Segunda-feira, 15 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1045
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03/03/2009 na edição 527

NA TV
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Observatório da Imprensa ganhará novo formato

‘A gerente de programas especiais do Jornalismo da TV Brasil, Cristina Carvalho, reúne sua equipe esta semana para definir as mudanças pelas quais vão passar o programa Observatório da Imprensa. A idéia é dar um novo formato a ele, prioridade dos profissionais que trabalham com Cristina nesses próximos sete dias.

A notícia é de que ‘em breve’ essas mudanças já poderão ser vistas pelo público. Estima-se que dentro de um mês o Observatório terá novidades.

Noblat no próximo programa

Ricardo Noblat, de Brasília, e Guilherme Fiúza participam do próximo Observatório da Imprensa, que vai ao ar nesta terça-feira (03/03), a partir das 22h40min. O programa vai tratar da importância da apuração dos fatos e até que ponto é válido publicar acusações com apenas um lado da questão, mesmo quando tudo leva a crer que o caso seja verdadeiro? O assunto vai envolver o caso da brasileira Paula Oliveira, que disse ter sido atacada por skinheads na Suíça.

O blog de Noblat registrou em 11/02 a notícia de que a brasileira havia sido torturada na Suíça e perdido os bebês gêmeos que esperava. O blog ouviu o pai da advogada e usou fotos feitas pelo companheiro de Paula.

Os veículos brasileiros passaram a dar destaque ao caso. A polícia suíça afirma que houve automutilação e que Paula inventou a história.’

 

 

PROTESTO
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Movimento dos Sem-Mídia faz protesto contra ‘ditabranda’ da Folha

‘O Movimento dos Sem-Mídia marcou para o próximo sábado (07/03) um protesto contra a Folha de S.Paulo que classificou, em editorial em 17/02, o regime militar brasileiro de ‘ditabranda’, em texto sobre a vitória de Hugo Chávez em referendo por eleições indefinidas na Venezuela. O protesto será às 10h, em frente ao prédio da Folha, em São Paulo.

No blog Cidadania, criado no UOL – site do grupo Folha da Manhã –, o presidente do movimento, Eduardo Guimarães, diz que o protesto busca ‘exigir respeito às vítimas da ditadura’. ‘O importante é deixar claro que não se aceitará nunca mais silenciar ou aceitar revisões históricas sobre os anos de chumbo’, diz.

O ex-comerciário compara a ditadura ao Holocausto. ‘Esta é uma iniciativa que não pretende nem precisa reunir uma grande multidão para protestar contra essa perniciosa revisão histórica de um fato que, a meu juízo, deveria equiparar-se ao Holocausto nazista’.

Para a manifestação, estão confirmadas as presenças do Fórum Permanente de Ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo, do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de São Paulo e professores da Unicamp e USP. Intelectuais lançaram em 21/02 um manifesto contra o editorial da Folha.’

 

 

CONTEÚDO NA REDE
Bruno Rodrigues

Público interno & comunicação digital

‘Nada mais precioso do que adquirir novos conhecimentos, em especial se eles nos levam por caminhos nunca dantes navegados. Assim tem acontecido desde que a Comunicação Digital surgiu como ferramenta de Comunicação Interna, há dez anos.

O que aprendemos, desde então? Destaco abaixo alguns pontos que provam que, mais que lidar com novas tecnologias de Comunicação, o caminho trilhado pelo mercado nos leva a um único objetivo: entender melhor o público.

1. O público não é um só

Nenhuma novidade até aí, mas antes da mídia digital pouco se conseguia fazer com relação à segmentação de público. As estratégias traçadas sempre exigiam investimento alto e, normalmente, as ações morriam na praia. Com a mídia online, o quadro mudou e o que antes era inviável tornou-se possível: tratar o público da forma como de fato ele é, ou seja, multifacetado. Daí a importância que se dá, hoje, ao CRM – Customer Relationship Management -, conjunto de ferramentas que lida com os diversos aspectos da relação empresa/públicos sem causar ruído, levantando mensagens segmentadas que criam, na maioria das vezes, um excelente resultado. Em tempo: embora o custo de CRM caiba no orçamento anual de uma empresa de porte médio, isso não significa que o preço seja de liquidação. Mas é viável e vale a pena.

2. O público quer dar retorno

Pedir a participação do público em ações de endomarketing já deveria ter levado gerações de profissionais ao panteão dos heróis da Comunicação porque, sejamos sinceros, não há iniciativa mais às escuras que querer retorno do público interno tendo às mãos ferramentas pífias de resultado duvidoso. Para cada esforço hercúleo, havia um retorno que (quase) invalidava a ação. Por isso, quando a interatividade online surgiu como recurso quase milagroso para criar um real relacionamento com os públicos de uma empresa, tudo mudou. E hoje, passado o período de adaptação, o empregado, receptor da mensagem, muitas vezes faz o caminho de volta e questiona a mensagem, jogando-a no colo do emissor com um enorme sinal de interrogação em anexo. Esta é a nova dinâmica da Comunicação Interna – o empregado agora gosta de participar, e por isso mesmo quer saber o porquê de cada ação de endomarketing, muitas vezes criticando o que se faz. Em suma: há anos desejamos o que agora temos, e por isso precisamos estar preparados para lidar com o retorno que recebemos.

3. O público já entende do riscado

Efeito colateral da vida multimídia do século XXI: bombardeado por marcas e conceitos na vida pessoal, nada mais normal do que o empregado de uma empresa questionar, também, de que forma ele recebe mensagens internas. E-mails? Por favor, ninguém aguenta mais. Mais um house-organ? Que seja digital, e não impresso, e ainda assim que o objetivo do veículo fique bem claro. Tanto amadurecimento de um público que, até pouco tempo, mal questionava o que recebia, vem do que ele vivencia fora da empresa, seja através do celular, da internet e da tevê sempre reinventada. Seriam todos, então, novos profissionais de Comunicação? Longe disso, mas é semelhante a quando vou a um restaurante – sei o que é bom atendimento, comida bem preparada, preço em conta. Que os outros se virem para atender as minhas expectativas, porque não aceito qualquer coisa, não.

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Confundir-se com o público seria o futuro da Comunicação Interna?

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1. Para quem não conhece meu blog, dê uma checada no http://bruno-rodrigues.blog.uol.com.br.

2. Gostaria de me seguir no Twitter? Espero você em twitter.com/brunorodrigues.

(*) É autor do primeiro livro em português e terceiro no mundo sobre conteúdo online, ‘Webwriting – Pensando o texto para mídia digital’, e de sua continuação, ‘Webwriting – Redação e Informação para a web’. Ministra treinamentos em Webwriting e Arquitetura da Informação no Brasil e no exterior. Em sete anos, seus cursos formaram 1.300 alunos. É Consultor de Informação para a Mídia Digital do website Petrobras, um dos maiores da internet brasileira, e é citado no verbete ‘Webwriting’ do ‘Dicionário de Comunicação’, há três décadas uma das principais referências na área de Comunicação Social no Brasil.’

 

 

JORNAL DA IMPRENÇA
Moacir Japiassu

Narradores de futebol que enganam o torcedor

‘Por só quereres tudo, e

eu dar-te nada hei de

lembrar-te sempre com ternura.

(Vinicius de Moraes em 1941)

Narradores de futebol que enganam o torcedor

Professor aposentado em Vitória (ES), o considerado Thadeu Carvalho tem vários interesses na vida, entre os quais acompanhar futebol pela TV, mas já não suporta mais os narradores dos canais pagos:

‘Eles querem transmitir a impressão de que assistem aos jogos lá das cabines dos estádios europeus, porém a imagem os denuncia sempre; afinal, a diferença está nas dimensões da tela: os profissionais acompanham as partidas na telona e nós, telespectadores, na telinha. Por que, então, querem nos enganar?

É comum o narrador se referir ao craque ‘que não tem para quem entregar a bola’, e, quando a imagem é aberta, vê-se o companheiro ali ao lado à espera do passe; ou então dizem que o jogador tal ‘fez cara feia’ para o adversário, ou xingou o bandeirinha, embora não existam registros desses incidentes. É um tipo de comportamento ridículo, verdadeira palhaçada!’

Janistraquis acha que narradores e comentaristas deveriam esclarecer esse negócio, porque se o professor Thadeu reclamou, muitos telespectadores certamente jogam no time dele.

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Veadagem nas escolas

O considerado Elias José Velloso Moreira, empresário no Rio, esperou o período pós-carnavalesco para enviar matéria já sambada, publicada no Jornal do Brasil, e ainda ajuntou o seguinte comentário:

‘Não dá mais para viver num país tão sem-vergonha, tão ridículo como o Brasil, onde um assassino italiano, condenado no país dele, se transforma em herói para o ministro da Justiça; agora, vem a veadagem organizada, com a pretensão de, na marra, transformar homens em mulheres. Se um absurdo desses vingar neste país, teremos a legalização da fraude.’

A tal matéria do JB, cujo título é A lista de chamada sai do armário — Travestis e transexuais querem usar nome social nas escolas, diz:

A Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) lançará uma campanha nacional pela aceitação do nome social das travestis e transexuais nas escolas brasileiras. O movimento enviará a todas as secretarias estaduais de educação um manifesto pedindo a assinatura de portarias que autorizem o uso dos nomes sociais nas escolas.

Caso não sejam atendidos, os integrantes da ABGLT vão recorrer ao Ministério Público Federal. Por meio da Portaria 16/2008, o estado do Pará tornou-se o primeiro e, até agora, o único a aceitar a matrícula de travestis e transexuais com seus nomes sociais. Portarias semelhantes estão sendo debatidas em Minas Gerais, no Paraná e no Piauí.

Janistraquis e o colunista leram e releram a matéria e mais o comentário do Elias Moreira, e não atinamos com o, digamos, X do problema. O que vem a ser ‘nome social’? É o mesmo que nome de guerra?

Será que um cabra do sexo masculino, que se pinta e se veste como mulher, poderá matricular-se numa escola com nome falso? José Maria pode virar Maria José ou Carmem Valéria e enfrentar a sala de aula num pretinho básico ou minissaia? A Constituição também permite que o elemento esconda de professores e colegas sua verdadeira identidade?

Janistraquis insiste: mesmo que se trate de indivíduo submetido a cirurgia para ‘mudança de sexo’, é intolerável aldrabice, também conhecida como trapaça, pois quem nasce homem (permitam-me a força de expressão) continuará assim pelo resto da vida.

(Leia no Blogstraquis a íntegra da matéria do JB.)

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Castigo dos bons

Janistraquis leu, mas esqueceu em que veículo:

O Brasil vai criar mais cinco embaixadas, segundo decretos publicados no ‘Diário Oficial’ da União. Na América Latina, as novas unidades serão abertas em São Cristóvão e Névis, com sede em Basse-Terre; em Dominica, com sede em Roseau; em São Vicente e Granadinas, com sede em Kingstown; e em Antígua e Barbuda, com sede em Saint John’s. O país terá ainda nova embaixada na Ásia, em Dacca (Bangladesh).

Meu assistente tem absoluta certeza de que tais embaixadas se equivalem a presídios de segurança máxima, nos quais serão internados os adversários do regime.

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O autor d’Os Lulasíadas

O considerado Lúcio Wandeck, que infelizmente não nos enviou informações profissionais/pessoais, postou no Blogstraquis o seguinte comentário:

Com relação ao poema ‘OS LULASÍADAS’, publicado nesse blog, aproveito a oportunidade para informar que o autor sou eu. Ressalvo, também, que o poema contém uma parte introdutória, como a seguir se lê:

‘Que me perdoe o poeta que tudo viu, se vos parodio inspirando-me naquele que nada sabe, nada escuta, nada lê e nada vê! Passeio pelo mundo em nau a jato, de sorte que a justiça não me alcance, como posso saber, se sou errante, metamorfose ambulante?’

Não sei se o poema foi alvo de aprovação pelo Censor do Santo Ofício, mas garanto que se houvesse passado pela censura do PT seria reprovado como ‘obra do demônio’. Assim sendo, solicito-lhes conceder-me o crédito da autoria. Atenciosamente, Lúcio Wandeck.

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Quarta-feira de cinzas

Leia no Blogstraquis a íntegra do soneto cuja maravalha encima esta coluna. Intitula-se Soneto de quarta-feira de cinzas, composto para aquela que foi mais que a simples aventura e menos que a constante namorada.

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Pra humilhar

Titulão que saiu na Folha no sábado de carnaval:

Kassab põe secretário de Transportes para cuidar do lixo

Janistraquis acha que se era para humilhar o senhor Alexandre de Moraes, deveriam ter publicado logo esta manchete:

Kassab põe no lixo o secretário de Transportes

É bem pensado.

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Bálanos na pista

Texto verdadeiro, porém altamente preconceituoso que percorre a internet em cima de uma Harley-Davidson virtual:

‘ Motoboy é como pênis: Tem cabeça e não pensa, vai e vem o tempo todo, quer passar onde não cabe, às vezes se esfola, geralmente anda duro e, de quebra, ainda fode os outros!’

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Pequeno notável

Saiu há tempos na mídia daqui e d’alhures:

O garoto João Victor Portelinha, de 8 anos, foi aprovado no vestibular de direito da Universidade Paulista (Unip) e tem o sonho de se tornar juiz federal antes dos 19 anos. A família achou normal e fez a inscrição. A Unip proibiu o menino de assistir às aulas porque ele não concluiu o ensino médio. Os Portelinhas prometem recorrer à Justiça. Sobre a prova, João Victor disse que estava bem preparado porque costuma ler jornais e revistas semanais.

Janistraquis, que só aprendeu a ler nos anos 70, graças à Lei Falcão, que instituiu aquelas medonhas legendas sob as fotos dos candidatos às eleições, comentou com os olhos arregalados de quem comeu e não gostou:

‘Caramba, considerado! Uma criança passa no vestibular de Direito, enquanto a maioria absoluta de marmanjos e marmanjas é reprovada por analfabetismo explícito e imperiosa burrice. Só mesmo neste país de m…’

Exemplos assim levaram meu assistente a inscrever o cachorro Ringo, vira-latas inteligentíssimo, no concurso para fiscal de… de alguma coisa da qual não me lembro mais.

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Apenas burrice

O considerado Roldão Simas Filho, diretor de nossa sucursal no Planalto, de cujo banheiro, em trepando-se nas bordas do vaso sanitário, é possível ver o Mandante a passar lustramóvel na cara de tronco de mulungu, pois Roldão leu o Correio Braziliense, encheu de novo a paciência e escreveu ao diretor da Redação:

A edição de 7/2 publica em destaque que ‘quarenta adolescentes de classe média são apreendidos (sic) pela PM no fim da tarde. Para o delegado da DCA, eles estavam reunidos por conta de uma briga entre integrantes de gangues rivais da Asa Sul e do Sudoeste’.

Parece que o termo não está bem aplicado. Os jovens foram, de fato, detidos e levados até a delegacia, onde foram advertidos. Não foram apreendidos, coisa que se faz, por exemplo, com mercadorias furtadas, contrabandeadas ou com tóxicos e entorpecentes.

Janistraquis concorda integralmente, ó Mestre Roldão, mas esclarece que, segundo os politicamente corretos, menores jamais são presos ou detidos, mas apreendidos, como as mercadorias que você mencionou; já meter no texto ‘por conta’ em vez de ‘por causa’ é apenas ignorância.

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Tempos ruins

A pedidos, a coluna repete frase que circula pela internet, enviada pelo considerado Bill Falcão, jornalista em Belo Horizonte:

Estamos numa época em que o fim do mundo não assusta tanto quanto o fim do mês

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Nota dez

O considerado Sandro Vaia escreveu no Observatório da Imprensa, a propósito da morte do excelente jornalista e querido amigo Guilherme José Duncan de Miranda, o Bill:

No começo, o Jornal da Tarde foi formado pela fusão de várias tribos. A maior delas era a dos mineiros. A diáspora mineira foi produzida por Murilo Felisberto, o secretário de redação, que recrutou dezenas de talentos que militavam nas redações dos jornais de Minas.

Havia outras tribos menores, como a dos egressos da sucursal paulista do Jornal do Brasil, além dos talentos avulsos, recrutados em redações esparsas.

Guilherme Duncan de Miranda, o Bill, era da tribo do JB.

As tribos se fundiram à perfeição e criaram uma nova identidade única, que veio a formar o espírito JT. Dessa fusão foram surgindo as individualidades, a imposição suave e natural de estilos de comportamento, de estilos de trabalho, de características pessoais mais ou menos marcantes.

Leia aqui a íntegra do texto tão emocionante quanto honesto.

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Errei, sim!

‘VEJA NORDESTE – Publicado no Roteiro da Veja 28 graus, que é a Vejinha do Nordeste: ‘João Pessoa – Rique Palace Hotel. Vista panorâmica. As serestas com cantores da terra a partir de quarta, são as mais badaladas no topo da Serra da Borborema’.

Janistraquis comentou, desolado: ‘É, considerado… seria mesmo uma beleza se essa Serra da Borborema de João Pessoa não ficasse em Campina Grande…’. (outubro de 1992)

Colaborem com a coluna, que é atualizada às quintas-feiras: Caixa Postal 067 – CEP 12530-970, Cunha (SP), ou japi.coluna@gmail.com.

(*) Paraibano, 66 anos de idade e 46 de profissão, é jornalista, escritor e torcedor do Vasco. Trabalhou, entre outros, no Correio de Minas, Última Hora, Jornal do Brasil, Pais&Filhos, Jornal da Tarde, Istoé, Veja, Placar, Elle. E foi editor-chefe do Fantástico. Criou os prêmios Líbero Badaró e Claudio Abramo. Também escreveu nove livros (dos quais três romances) e o mais recente é a seleção de crônicas intitulada ‘Carta a Uma Paixão Definitiva’.’

 

 

TELEVISÃO
Antonio Brasil

Quem precisa de TV aberta?

‘‘A TV está em um período de tremenda transição, e se não tentarmos mudar o modelo agora, corremos o risco de nos tornarmos a indústria de automóveis ou a indústria de jornais’.

Jeff Zucker, presidente da NBC Universal.

Então você sobreviveu a mais um carnaval. O carnaval da crise, do desemprego e das más notícias. Parabéns! A imprensa e as redes de TV brasileiras certamente não o ajudaram muito. Foi a mesma tortura de sempre. Longo feriadão com péssima cobertura de notícias e ainda pior programação na TV. Ninguém merece, mas sempre acontece!

Não consigo entender a lógica de jornais ‘magrinhos’ em longos feriados e a falta de programas especiais na TV. A brilhante idéia de transmitir os mesmos desfiles de sempre por mais de 8 horas com exclusividade na emissora líder é coisa do passado.

Tanto trabalho e investimento para colocar no ar as mesmas imagens, os mesmos ângulos e mesmos efeitos especiais de sempre. Todo ano é sempre a mesma coisa. Escolas de samba no Rio de Janeiro desfilam no Sambódromo, Escolas de samba de São Paulo no Sambódromo paulista e Trios Elétricos em Salvador. Ninguém merece tanta mesmice ou resiste a tantas bobagens durante tantas horas.

E, pelo jeito, nem mesmo as câmeras da Globo resistiram este ano. A emissora líder com exclusividade de ‘quase’ tudo no Brasil conseguiu a proeza de despencar uma de suas câmeras aéreas sobre seis foliões cariocas. Quem monitora ou fiscaliza a televisão brasileira?

Sempre disse que carnaval e principalmente TV ao vivo são muito perigosos. Mas você pode ver o vídeo do desastre aqui.

Misteriosamente o assunto não teve muita repercussão no noticiário. Corte rápido para os comerciais de carnaval. A transmissão é chata, mas ainda fatura muito!

Baixarias na TV

Mas o pior é a cobertura jornalística na TV. O mesmo constrangimento de sempre com as mesmas perguntas de todos os anos: como você está se sentindo antes de entrar ‘sambando’ no Sambódromo (sic)? Você está muito emocionada, mas dá pra sambar um pouquinho para as nossas câmeras?

Ninguém merece tanta mesmice e tanta bobagem todos os anos. Tanta falta de planejamento, treinamento e criatividade. Um show de improvisação e amadorismo com as mesmas palavras e imagens de sempre. Pelo menos, enquanto outras câmeras não despencam novamente. Pobre folião brasileiro!

Para quem gosta de TV, transmissão de carnaval é um suplício. Sempre parece que é impossível piorar, mas nossas televisões sempre conseguem o impossível. Entra e sai ano TV brasileira se supera durante a transmissão do carnaval.

Ainda bem que a transmissão de Oscar salvou o nosso domingo de carnaval. O problema é que a transmissão ficou restrita a um canal por assinatura, o TNT. O que seria de nós se não houvesse TV por assinatura? Apesar dos inúmeros comerciais, péssima programação e alto custo ainda é a salvação para o horror da TV aberta.

Afinal, que ainda precisa de TV aberta? O NYT criou um fórum de discussão aqui

O problema é que TV por assinatura no Brasil é um luxo para poucos. Para muito poucos! E ainda por cima não interessa aos poderosos radiodifusores brasileiros. Por aqui, os donos de TVs aberta controlam o acesso à TVs por assinatura. Difícil de explicar, um absurdo, mas é a pura realidade. Pobre telespectador brasileiro!

Fim da TV aberta

De qualquer maneira, quem precisa melhorar os programas das TVs brasileira quando o faturamento publicitário ainda é tão alto e os cofres do governo com dinheiro dos nossos impostos sustentam as TVs públicas ou seriam estatais? (ver coluna da semana passada)

Mas talvez os executivos das TVs brasileiras deveriam começar a se preocupar com o futuro. Se o passado confirma que ‘quase’ tudo que acontece na TV dos EUA acaba acontecendo aqui no Brasil, o período de ‘vacas gordas’ talvez seja uma ilusão e tenha seus dias contados.

Em matéria com o título, Broadcast TV Faces Struggle to Stay Viable ou TV aberta luta para continua viável (aqui), o New York Times discute a crise na televisão americana.

Fim do Homer Simpson

Durante décadas, a TV aberta nos EUA foi uma verdadeira oligarquia sob o controle das três grandes redes. Só para se ter uma idéia do seu poder no passado, cerca de 83% dos lares americanos assistiram à apresentação de Elvis Presley no Ed Sullivan Show, o Fantástico dos EUA, em Setembro de 1956. Esta audiência é considerada a maior de todos os tempos nos Estados Unidos.

O último episódio da série MASH em 1983 bateu outro recorde com cerca de 106 milhões de telespectadores.

Hoje, a série com maior audiência da TV americana, Desperate Housewives, ou Esposas Desesperadas, produzida pela ABC, é líder de audiência com míseros 10,9% de audiência.

Nos últimos três meses de 2009, as redes de TV americanas perderam quase 3 milhões de telespectadores ou quase 7% do total. Muitos desses telespectadores insatisfeitos ainda gostam de TV, mas abandonaram a TV aberta e migraram para canais por assinatura como o USA e TNT.

Ou seja, nem tudo são más notícias para as televisões americanas. Pesquisa do Nielsen Research Institute, o Ibope dos EUA, indica que o típico lar americano, aquele do Homer Simpson, consiste de 2,7 pessoas com acesso a 2,9 aparelhos de TV.

Esse mesmo típico americano assistiu a uma média de 142 horas de televisão no período de um mês em 2008. É um crescimento de quase 5 horas comparado ao mesmo período do ano anterior. Por outro lado, a Internet consumiu mais de 27 horas por mês, aumento de uma hora e meia, de acordo com o Nielsen. Boa notícia para a indústria de TV.

Suicídio da TV?

O problema, no entanto, é a queda na lucratividade das grandes redes americanas nos mesmo período. Segundo outra matéria do NYT, a rede líder de audiência, a CBS, perdeu cerca de 52% dos seus lucros com a diminuição da receita publicitária.

De qualquer maneira, o faturamento da CBS ainda é grande, US$ 3,53 bilhões nos últimos três meses. A soma é enorme, mas aponta uma queda de 6% no faturamento bruto da CBS se comparado ao mesmo período do ano passado. E isso é uma má notícia para a TV como a conhecemos.

Para fins de comparação, a receita do Google foi de US$ 21,8 bilhões em 2008. Um aumento de 31% em relação à 2007. Boa notícia para a Internet.

Importante frisar que a rede de TV CBS é líder de audiência nos EUA. Teve 12 dos 20 programas com maiores índices de audiência no horário nobre em 2008, segundo o Instituto Nielsen.

Ou seja, sucesso de audiência não garante mais aumento no de faturamento. O cenário mudou e o modelo de faturamento exclusivo pela publicidade persiste. TV, assim como o Senador Sarney, tende a virar dinossauro. Se já não virou!

Tudo isso, por enquanto, acontece nos EUA. Mas como ‘quase’ tudo que acontece nos EUA….

TV sem Internet

Mas como explicar essa nova realidade? Avanço das novas tecnologias e aprofundamento da crise financeira? Pode ser. Mas o mais provável é acomodação e crise de criatividade. Há muito tempo, na TV nada se cria. Tudo se copia e com redução de custos. O sucesso dos Reality Shows, a maldição do Big Brother Brasil. Trata-se de um bom exemplo de produção em tempos de crise. Programinha ruim com baixo investimento, alto faturamento publicitário e grande índice de audiência. O problema é que esses programas, assim como a televisão como a conhecemos, tendem a desaparecer.

Esses programas também tendem a canibalizar a audiência de TV. O público costuma ser convidado a visitar os sites do programa e participar das votações via Internet. O problema é que esse mesmo público tende a se aproximar ainda mais da Internet e nunca mais voltar para a TV. É um problema de difícil solução.

Os Reality Shows de hoje não são como as novelas do passado. O público tende a se cansar logo da fórmula do programa e busca novas ‘espiadas’, novos ‘voyeurismos’ em outros meios.

Não é à toa que os executivos das emissoras e os fabricantes de televisores não estão muito interessados em colocar acesso à Internet nos novos modelos de TV. Leia a matéria ‘What Convergence? TV’s Hesitant March to the Net’ ou Que Convergência? A hesitante marcha da TV em direção à Internet’.

A solução tecnológica é fácil e barata. Mas o acesso à Internet pela TV talvez canibalize ainda mais a audiência do meio. Internet na TV pode diminuir o ‘emburrecimento’ do telespectador médio, o Homer Simpson. Ou seja, a longo prazo, colocar acesso de Internet na TV é suicídio. Mata a galinha dos ovos de ouro!

E o próximo carnaval?

Enquanto isso, no último mês de dezembro, quase 100 milhões de espectadores americanos assistiram a cerca de 5,9 bilhões de vídeos segundo a comScore (ver aqui). A pesquisa também indica que esse público não necessariamente abandonou a TV. Eles criam novos hábitos e formas de assistir aos vídeos. Muito provavelmente estão ‘espiando’ os vídeos enquanto trabalham, estudam ou enquanto estão em trânsito, em seus celulares.

De qualquer forma, todas as pesquisas indicam que estamos diante do fim da televisão como a conhecemos. Quem ainda precisa dessa televisão? Uma televisão velha, acomodada, que não se renova e se contenta em transmitir os mesmos programas de sempre para um público sem alternativas. Um público que não tem a quem reclamar e uma televisão que não responde a ninguém. Televisão aberta no Brasil é uma concessão pública sem qualquer tipo de fiscalização. Ministério das Comunicações garante concessões e interesses dos radiodifusores e nos últimos anos se tornou trampolim para ambições político-partidárias. Pobre telespectador brasileiro.

Mas o futuro sempre nos reserva surpresas. Estamos diante de um novo futuro onde a televisão seja diferente e a transmissão do carnaval não seja mais a nossa única diversão no feriadão.

Desculpem o otimismo e a rima pobre!

(*) É jornalista, professor de jornalismo da UERJ e professor visitante da Rutgers, The State University of New Jersey. Fez mestrado em Antropologia pela London School of Economics, doutorado em Ciência da Informação pela UFRJ e pós-doutorado em Novas Tecnologias na Rutgers University. Atualmente, faz nova pesquisa de pós-doutorado em Antropologia no PPGAS do Museu Nacional da UFRJ sobre a ‘Construção da Imagem do Brasil no Exterior pelas agências e correspondentes internacionais’. Trabalhou na Rede Globo no Rio de Janeiro e no escritório da TV Globo em Londres. Foi correspondente na América Latina para as agências internacionais de notícias para TV, UPITN e WTN. É responsável pela implantação da TV UERJ online, a primeira TV universitária brasileira com programação regular e ao vivo na Internet. Este projeto recebeu a Prêmio Luiz Beltrão da INTERCOM em 2002 e menção honrosa no Prêmio Top Com Awards de 2007. Autor de diversos livros, a destacar ‘Telejornalismo, Internet e Guerrilha Tecnológica’, ‘O Poder das Imagens’ da Editora Livraria Ciência Moderna e o recém-lançado ‘Antimanual de Jornalismo e Comunicação’ pela Editora SENAC, São Paulo. É torcedor do Flamengo e ainda adora televisão.’

 

 

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