, na determinação de preços dos vídeos”, disse Benjamin Swinburne, analista do banco Morgan Stanley.

Aparelho de exibição de vídeos

As empresas que quiserem aproveitar essa oportunidade terão de agir rápido. O modelo estabelecido de distribuição de televisão já mostra sinais de desgaste. HBO e ESPN, duas das redes a cabo mais bem-sucedidas, desenvolveram seus próprios aplicativos, que permitem aos usuários assistir aos programas pelo iPad. O aplicativo da ESPN, que permite aos usuários ver a programação ao vivo, foi baixado mais de 2 milhões de vezes. O programa da HBO, que dá opções sob demanda, teve mais de 1 milhão de transferências.

“As marcas mais fortes estão dizendo não ter certeza de que gostariam de ser agrupadas”, disse o analista Michael Nathason, do banco de investimento Nomura. “Temos uma base de assinantes que sabe nos encontrar por conta própria. Podemos desenvolver nosso próprio aplicativo.”

Portanto, embora o setor de TV a cabo esteja nas alturas, com uma base sólida de assinantes e receitas em alta, seus executivos reconhecem que, após décadas de domínio da TV tradicional, novas tecnologias repentinamente tornaram seu mundo bem mais complicado. “Temos de adotar novas tecnologias, precisamos entregar as coisas em novos formatos, precisamos adotar todas as telas”, disse o executivo-chefe da Time Warner Cable, Glenn Britt. “Não existe mais tal coisa como a TV. O que existe é um aparelho de exibição de vídeos.”

***

[David Gelles é jornalista do Financial Times em Nova York]

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