Segunda-feira, 26 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº975

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 14 E 15/11

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17/11/2009 na edição 564

O FIM
Izabela Vasconcelos

Diários Associados fecham Monitor Campista e dizem que título está à venda

‘Os Diário Associados fecharam o terceiro jornal mais antigo do Brasil, o Monitor Campista, de Campos dos Goytacazes (RJ). A empresa diz que o fechamento foi motivado pelo fim da publicação do Diário Oficial da Prefeitura de Campos, incluído no veículo por mais de 100 anos. O presidente da publicação, Maurício Dinepi, informou que a empresa tem interesse em vender o título do jornal, fechado no último domingo (15/11).

‘Se alguém quiser comprar o título, estamos abertos para isso. Dependendo da oferta, faria isso imediatamente. Isso me dará uma alegria enorme’, explicou ele, que é presidente dos Diários Associados no Rio de Janeiro.

Dinepi informou que foi procurado por algumas pessoas físicas, que não atuavam na área e ofereceram valores muito abaixo do valor real do título. ‘Não vamos entregar o título dessa forma porque o jornal tem uma história de mais de 150 anos’, afirmou.

Fim do Diário Oficial e prejuízos

O presidente do veículo disse lamentar muito o fechamento do jornal, mas alega que não encontrou outro caminho. ‘Me sinto desconfortável de fechar um jornal de 175 anos, mas não podia mantê-lo no prejuízo. Estávamos acumulando prejuízo, mandávamos para Campos o dobro do que vale o jornal, o que empresarialmente era uma loucura’, declarou.

No domingo (15/11), a empresa publicou uma nota comunicando o encerramento das atividades, por decisão do Condomínio Acionário dos Diários Associados, mas sem informar os motivos que levaram ao fechamento da publicação.

A publicação do Diário Oficial correspondia a 50% da receita do veículo. O informativo da prefeitura foi retirado do jornal após a Justiça alegar que não havia licitação para a publicação no Monitor Campista e que o Diário Oficial deveria ser aberto à concorrência de outros veículos, por meio de licitação. A Justiça atendeu a uma ação movida pela Folha da Manhã contra o Monitor.

O diretor do jornal, Jairo Coutinho Maia, negou que o veículo não tivesse licitação. ‘Já publicávamos o Diário Oficial há mais de 100 anos. Mas fizemos uma licitação, através de uma agência, para pagar o administrativo e institucional’, rebateu Maia.

Na época do fim da publicação do Diário Oficial, as especulações eram de que a prefeitura de Campos deixou de investir no jornal porque teria intenção de comprá-lo posteriormente. Em reunião com a Associação de Imprensa Campista, a Secretaria de Comunicação Social da prefeitura negou que o órgão tivesse a intenção de comprar o veículo. A prefeitura alegou também que estava surpresa com o fechamento do jornal e que apoiaria os jornalistas para manter o veículo com recursos do Fundecam, ou com a criação da Fundação Monitor Campista.

Situação trabalhista

Os jornalistas que atuaram no veículo se desligaram da empresa nesta segunda-feira (16/11), e foram convocados para resolver as últimas questões trabalhistas. De acordo com Dinepi, não ficará nenhuma pendência. ‘Será o primeiro jornal do país que encerra suas atividades sem dívidas com os funcionários’.

Manifestações

Amanhã (17/11) os profissionais do Monitor e representantes da Associação de Imprensa Campista (AIC) irão realizar um ato público contra o fechamento do jornal. ‘Queremos saber o que a empresa fará daqui pra frente, o que podemos fazer e pedir o adiamento da Assembleia com os acionistas, marcada para o dia 23/11’, disse Vitor Menezes, vice-presidente da AIC.

Segundo Ricardo Vasconcelos, editor do Monitor Campista, a última notícia era de que a prefeita de Campos, Rosinha Garotinho, confirmou uma reunião com Maurício Dinepi. O encontro deve acontecer nesta terça-feira às 16h, para discutir os possíveis rumos do jornal.’

 

GOVERNO
Projeto de Hélio Costa reduz controle do governo sobre rádios e TVs

‘Um projeto de lei do ministro das Comunicações, Hélio Costa, apresentado enquanto ocupava o cargo de senador em 2005, permite que emissoras de TV e rádio sejam vendidas sem autorização prévia do governo, segundo informa reportagem da Folha de S.Paulo desta quinta-feira (05/11). O projeto que seria votado nesta quarta-feira (04/11), na Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ), teve a votação adiada para a próxima semana.

A proposta reduziria o poder do Estado no controle das emissoras, já que permite a venda de rádios com potência de até 50 KW e as emissoras de TV que não são cabeças de rede sem autorização prévia do Poder Executivo e do Congresso, com exceção das que possuem capital estrangeiro. A única exigência que o projeto propõe é, após a venda, o aviso da troca de controle ao Executivo, no prazo de até 45 dias.

Se o projeto for aprovado, grande parte do mercado de rádio não terá mais controle do governo, no caso de vendas. De acordo com empresários do setor de comunicação, mais de 80% das emissoras de rádio no Brasil têm potência abaixo de 50 KW.

Mesmo depois de ter passado para o Ministério das Comunicações, Hélio Costa continua na defesa do projeto. O ministro alega alguns atrasos na regulamentação da radiodifusão, que tem mais de 50 anos e que, para ele, não condiz com as atuais necessidades do setor.

Especialistas criticam a proposta pela possibilidade de reduzir o poder do governo de fiscalizar. Outro ponto que pode restringir o projeto é o limite da concentração de propriedade de rádio e TV, imposto pela legislação.

O projeto foi aprovado em 2006 pela Comissão de Educação do Senado, tendo como relator o atual ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, de família proprietária de rádios e TV no Maranhão.

O senador Antônio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA), acionista da TV Bahia, afiliada da Globo, é o atual relator do projeto, além de ser defensor da proposta.

Entre algumas das propostas de Costa, as empresas de rádio e TV estariam livres da obrigatoriedade de enviar anualmente ao governo um comprovante de quadro societário, além da permissão para que as companhias que mudaram de controle acionário sem aprovação prévia tenham a possibilidade de regularizar sua situação, sem sofrer penalidades.

A organização não-governamental Coletivo Intervozes acredita que a medida reduz o poder do Congresso na fiscalização das rádios, anistia empresas que mudaram de controle ilegalmente e reduz a transparência. Já a Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e de Televisão (Abert) entende que a proposta facilita as negociações, mas teme o aumento de irregularidades no setor.’

 

Lula defende mais TVs para diminuir ‘monopólio’ nos meios de comunicação

‘O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em discurso na última sexta-feira (13/11), durante a inauguração do complexo de TV digital da RedeTV!, em Osasco (SP), defendeu o crescimento das emissoras para diminuir o ‘monopólio’ nos meios de comunicação do País.

‘Quanto mais TV, quanto mais jornalismo, quanto mais programação cultural, quanto mais debate político, mais democracia nós vamos ter neste país e menos monopólio nós vamos ter nos meios de comunicação do nosso País’, afirmou.

De acordo com o presidente, o aumento da renda da população fortaleceu o mercado consumidor. Com isso, as empresas investem mais em publicidade, aumentando as receitas das emissoras.

‘Isso significa criar mais e melhores conteúdos, contratar jornalistas, roteiristas, artistas, técnicos, e muitos outros profissionais com talento e competência de sobra. Este círculo virtuoso, onde todos ganham, não para por aí. O mesmo público que hoje dispõe de mais poder de compra, tem também maior acesso ao conhecimento e, também, a uma diversidade de fontes de informação que era impensável há dez anos’, disse.

Como um analista de mídia, Lula ressaltou o aumento nas vendas de computadores e o novo cenário no mercado de mídia.

‘Ao mesmo tempo em que todas as emissoras brasileiras de TV têm à sua disposição um mercado maior e mais lucrativo, têm também pela frente o enorme desafio de saber se comunicar com este novo Brasil que está surgindo a cada dia’, afirmou.’

 

ELEIÇÕES
José Dirceu

Para 2010, na imprensa, uma reedição de 1989

‘Preparamo-nos para nova eleição, a 6ª desde que as diretas foram restabelecidas para presidente e agora, vivemos situação idêntica a de 20 anos atrás, em que vale tudo de novo na mídia (leia as notas acima e abaixo).

Estão de volta até seus ventríloquos – como o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), com muitas falas em O Globo, ontem – para repercutir e repetir que a única conseqüência, ou a mais importante que ele destaca do pós 1989, é o apoio que os ex-presidente Fernando Collor e José Sarney, agora senadores, dão hoje ao governo do presidente Lula.

O Globo não foi capaz – não quis ou não lhe interessava, o que é mais óbvio – de publicar uma palavra, de recuperar o apoio dos tucanos ao governo Collor quando todos sabem, é só puxar um pouco pela memória, para lembrar que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (então no Senado) e o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) quase foram ministros de Collor.

Só não foram ministros porque o companheiro deles, então senador Mário Covas (PSDB-SP), contrário a esse apoio, criou uma situação constrangedora que os impediu.

E o apoio deles, e de todo o tucanato ao governo José Sarney? Naquelas duas ocasiões, o PT e Lula estavam e continuaram na oposição.

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A memória da eleição de 20 anos atrás

Dois jornalões brasileiros, o Folhão e O Globo…

Dois jornalões brasileiros, a Folha de S.Paulo e O Globo gastaram muito papel e tinta no fim de semana (edições de domingo, 15.11) para resgatar a memória das eleições presidenciais de 1989.

Foram as primeiras realizadas no país após 25 anos em que a ditadura militar impôs as indiretas com as quais colocou no Palácio do Planalto cinco marechais e generais presidentes, além de três oficiais-generais integrantes de uma Junta militar.

A Folha se limitou mais a um registro, ainda que interpretativo do jornalista Fernando Rodrigues. O Globo fez uma memória de quatro páginas com viés negativo para todos, mas principalmente para o presidente Lula, já que a tônica é que este foi adversário – arquiinimigo, diz o jornal – dos ex-presidente Fernando Collor de Mello e José Sarney, hoje aliados de seu governo.

A memória e o resgate são válidos, mas o único fato que vale a pena destacar das eleições presidenciais de 1989, os dois jornais não podem ou não tem coragem de assumir: eles apoiaram Collor, que só foi eleito porque contou com o apoio da mídia. Aliás, o próprio Collor agora admite isso (veja nota abaixo).

Naquela campanha e eleição, ela fez de tudo, sem nenhum limite ético, para derrotar Lula e eleger Collor. A mídia é, assim, a única responsável pela sua eleição junto com o grande empresariado.

(*) Texto retirado do Blog de José Dirceu’

 

Collor sobre eleição de 89: ‘Globo nunca declarou ‘eu apoio esse candidato’

‘A relação que tinha com a TV Globo ajudou e muito o ex-presidente Fernando Collor de Mello a ‘evitar armadilhas’ durante as eleições de 1989. O senador pelo PTB de Alagoas contou, em entrevista ao UOL, que percebeu nos meios de comunicação na época receio de o Brasil ter um governo comunista. Por isso, diz ele, que a imprensa era ‘simpática’ à sua candidatura. No segundo turno, quando concorreu com o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele diz que não houve ‘bem um apoio’ da Globo a ele. ‘A Globo nunca declarou ‘eu apoio esse candidato’, disse.

A relação com Roberto Marinho e família já vinha de longa data. Collor lembra ‘momentos de convivência com dr. Roberto’, já que seu pai, Arnon de Mello, foi sócio do empresário em empreendimentos imobiliários no Rio de Janeiro. ‘Enfim, as famílias se frequentavam’, recorda, destacando que quando sua família montou uma TV em Alagoas, Roberto Marinho ofereceu a programação da Globo, tornando-se afiliada.

Essa relação, diz, ‘sem dúvida nenhuma, ajudou bastante a evitar armadilhas’.

Pelo que conta, as conversas com Roberto Marinho sobre seu comportamento durante a campanha eleitoral eram frequentes. O empresário e jornalista dava conselhos a Collor sobre como se portar. ‘Ele disse uma vez: ‘meu filho, você está muito irritado. Você não deve usar certos termos, não precisa fazer isso. Vai contra você’. Ele se recusou a dizer que termos foram esses.

Mídia à procura de um candidato

A imprensa estava ‘à procura de um candidato’ quando Mário Covas apareceu, podendo representar o sistema capitalista. Alguns dos veículos, segundo Collor, o viam ligado aos comunistas. Para que então ele pudesse ser lançado candidato há 20 anos foi ao plenário do Senado Federal para declarar seu apoio ao capitalismo, transmitido ao vivo, na época, durante o horário em que os principais telejornais iam ao ar. Mas o tucano Covas ‘não conseguiu passar a mensagem ao eleitorado e não decolou’.

‘A minha candidatura foi de alguma maneira tida como simpática porque não havia outra alternativa’.

Ele diz não ter percebido qualquer problema em relação à ‘questão pessoal’ de Roberto Marinho com Lula e Silvio Santos, pelo PMB. Collor conta que havia ‘notória a indisposição’ entre Brizola e Roberto Marinho.

Edição da Globo no debate?

O desempenho de Collor no debate no segundo turno foi melhor do que o de Lula, na opinião do atual senador. Ele não vê qualquer favoritismo da Globo em relação a sua candidatura.

‘Quando a lenda é mais interessante do que a verdade dos fatos, publica-se a lenda’.

E comparou a edição do debate à edição de um jogo de futebol. ‘No primeiro, eu não fui bem, e isso ficou explicito na edição que fizeram (…). Mas no segundo debate eu fui muito bem. Mas como tem que ser editado é a mesma coisa que editar jogos de futebol. Vai pegar os melhores momentos do time que ganhou (…). Pareceu que houve algo editado mas não foi. Houve trabalho jornalístico claro e nítido.’.

A edição que foi ao ar provocou tanta polêmica que obrigou a emissora a não editar mais debates políticos.’

 

CANUDO
Proposta que exige diploma para jornalistas é aprovada na CCJ da Câmara

‘A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara aprovou na manhã de hoje a Proposta de Emenda à Constituição 386/09 que restabelece a exigência do diploma de jornalista. A Câmara vai criar agora uma comissão especial que terá prazo de 40 sessões para analisar o texto, de autorida do deputado Paulo Pimenta. Para ser aprovada, a proposta terá que ser votada em dois turnos no Plenário. Já no Senado, o presidente da CCJ, Demóstenes Torres (DEM-GO), pediu vista coletiva. A PEC, de autoria do senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), deve voltar à pauta daqui a 15 dias.

Valadares quer aproveitar esse tempo para, junto com o deputado Pimenta, elaborar um mesmo texto, que vai correr na Câmara e no Senado. ‘A idéia partiu do deputado Paulo Pimenta. Vamos fazer uma redação só na Câmara e Senado. Ele vai alterar o texto dele, eu o meu, e ficarão iguais. Queremos encurtar caminhos. Até as vírgulas serão iguais’, avisa.

O presidente da Federação Nacional de Jornalistas, Sérgio Murillo, está contente com o resultado na Câmara, mas diz que não é hora ainda de comemorar. ‘Essa é a primeira batalha de uma longa guerra. A Câmara deu um atestado de constitucionalidade ao diploma. Mas não podemos nos iludir proque tem muito trabalho pela frente. Para fazer uma mudança constitucional precisamos de 2/3 do congresso favorável, o que não é fácil. Mas o resultado está sendo bom. A casa responsável pela elaboração da Constituição não identifica conflito entre o princípio da liberdade de expressão e a exigência do diploma, como entendeu o Supremo Tribunal Federal’, disse.

(*) Atualizada às 16h22min.’

 

JORNAL DA IMPRENÇA
Moacir Japiassu

Preito a Sodoma e Gomorra

‘No dia cinco de outubro

Do ano ainda fluente

Em Carmo da Cachoeira

Terra de boa gente

Ocorreu um fato inédito

Que me deixou descontente.

(Ronaldo Tovani, juiz e poeta.)

Preito a Sodoma e Gomorra

O considerado Ubirajara Moreira Júnior, jornalista em Brasília, envia matéria publicada no site da BBC Brasil, matéria capaz de deixar Janistraquis mais excitado do que bode solto no meio das cabras:

Sob o título Britânica processada por sexo barulhento perde batalha no tribunal, lia-se:

Uma mulher que foi proibida por um tribunal britânico de fazer barulho alto durante suas relações sexuais perdeu seu apelo contra a decisão. As relações sexuais de Caroline e Steve foram descritas como ‘anormais’ e ‘assassinas’ pelos vizinhos durante o julgamento, em um tribunal em Newcastle.

(…) as relações sexuais do casal começavam por volta da meia-noite e prosseguiam até três horas da manhã, todas as noites. Equipamentos especializados de gravação foram instalados no apartamento de O’Connor pelo governo local e registraram níveis médios de ruído entre 30 e 40 decibéis, com um pico de 47 decibéis.

Segundo Ubirajara, se o amor gerava tamanha algazarra, imagina-se o que os dois faziam quando brigavam; por sua vez, o que impressionou meu assistente foi a coisa ocorrer ‘todas as noites’:

‘Fora de brincadeira, considerado; eu gostaria de conhecer o Steve e lhe pedir alguns conselhos…’.

Leia no Blogstraquis a íntegra desse preito a Sodoma e Gomorra.

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Apagão da Uniban

Janistraquis acompanhou detalhes da expulsão/readmissão daquela moça que os ‘estudantes’ quase lincharam e resolveu emitir humilde parecer:

‘Considerado, é tamanha a desordem, a esculhambação nesse valhacouto universitário, que evidentemente ali seguem a orientação ideológica do grupo vanguardista conhecido como ‘Carecas do ABC’, o qual só não é fascista de verdade porque todos são analfabetos de pai e mãe. Todavia, como sou um democrata, estou até disposto a aceitar as posições mais radicais da Uniban, desde que todos os discentes e docentes passem no exame da goma.’

E em sua coluna, o considerado Carlinhos Brickmann informou:

A Uniban, onde uma moça foi insultada e teve de sair com escolta porque colegas e seguranças não concordaram com sua roupa, é a universidade onde o deputado federal Vicentinho e o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, ambos do PT, obtiveram seus diplomas. Vicentinho se formou em São Bernardo na mesma época em que trabalhava arduamente em Brasília, como deputado federal. Ambos, Vicentinho e Marinho, foram garotos-propaganda da Uniban. Vicentinho dizia: ‘É importante estar em uma universidade que respeita as nossas aptidões’.

Ainda a propósito da torpeza, leia no Blogstraquis o excelente artigo de Hélio Schwartsman, da Folha, intitulado Culpar a vítima: essa foi a estratégia; o texto, que foi eleito o Nota dez da semana, abriga trechos assim:

(…)Acho que não chamaram ninguém do Departamento de Marketing para a reunião que definiu a expulsão. Nem da Pedagogia, nem o professor de Ética (se é que têm um).

(…)Conseguiram transformar o que já era um pesadelo de relações públicas naquilo que o pessoal das Letras Clássicas chamaria de ‘defaecatio maxima’ — e que o pudor que faltou aos dirigentes da instituição me impede de traduzir.

(A expressão latina cuja tradução foi impedida pelo pudor do articulista, significa algo como ‘cagada monumental’.)

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Versos da lei

O considerado Camilo Viana, diretor de nossa sucursal em BH, parede-meia com o Palácio da Liberdade onde Aécio bate-e-sai como bom pugilista que é, pois Camilo enviou diretamente de Carmo da Cachoeira (MG) uma curiosa e inspirada sentença em versos da lavra do jovem juiz-poeta (31 anos) Ronaldo Tovani, substituto da comarca de Varginha.

Ex-promotor de justiça, ele concedeu liberdade provisória a um cidadão preso em flagrante por ter furtado duas galinhas e ter perguntado ao delegado: ‘Desde quando furto é crime neste Brasil de bandidos?’ Na sentença, iniciada pelos versos que epigrafam a coluna, versejou ainda o magistrado:

Soltá-lo é decisão

Que a nossa lei refuta

Pois todos sabem que a lei

É pra pobre, preto e puta…

Por isso peço a Deus

Que norteie minha conduta.

Leia no Blogstraquis a íntegra do poema cujas sextilhas contam com graça e estilo um brasileiríssimo episódio.

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Velas e lampiões

O considerado Roldão Simas Filho, diretor de nossa sucursal no DF, de cujo varandão debruçado sobre o apagão geral deu pra enxergar os funcionários do Palácio do Planalto a preparar o estoque de velas e lampiões, pois Roldão envia esta, digamos, admonenda ao estado geral dos acontecimentos:

Já estou saturado dessa mania de os jornalistas não afirmarem nada, ficando sempre no ‘talvez’. Veja mais este exemplo, extraído da edição eletrônica do Correio Braziliense, texto sob o título Policial civil mata jovem de 16 anos que tentava assaltar micro-ônibus:

‘Armado, rapaz entrou no veículo lotado, anunciou o assalto e rendeu a cobradora do ônibus. Quando a mulher entregou o dinheiro, dois disparos teriam (sic) atingido a cabeça do assaltante, segundo uma testemunha que não quis se identificar. Agente da DOE estava de folga e descaracterizado.’

É ou não é uma dubiedade que os fatos não permitem usar?

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Lancellotti

Foi grande e ruidosa a festa na Pizzaria Speranza, no bairro paulistano de Moema, segunda-feira, 9, pois ali, em seu habitat natural, o considerado Sílvio Lancellotti, o mais talentoso profissional do Brasil, lançava outro candidato a best-seller.

Intitulado Tony Castellamare jamais perdoa, o novo livro é continuação de Honra e Vendetta, sucesso nas livrarias e na TV Record, transformado pelo Mestre Lauro César Muniz em Poder Paralelo, novela do horário nobre.

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Água benta

Deu há algum tempo no boletim da Capital Gaúcha:

Um empresário norte-americano está realizando o sonho de consumo de muitos carolas por aí: ele engarrafa e vende água benta em escala industrial.

O californiano Brian German afirma que teve a idéia no sexto dia do sexto mês de 2006. Na ocasião, um reverendo anglicano e outros voluntários católicos abençoaram a água, que, segundo o empresário, já vendeu milhares de garrafas pela internet.

Janistraquis recordou Eça de Queiroz:

‘Considerado, isso é história de português; no romance A Relíquia, do Bruxo de Póvoa de Varzim, o protagonista Teodorico Raposo, que disputa a herança da ‘titi’ com Jesus Cristo, vai se deleitar mundo afora com o dinheiro dela e volta a Lisboa carregado com dois frascos cheios de água do rio Jordão, mais 75 pregos da santa cruz e outros tantos da Arca de Noé!’

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Vírus perverso

Chegou via internet, assinado por alguma ou alguém que se chama YouTube:

Olá, foi verificado que um video com seu e-mail esta sendo divulgado pela internet e está entre um dos mais acessados.

( Clique e confira )

ou acesse: ‘ http://www.youtube.com/watch?v=uirOtPq3Ay ‘

Como Janistraquis e eu aposentamos a vaidade faz tempo, não clicamos nem conferimos; trata-se, evidentemente, de algum vírus da mais espúria procedência. Se o considerado leitor receber algo semelhante, elimine-o imediatamente.

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Título de eleitor

Meu assistente ainda não havia se recuperado do susto quando chegou mais este, de um tal de TSE:

Foi solicitado em nosso site a atualização de seu Titulo de Eleitor, e alguns dados estão em branco, tais como (telefone, rua, CEP, entre outros) favor verifique o anexo e confirme os dados ja fornecido por você no PROTOCOLO abaixo para a conclusão do processo.

É necessário a confirmação no praso de até 48 horas, pois a não confirmação implicará no cancelamento automatico do seu Título de Eleitor. Assim, o senhor não poderá votar na dona Dilma.

(A última frase é gozação de Janistraquis.)

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Caçado em Illinois

O considerado Antonio Carlos Schiaveto, jornalista em Araraquara (SP) e que andava mais sumido da coluna do que Luiz Eduardo Greenhalgh do noticiário político, envia de seu bem-montado escritório no centro da cidade onde nasceu o grande escritor Ignácio de Loyola Brandão:

Lembra-se de um anúncio de programa da rádio Eldorado que o Estadão publicou, no tempo do AI-5, no lugar de matéria vetada pela censura? Tinha o título do programa ‘Agora é samba’, e nada mais. E quando o velho Estadão tropeça e claudica no trato com a inculta e bela, só podemos dizer que ‘Agora é samba!’.

Na edição que tenho aqui arquivada, a página A12 traz notícia do suicídio de um assessor de Rod Blagojevich, ‘governador CAÇADO de Illinois’. Será que ele foi abatido ou apenas ferido, capturado e mandado para um zoológico?

Boa pergunta, Schiaveto, boa pergunta.

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Correio à venda

Do informativo online da Associação Nacional de Jornais:

Na década de 70, o empresário Oscar Bloch mandou um emissário a Porto Alegre para sondar o presidente da Companhia Jornalística Caldas Júnior, Breno Caldas, sobre a hipótese de venda do Correio do Povo, então o mais importante diário do Rio Grande do Sul.

O emissário fez um primeiro contato telefônico com o empresário e, ao ser provocado a adiantar o assunto, revelou o objetivo da visita. Breno perguntou onde o interlocutor estava hospedado naquele momento e, ao ouvir o nome do City Hotel, respondeu na hora:

‘Ah, não precisa se preocupar em vir até aqui. Aí na frente do hotel tem uma banca que vende o Correio’.

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O popular ‘hoje’

A maioria dos locutores/repórteres esportivos de rádio e televisão costuma anunciar o jogo das 18h30 de domingo, no próprio domingo aí por volta das 18h15: ‘O jogo deste domingo é…’.

Janistraquis chamou minha atenção:

‘Considerado, o ‘deste domingo’ também é conhecido como ‘hoje’ ou ‘daqui a pouco’.’

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Errei, sim!

‘Mais uma do arquivo secreto do Estadão, devassado por espião desta coluna: ‘Em São Paulo, a fauna silvestre está semi-extinta por completo’. (Agosto/95)

Colaborem com a coluna, que é atualizada às quintas-feiras: Caixa Postal 067 – CEP 12530-970, Cunha (SP), ou japi.coluna@gmail.com.’

 

APAGÃO
Repórteres da Globo e Record discutem no ar por entrevista com secretário

‘Após o blecaute que atingiu 18 estados nesta terça-feira (09/11), jornalistas da Globo e Record discutiram na disputa por uma entrevista ao vivo com o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmerman.

Na intenção de entrevistar o secretário para o programa ‘Hoje em Dia’, da TV Record, a repórter Venina Nunes foi anunciada pelo apresentador Celso Zucatelli. Ao tentar falar com o Zimmerman, a jornalista foi impedida por Camila Bomfim, repórter da Globonews, que afirmou que Venina deveria esperar, alegando que sua entrevista entraria ao vivo naquele momento.

Visivelmente constrangido com a situação, depois da terceira tentativa da repórter, Zimmerman disse que poderia falar mais tarde com Venina. O episódio, que durou quase oito minutos, foi criticado por Zucatelli. ‘A assessoria de imprensa do secretário devia acompanhar o que está acontecendo, prestar atenção e ver que a entrevista ainda não começou. Se não está ao vivo, se estão segurando o secretário propositalmente…eu venho aqui pedir que a assessoria do secretário colabore’, disse o apresentador.

Ainda no ar, Zucateli pediu que Venina tentasse pela quarta vez, já que a entrevista à Globonews ainda não tinha começado. ‘Eu vou tentar conversar com ele. Fica até chato porque é falta de ética tentar atrapalhar o trabalho dos outros, mas eles também estão aqui impedindo, a repórter não deixa eu passar’, explicou a jornalista da Record.

Durantes essa tentativa, o assessor de imprensa do secretário criticou a jornalista e disse que a entrevista para a outra emissora já estava marcada. ‘Você invadiu o espaço da Globo, invadiu o link’, afirmou.

Quando foi novamente chamada ao vivo pela equipe do programa da Record, Venina teve que esperar, porque o secretário gravava outra entrevista para a Globo.’

 

ENADE
Sérgio Matsuura

Enade: jornais ‘inventam fatos’ e ‘manipulam notícias’

‘Os estudantes de Jornalismo que realizaram a prova do Enade neste domingo (08/11) depararam com críticas à atuação da imprensa. Uma das questões discursivas dizia que os jornais ‘inventam fatos’ e ‘manipulam notícias’. A prova pedia que os estudantes comparassem as linhas editoriais de jornais populares com os de grande porte. O texto da pergunta dizia o seguinte:

‘Jornal popular, geralmente criticado por ser sensacionalista, inventar e/ou omitir fatos e preocupar-se apenas em faturar, aumentar a tiragem, publicar notícias irresponsáveis, atrair e agradar certo público-leitor. (…) Jornal de grande porte, considerado mais responsável, por vezes esquece o verdadeiro interesse pela informação, manipulando a notícia em favor de outros interesses empresariais, financeiros, comerciais, etc. E, assim, pode incorrer em muitos erros’, dizia a questão número 38.

A jornalista recém-formada Rafaella Javoski foi uma dos cerca de 76 mil estudantes de Jornalismo convocados para realizar a prova. Para ela, a questão é ‘estranha’. ‘Eu acho que existem jornais populares, que são sensacionalistas. Mas que inventam fatos, não. Eu achei estranha a pergunta’, diz.

Para o professor Nilson Lage, a pergunta é uma ‘idiotice’ e uma ‘generalização típica de quem não é do ramo’. ‘É semelhante a: políticos são ladrões; advogado de bandido é bandido (…). É outra idiotice do tipo ‘se algum é, então todos são’, avalia.

Lage não poupou críticas à prova aplicada pelo Ministério da Educação (MEC). Em sua opinião, as 12 primeiras questões ‘são pura imposição ideológica’. ‘Cada uma das afirmações dadas como corretas representa uma posição da esquerda reacionária que pretende dominar a consciência das pessoas reproduzindo métodos nazistas e stalinistas: punir quem não concorda, até que o sujeito aceite para não ser punido e termine aderindo. O método do açúcar e chicote’, avalia.

Outra pergunta polêmica foi a que questionava as críticas feitas pela imprensa sobre a declaração do presidente Lula, que classificou a crise econômica como uma ‘marolinha’. Entre as opções de resposta estavam ‘irresponsabilidade’ e ‘manipulação política da mídia’. A resposta correta era ‘livre exercício da crítica’.

O MEC ainda não se manifestou sobre o conteúdo das questões, mas, no Manual do Enade 2009, o ministério informa que o exame é desenvolvido com o apoio técnico de comissões compostas ‘por especialistas de notório saber, atuantes na área, responsáveis pela determinação das competências, conhecimentos, saberes e habilidades a serem avaliados’.’

 

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