Segunda-feira, 16 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1054
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Comunique-se

28/04/2009 na edição 535

FALHA NOSSA
Comunique-se

Folha reconhece erros em reportagem sobre Dilma Rousseff

‘Depois de cartas enviadas à redação por duas fontes importantes da reportagem ‘Grupo de Dilma planejava seqüestrar Delfim’, a Folha de S. Paulo reconheceu dois erros contidos no texto, alvos de crítica do ombudsman Carlos Eduardo Lins da Silva. Um deles trata da ficha que ilustrava a matéria em que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, aparece qualificada como ‘terrorista/assaltante de bancos’, com um carimbo de ‘capturado’ sobre sua foto. A Folha chegou a afirmar que o documento foi encontrado nos arquivos do Dops, quando, na verdade, chegou por e-mail à redação.

O jornalista Antonio Roberto Espinosa, ex-comandante da Vanguarda Popular Revolucionária e da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares, entrevistado para a reportagem contestou informações publicadas e a autenticidade da ficha e acusou o diário de tentar prejudicar a ministra. O mesmo fez Dilma, dizendo que a ficha se tratava de ‘manipulação recente’.

‘O segundo erro foi tratar como autêntica uma ficha cuja autenticidade, pelas informações hoje disponíveis, não pode ser assegurada – bem como não pode ser descartada’, diz a Folha em matéria de sábado passado (25/04).

O jornal explica que o foco da primeira reportagem não era a ficha mas sim o sequestro em 1969 do então ministro da Fazenda, Delfim Netto, pela organização guerrilheira à qual a ministra pertencia, a VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares).

‘Apesar da minha negativa durante a entrevista telefônica de 30 de março (…) a matéria publicada tinha como título de capa ‘Grupo de Dilma planejou sequestro do Delfim’. O título, que não levou em consideração a minha veemente negativa, tem características de ‘factóide’, uma vez que o fato, que teria se dado há 40 anos, simplesmente não ocorreu. Tal procedimento não parece ser o padrão da Folha.’, escreveu Dilma ao ombudsman.

A Folha informa que destacou repórteres para esclarecer a autenticidade da ficha assim que a ministra contestou-a. ‘A reportagem voltou ao Arquivo Público do Estado de São Paulo, que guarda os documentos do Dops. O acervo, porém, foi fechado para consulta porque a Casa Civil havia encomendado uma varredura nas pastas. A Folha só teve acesso de novo aos papéis cinco dias depois’, responde o jornal..

‘Solicitei formalmente os documentos sob a guarda do Arquivo Público de São Paulo que dizem respeito a minha pessoa e, em especial, cópia da referida ficha. Na pesquisa, não foi encontrada qualquer ficha com o rol de ações como a publicada na edição de 5.abr.2009. Cabe destacar que os assaltos e ações armadas que constam da ficha veiculada pela Folha de S. Paulo foram de responsabilidade de organizações revolucionárias nas quais não militei. Além disso, elas ocorreram em São Paulo em datas em que eu morava em Belo Horizonte ou no Rio de Janeiro. Ressalte-se que todas essas ações foram objeto de processos judiciais nos quais não fui indiciada e, portanto, não sofri qualquer condenação. Repito, sequer fui interrogada, sob tortura ou não, sobre aqueles fatos.’, diz Dilma em carta ao ombudsman.

‘Ao classificar a origem de cada documento, o jornal cometeu um erro técnico: incluiu a reprodução digital da ficha em papel amarelo em uma pasta de nome ‘Arquivo de SP’, quando era originária de e-mail enviado à repórter por uma fonte’, reconheceu o jornal.

Coordenador do arquivo do antigo Dops, Carlos de Almeida Prado Bacellar afirmou que a ficha não está entre os documentos que ficam em São Paulo. ‘Nem essa ficha nem nenhuma outra ficha de outra pessoa com esse modelo. Esse modelo de ficha a gente não conhece.’

‘Os mecanismos de controle da autenticidade de informações do jornal precisam de reforço. A internet, onde a ficha circula há meses, é fértil para fraudes. É péssimo se deixar enredar nela. O custo pode ser altíssimo. Para ele, o público e as pessoas envolvidas’, concluiu o ombudsman.’

 

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Erro da Folha de S. Paulo vira piada na Internet

‘O erro da Folha de S. Paulo se transformou em motivo de piada na internet. O blog Quanto tempo dura criou montagem e a publicou em post intitulado ‘Aproveita galera! A Folha tá publicando qualquer Spam na primeira página’ .

A brincadeira faz referência à primeira página da edição do dia 05/04 da Folha, na qual um documento recebido por e-mail foi publicado como sendo autêntico. No último sábado, a Folha admitiu o erro.

‘O primeiro erro foi afirmar na Primeira Página que a origem da ficha era o ‘arquivo [do] Dops’. Na verdade, o jornal recebeu a imagem por e-mail. O segundo erro foi tratar como autêntica uma ficha cuja autenticidade, pelas informações hoje disponíveis, não pode ser assegurada – bem como não pode ser descartada’.’

 

CONTEÚDO NA REDE
Bruno Rodrigues

Para o ‘novo jornalista’

‘Não adianta chorar sobre o leite derramado: a mídia impressa passa pelo maior choque que já se viu, e o melhor a fazer é agir. Enquanto os grandes grupos jornalísticos criam novos modelos de negócio, que os profissionais corram para se reinventar.

Para onde olhar? Que habilidades é preciso desenvolver? É possível, mesmo, uma massa de jornalistas formada em um mercado em ebulição adaptar-se a novos paradigmas?

A resposta é – graças a Deus – sim.

Embora a primeira reação dos profissionais em meio ao caos seja procurar por cursos, antes vale a pena parar e perceber quais são estes novos paradigmas. Por quê? Para que os novos conhecimentos adquiridos sejam plenamente absorvidos e não se gaste tempo e dinheiro tentando entender o que há de novo no ar. E – talvez o principal – para não se perder na ilusão de que em algum momento tudo voltará ao normal. Acredite: não vai, e definitivamente, não é o fim do mundo.

Vamos, então, ao ponto. Na realidade, é uma trinca de conceitos que têm se apresentado ao longo da última década e, com certeza, pertence a um longo futuro que se avizinha.

1- Informação não é só notícia e, portanto, não morre amanhã

O maior benefício do meio digital é a permanência da informação, o que veio sepultar a ideia de que o que é publicado hoje vira passado amanhã. E mais: que a notícia de ontem é inútil. Aproveitar a capacidade quase ilimitada de um site jornalístico em acumular informação, polindo a notícia do dia anterior e aglutinando-a a outras mais recentes é o ponto zero para se tratar uma notícia de uma nova maneira.

2- Informação não é só texto

Sobre isso, sabemos desde a universidade, mas era mais teoria que prática. O problema é que arrancar da cabeça de um jornalista que a habilidade de redator, neste novo cenário, é apenas uma habilidade entre as essenciais, é mais que uma pedreira. Mexer com lado escritor do jornalista é puxar briga. Ainda assim, vamos lá: a convergência de mídias que era ficção científica até cinco anos hoje é parte do dia-a-dia, o que significa que vídeo, áudio, ícone, foto, ilustração e gráfico acabam tendo o mesmo peso que o texto – e é preciso acreditar neles como informação de peso.

3- Informação não é só informação

É o item mais difícil – talvez a grande mudança – e a palavra-chave é *relacionamento*. Desde se acostumar a incluir – sempre – na pauta itens sugeridos pelo leitor, a mediar áreas de comentários, passando por publicar (e filtrar) material de quem não é jornalista a aprender (ontem!) a lidar com micro-ferramentas como RSS e Twitter e ambientes como Orkut e Facebook: tudo isso é fato, não mais ‘tendência’. E cada um destes aspectos complementa a informação e faz a roda girar.

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Dito isso, respire fundo e vá em frente. As promessas são boas, acredite! 🙂

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A próxima edição de meu curso ‘Webwriting & Arquitetura da Informação’ começa em junho, no Rio. Para quem deseja ficar por dentro dos segredos da redação online e da distribuição da informação na mídia digital, é uma boa dica! As inscrições podem ser feitas pelo e-mail extensao@facha.edu.br e outras informações podem ser obtidas pelo telefone 21 21023200 (ramal 4).

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Gostaria de me seguir no Twitter? Espero você em twitter.com/brunorodrigues.

(*) É autor do primeiro livro em português e terceiro no mundo sobre conteúdo online, ‘Webwriting – Pensando o texto para mídia digital’, e de sua continuação, ‘Webwriting – Redação e Informação para a web’. Ministra treinamentos em Webwriting e Arquitetura da Informação no Brasil e no exterior. Em sete anos, seus cursos formaram 1.300 alunos. É Consultor de Informação para a Mídia Digital do website Petrobras, um dos maiores da internet brasileira, e é citado no verbete ‘Webwriting’ do ‘Dicionário de Comunicação’, há três décadas uma das principais referências na área de Comunicação Social no Brasil.’

 

EXTRA! EXTRA!
Milton Coelho da Graça

Notícias ruins e promessa de pior

‘O boletim do Audit Bureau of Circulation (a versão americana do IVC), distribuído nesta segunda-feira (27/4), só tem más notícias sobre grandes jornais: O Boston Globe, associado ao New York Times, perdeu 13,6% de circulação média diária no período de seis meses entre outubro 2008 e março 2009, em comparação com o semestre imediatamente anterior. O Miami Herald caiu 15,8%, o Chronicle, de Houston, 13,9%. O Constitution, de Atlanta, 20%.

A queda não é geral, muitos jornais menores mostram números mais animadores.

O Commercial Appeal, de Memphis (aqui no Brasil estaria entre os grandes), tem agora uma circulação média de 192.631 exemplares, 31% (!) a mais do que no semestre anterior. Esse sucesso tem uma razão interessante: o jornal na verdade perdeu 14% dos leitores habituais, mas as escolas da região de Memphis decidiram comprar várias de suas edições dentro do programa ‘Jornal na Educação’ – uma bela idéia por sinal.

Todos os outros nove com melhores resultados são de cidades médias, o que talvez indique uma tendência geral, inclusive aqui.

Mas a maior ameaça à saúde financeira dos jornais tanto impressos como online (e, por tabela, dos jornalistas) foi anunciada por uma repórter veterana e premiada: Sharon Waxman, ex-Washington Post e com vários prêmios, agora colunista do jornal online de Hollywood ‘The Wrap’.

Numa festa em Hollywood neste sábado (25/4) ela encontrou Eric Schmidt, presidente do Conselho de Administração e principal executivo do Google. Eric anunciou o grande projeto de informação de sua empresa, previsto para lançamento dentro de seis meses: o Google, através de buscas e outras xeretices, vai identificar o tipo de notícia que interessa a cada leitor, oferecendo um ‘jornal sob medida’.

Sharon perguntou e Eric Schmidt negou que pretenda pagar aos produtores das notícias, nem mesmo uma parte do faturamento dos anúncios vendidos pelo Google, cujo projeto já promete ser conhecido como ‘Cafetão News’.

Se Eric não estava bebum, a noticia de Sharon é pior do que os boletins do IVC – aqui e nos Estados Unidos.

(*) Milton Coelho da Graça, 78, jornalista desde 1959. Foi editor-chefe de O Globo e outros jornais (inclusive os clandestinos Notícias Censuradas e Resistência), das revistas Realidade, IstoÉ, 4 Rodas, Placar, Intervalo e deste Comunique-se.’

 

JORNAL DA IMPRENÇA
Moacir Japiassu

Nota dez para a professora que condena a reforma ortográfica

‘Os poetas

desafinaram a lira

Os poetas trocaram

a lira

a rima

a métrica

por uma guitarra

elétrica

(Talis Andrade in Os Herdeiros da Rosa)

Nota dez para a professora que condena a reforma ortográfica

A professora Thaís Nicoleti de Camargo, que ensina português e conhece as sutilezas do idioma, escreveu na Folha, sob o título Reforma ortográfica: mais custos que benefícios:

(…) A ideia de unificação, que produziu um discurso politicamente positivo em torno do assunto, além de não ter utilidade prática, gera vultoso gasto de energia e de recursos, que bem poderiam ser empregados no estimulo à educação e à cultura.

(…) Sem um objetivo claro e com severas implicações financeiras, a reforma ortográfica apoia-se num documento lacunar e numa obra de referência marcada pela hesitação e pela inconstância nos critérios de regularização. Fica a incômoda impressão de que os custos serão bem maiores que os supostos benefícios.

Leia no Blogstraquis a íntegra do artigo, o qual mostra alguns detalhes dessa besteira em que mergulhamos nossa sesquipedal ignorância. E burrice, que é para completar a obra.

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Joaquim Barbosa

Janistraquis, torcedor já no tempo em que o Supremo somente abrigava cavalheiros de notório saber e ilibada reputação, avisa que se o temperamental ministro Joaquim Barbosa abandonar aquele lugar hoje transformado num saco de gatos, terá emprego garantido na zaga do Vasco da Gama:

‘Esse Barbosa, que nos faz recordar o grande goleiro dos anos 40 e 50, não brinca em serviço; do pescoço pra baixo ele considera bola.’

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Galo perigoso

O vizinho Zé Bideco nos deu de presente um enorme galo de pescoço pelado que lembra o bojudo fradalhão do soneto de Bocage, na aparência e, principalmente, na ação.

O fenômeno chegou, em minutos passou na cara todas as galinhas, até as chocas que inadvertidamente deixaram seus ninhos; também ameaçados pela caralhaz lanceta, os frangos mais novos meteram-se mato adentro, acompanhados das galinhas d’angola, num alarido infernal.

Janistraquis imediatamente deu ao perigoso o nome de Fernando Lugo, justa homenagem ao presidente do Paraguai.

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Misterioso blog

Publica-se por aí, com repercussão aqui, que o jornalismo brasileiro ganhará as luzes do pensamento de Lula, o qual escreverá um blog e terá coluna nos jornais. Janistraquis festeja a chegada do novo ‘coleguinha’, mas denuncia supervacaneidade na decisão presidencial:

‘Considerado, quem não nasceu ontem está careca de saber que, sob pseudônimo, Sua Excelência produz um blog há algum tempo,…’

Por mais que insistisse não obtive de meu assistente esclarecimentos acerca desse, pelo menos para mim, misterioso blog. Todavia, é sempre bom lembrar que Janistraquis tem apagadas várias lamparinas do juízo, para utilizarmos divertida expressão da novela-das-oito-que-começa-às-nove.

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Escândalo

Janistraquis leu, viu e escutou tudo, mas tudo mesmo, sobre o escândalo das passagens, e anotou:

‘A única matéria interessante sobre o assunto seria o perfil de algum deputado que não deu passagens de presente.’

É mesmo, pois até agora parece que todos, sem exceção, se beneficiaram do dinheiro público.

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Caderno especial

O considerado Roldão Simas Filho, diretor de nossa sucursal no Planalto, de cuja varanda debruçada sobre o abismo ainda é possível enxergar as margens do Rubicão, pois nosso diretor, que somente critica porque está coberto de bom senso, escreveu as seguintes linhas aos curemas do seu jornal preferido:

Excelente o caderno especial comemorativo dos 49 anos de Brasília. Meus sinceros parabéns a toda a equipe do Correio Braziliense por essa façanha, realizada com extrema criatividade e rica de informações sobre os últimos 49 anos. Nota DEZ, com louvor!

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Pergunta besta

Chamadinha na capa do UOL:

‘O Filho do Brasil’ — O que você espera do filme sobre a vida de Lula?

Janistraquis, cuja paixão pelo cinema morreu nos anos 60, não admitiu a hipótese, mesmo remota, de opinar:

‘Considerado, isso é o mesmo que perguntar a alguém o que ele espera do mosquito da dengue.’

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Coraçãozinho

O considerado Almir Conrado Nunes, de São Paulo, torcedor do Fluminense que acompanhou o clássico Flamengo x Botafogo na antena parabólica, ficou impressionado com a transmissão da Globo:

‘Não sei se vocês viram, mas a emissora instalou nos dois massagistas aquele sensor que detecta a tensão da partida e o locutor Luís Roberto, num ataque de pieguice, se referiu ao ‘coraçãozinho’ de um deles, senhor já entrado em anos. Não é ridículo?’

Janistraquis e eu, que somos torcedores do Vasco, vimos na Sky o partidaço entre Corinthians e São Paulo, sem nenhum tipo de sensor; e o coração(zinho) que bateu mais forte foi o do telespectador, quando o Fenômeno deu a arrancada para fazer o segundo gol do Timão.

(E também não se deve dar crédito a massagistas, principalmente os macumbeiros, como aquele tal de Pai Santana, falso ídolo da torcida do Vasco; o coraçãozinho dele sempre bateu pelo Fluminense.)

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Roxo de vergonha

O considerado Marco Antonio Zanfra, assessor de imprensa do Detran de Santa Catarina, despacha de seu QG instalado à beira-mar um texto recheado de um susto e uma recordação:

Uma passada de olhos no ‘Guia Hagah’ – caderno de programação do ‘Diário Catarinense’ – de hoje (21 de abril) trouxe-me uma lembrança de meu início de carreira, séculos atrás: trabalhava no setor de polícia da ‘Agência Folhas’ e entre minhas funções estava a de dar forma de redação jornalística aos textos enviados por nossos correspondentes na Grande São Paulo.

Certo dia, um desses correspondentes mandou uma foto onde apareciam diversas pessoas e identificou o personagem que nos interessava numa ‘legenda’ escrita no papel que embrulhava o filme: ‘O ladrão é o que está de camisa azul.’

Nada mais fácil para identificar um criminoso… desde que o filme não fosse em preto e branco.

Pois no ‘Hagah’ de hoje, na página central, está lá a legenda que me provocou tal reminiscência: ‘O apresentador Edgar Piccoli (de roxo) recebe, no programa de hoje, a banda…’ É de se apostar que o pobre redator não foi avisado de que, por questões industriais, todo o caderno seria impresso em preto e branco. Se soubesse da particularidade, certamente identificaria o titular do programa ‘Edgar no Ar’ (Multishow) como o que estava ‘no centro da foto’.

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Solução final

Com o indispensável auxílio de cientistas políticos, cartomantes e até de um ex-presidente do Ibama, Janistraquis pôde analisar profundamente as causas do sucesso de Lula mundo afora, lamentou que não seja possível mais um mandato, porém arriscou possível solução para manter o Brasil por cima da carne seca:

‘Considerado, se quisermos continuar com esse verdadeiro espetáculo de popularidade, o jeito é esquecermos Serra, Dilma, Aécio e outros menos votados e eleger o cacique Raoni; duvido que o mundo não se curve definitivamente diante de nós.’

Acho uma idéia do cacete, principalmente se o vice for o curandeiro Sapaim, chefe de pajelança que invoca espíritos e ainda faz chover.

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O enforcado

O considerado Camilo Viana, diretor de nossa sucursal em Belo Horizonte, prédio vizinho ao Palácio da Liberdade onde Aécio proibiu que se fale em cordas, pois Camilo despachou de lá:

Fazem falta as comemorações cívicas, todas em extinção. As religiosas ainda perduram com alguns remanescentes a realizar solenidades cristãs. Semana Santa, dia de padroeiro, grupos de Congado, novenas, retiros espirituais, adoração ao Santíssimo, por aí.

O áspero mesmo é você ler, na ausência de notícias de comemorações, o que publica o Estado de Minas na primeira página de hoje sobre a data e o alferes:

TIRADENTES. O HOMEM E O MITO

Os historiadores concordam: ele foi um batalhador pela liberdade e não entregou nenhum dos companheiros. Joaquim José da Silva Xavier era um homem simples, arguto, inteligente, crítico e, certamente, namorador. O tempo esconde, no entanto, detalhes como o rosto do mártir da Inconfidência Mineira. Não se sabe se ele usava barba ou tinha rosto limpo.

Há muito não lia tamanha indigência intelectual. Entre delatar, denunciar, revelar, acusar, o jornal preferiu entregar. Para o jornalista, é bem pequena a distância entre livros de História e o jargão popular das delegacias de polícia.

Outra irrelevância, esta já dissecada: somente os oficiais superiores tinham o direito de usar barba, a qual não era permitida aos de hierarquia inferior, tipo alferes.

A barba de Tiradentes cresceu na prisão, enquanto aguardava o julgamento. E o uso da barba, ou escanhoado, não faz a mínima diferença nos desenlaces dos atos históricos registrados.

Janistraquis acha que, se esta nota ler, a barba do redator há de crescer.

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Eufemismos

O considerado Emerson Dias Ribeiro, artista gráfico em São Paulo, envia notícia publicada na Folhaonline, cujo título o deixou indignado:

Jovem é preso por suspeita de ter matado português a facadas em SP.

‘O elemento, que no texto também é chamado de desempregado e adolescente, só virou suspeito no final da matéria, talvez porque o repórter ignorava outros eufemismos. Pois o jovem, adolescente e apenas desempregado, cujo nome foi escondido, tem 18 anos e será indiciado por latrocínio.’

Assim como Emerson Ribeiro, Janistraquis só chama de jovem ou adolescente os estudantes de bom comportamento; e o título da matéria poderia ser este: Preso em SP suspeito de ter matado português a facadas.

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Errei, sim!

‘SEM ELETRICIDADE — O Estadão, ‘com aquela mania de grandeza’, segundo diz Janistraquis, publicou a seguinte frase: ‘Além de Brasília, ficaram sem eletricidade praticamente todos os Estados de Goiás e Tocantins’. Todos os Estados. Todos!’ (novembro de 1990)

Colaborem com a coluna, que é atualizada às quintas-feiras: Caixa Postal 067 – CEP 12530-970, Cunha (SP), ou japi.coluna@gmail.com.

(*) Paraibano, 66 anos de idade e 46 de profissão, é jornalista, escritor e torcedor do Vasco. Trabalhou, entre outros, no Correio de Minas, Última Hora, Jornal do Brasil, Pais&Filhos, Jornal da Tarde, Istoé, Veja, Placar, Elle. E foi editor-chefe do Fantástico. Criou os prêmios Líbero Badaró e Claudio Abramo. Também escreveu nove livros (dos quais três romances) e o mais recente é a seleção de crônicas intitulada ‘Carta a Uma Paixão Definitiva’.’

 

JORNALISTAS & CIA
Eduardo Ribeiro

Jornal Placar chega novamente ao mercado, agora para ficar

‘Chega hoje (22/4) às ruas de São Paulo, dessa vez numa iniciativa que veio para ficar, o Jornal Placar, com previsão de circulação de segunda a sexta-feira, 16 páginas e 80 mil exemplares distribuídos gratuitamente. Nessa distribuição, a Abril vai novamente se valer da estrutura montada pelo gratuito Destak em 200 pontos da cidade (os chamados corredores AB das zonas Sul, Norte, Leste e Oeste da capital). ‘Mas o jornal estará na íntegra no site Placar’, diz o diretor de Redação Sérgio Xavier Filho. ‘Será, portanto, uma forma dele circular no resto do Brasil e no mundo. Em novembro/dezembro do ano passado, fizemos um teste com 22 edições. E deu certo. Valia a pena fazer o jornal em definitivo. Inclusive o pacote Abril de Copa do Mundo prevê anúncios no jornal em julho do ano que vem’.

Sérgio diz que o modelo de negócio é simples: ‘Imprimimos na mesma gráfica que roda o Destak e eles são responsáveis pela distribuição. Cada um cuida de sua operação. Eles tinham 130 mil exemplares diários e ficaram muito satisfeitos com a parceria. A gente agrega valor ao produto deles. O carro buzina com mais vontade porque sabe que terá a chance de pegar o Placar’.

Quanto à distribuição em bancas, ele diz que o assunto não existe: ‘Temos que fazer direito a operação, conquistar o mercado publicitário, mostrar que somos uma alternativa viável para atingir o público da rua. Vale lembrar que com o Cidade Limpa as marcas não conseguem conversar com facilidade com o consumidor da rua’.

A Redação, que segundo Sérgio está trabalhando animadamente no 5º andar do prédio da Abril, tem Celso Miranda como editor, dois subs, Marcos Sérgio da Silva e Marcelo Monteiro, os repórteres Anselmo Caparica, Carlos Frederico Machado, Bruno Favoretto e o estagiário Lucas Bettine, o editor de Arte Alex Borba e os designers Eduardo Ianicelli, Everton Silva Prudêncio, Marcelo Max Araújo e Heber Ferreira Álvares. Entre os colunistas, além do próprio Sérgio e de Celso, nomes como Paulo Júlio Clement, Marcos Cezar Pereira, Arnaldo Ribeiro, Rogério Andrade e James Scavone, entre outros.

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O Museu da Corrupção

O fato é inusitado e o projeto pioneiro e inédito. O Diário do Comércio, jornal mantido pela Associação Comercial de São Paulo está lançando oficialmente nesta quarta-feira, 22 de abril, dia do Descobrimento do Brasil, o Museu da Corrupção, o MuCo, projeto que vem sendo gestado há cinco meses. A ideia é que nele se abriguem todos os casos de corrupção, desde a descoberta do Brasil. Ele já abre com os 15 maiores casos dos últimos tempos, distribuídos por várias ‘salas’. Segundo o diretor de Redação do DC, Moisés Rabinovici, ‘o projeto do Museu existe de verdade, tem planta e é assinado por um renomado arquiteto mineiro. Em duas páginas, na edição de hoje, contamos tudo. Todo o noticiário de corrupção será agora destinado ao Museu. Abriremos com o tempo uma sala para os bustos em cera dos famosos corruptos. E teremos muitas outras salas já pensadas’.

Candidatos a lugar de destaque neste Museu, todos sabemos, não vão faltar. Talvez falte é espaço para tantos casos!

(*) É jornalista profissional formado pela Fundação Armando Álvares Penteado e co-autor de inúmeros projetos editoriais focados no jornalismo e na comunicação corporativa, entre eles o livro-guia ‘Fontes de Informação’ e o livro ‘Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia’. Integra o Conselho Fiscal da Abracom – Associação Brasileira das Agências de Comunicação e é também colunista do jornal Unidade, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, além de dirigir e editar o informativo Jornalistas&Cia, da M&A Editora. É também diretor da Mega Brasil Comunicação, empresa responsável pela organização do Congresso Brasileiro de Jornalismo Empresarial, Assessoria de Imprensa e Relações Públicas.’

 

TELEVISÃO
Antonio Brasil

Para que serve a TV Justiça?

‘‘Vossa Excelência não tem condições de dar lição a ninguém’.

‘Vossa Excelência não está na rua não, vossa excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro. É isso. Vossa Excelência quando se dirige a mim não está falando com os seus capangas de Mato Grosso, ministro Gilmar. Respeite’.

Pelo jeito, se não for editada, a TV Justiça não serve para muita coisa.

Após a repercussão negativa do bate-boca entre o presidente do STF, Gilmar Mendes, e o ministro Joaquim Barbosa (ver vídeo aqui), três ex-ministros do STF, Carlos Velloso, Mauricio Correa e Célio Borja, sugerem o ‘Fim das transmissões ao vivo de sessões da Corte pela TV Justiça’.

O objetivo seria ‘evitar danos à imagem do Judiciário’.

Para Velloso, ‘Televisionar debates é prejudicial. Não é condizente com a Justiça o exibicionismo. Expor debates na TV é bom, mas editado como fazem os grandes programas de TV. Ao vivo, não dá. A população espera de um tribunal o comportamento moderado e equilibrado dos seus membros. Acontece que os juízes são homens, não são anjos, e estão sujeitos a essas exaltações nos debates’.

Entenderam?

A grande culpada pelas baixarias e trocas de ofensas entre ministros do STF seria a TV. Ela influenciaria o comportamento dos juízes e provocaria cenas de exibicionismo. Ou seja, remova-se o sofá ou a TV e tudo será resolvido.

TV no Parlamento

Os brasileiros que jamais foram consultados sobre a implantação da TV do Judiciário podem e devem pagar pelos seus custos. Mas eles não estão preparados para assistir a transmissões ao vivo de sessões da Corte Suprema da nação.

Os telespectadores brasileiros são obrigados a pagar pela TV Justiça, mas não podem e não devem assistir à realidade dos nossos tribunais superiores. Essa televisão ‘pública’ precisa ser analisada e editada com antecedência para evitar males maiores. TV ao vivo é muito perigosa!

É difícil conviver com a democracia e com a televisão ao vivo em nosso País. Ainda mais para os donos do poder. Qualquer poder. Boa TV é aquela que divulga ações positivas, boas notícias e elogia os políticos.

Mas a luta por uma TV pública de verdade tem longa data e sempre enfrentou muitas resistências.

Ainda resida em Londres, no final dos anos 1970, quando a BBC tentava convencer os políticos a permitir transmissões ao vivo dos debates no parlamento britânico. Na época, a resistência foi enorme. Alguns representantes chegaram a dizer que as transmissões ao vivo significariam ‘o fim da milenar democracia britânica’.

Hoje, após muitos anos de debates, discussões e algumas concessões, para deleite dos políticos britânicos, a TV transmite ao vivo regularmente os debates no parlamento. A experiência serviu como modelo e exemplo para muitos países, inclusive para o Brasil.

Assistir aos debates dos nossos representantes se tornou uma forma de transparência política. Nas transmissões ao vivo pela TV, os eleitores brasileiros têm a oportunidade de observar e fiscalizar a atuação dos políticos. Mas, infelizmente, o que era resistência e oposição se tornou vitrine e exibicionismo. TV ao vivo no parlamento se tornou meio de comunicação poderoso para muitos políticos. Para os eleitores, ainda é curiosidade ou eventualidade. Mas combinada com novas tecnologias como o YouTube se torna uma arma poderosa de fiscalização e cobrança.

Xingando o outro

Hoje, no Brasil os mesmo ex-ministros do STF declaram que ‘escândalos como esse podem ser evitados com o fim das transmissões dos julgamentos ao vivo pela TV Justiça, já que há ministros com propensão ao descontrole verbal’.

Ministros com propensão ao descontrole verbal? Pasmem! Retirem a TV.

No Brasil, adoramos culpar o meio televisivo por tudo de pior que temos e que somos. Principalmente, a TV ao vivo. O problema é que ela não passa de um espelho, nos mostra nossos erros e baixarias. A TV ao vivo nos mostra o que somos de verdade. Sem edição ou controle.

Ou seja, a TV Justiça está fazendo uma grande injustiça com a televisão. Principalmente, com a TV ao vivo.

No mesmo artigo, o ex-ministro Velloso resume a situação das nossas TVs ditas públicas, mas, em verdade, TVs do Poder. Ele defende a edição como forma de controle de qualidade. Edição ou censura?

‘Acho que é muito chato, nunca consegui assistir a um programa inteiro da TV Justiça. Poderia ficar mais atrativo se eles editassem, com os principais debates do ponto de vista jurídico. Isso é o que interessa. Não interessa à população saber quem está xingando o outro’

Quem paga?

Para quem não sabe, a TV Justiça é um canal de televisão do Judiciário Brasileiro e administrado pelo Supremo Tribunal Federal. Começou suas transmissões em 2002. A programação da emissora é destinada a transmissões de julgamentos, telejornais, debates, filmes, programas didáticos e outros serviços essenciais à Justiça.

No Brasil, há 3.300 emissoras e retransmissoras publicas.

Trata-se de um número impressionante, considerando os baixos níveis de audiência e o desinteresse do público.

Mas, segundo os organizadores do 2º Fórum Nacional das TVs Públicas, elas agora estariam se preparando para dar o segundo passo em direção à sua definição de conceitos, papéis e responsabilidades.

No tal Fórum – TVs públicas adoram fóruns, seminários, congressos e similares – elas irão se encontrar com seus débitos e créditos e assinar promissórias com a sociedade.

Pasmem! Não serão poucos os débitos e créditos que todos nós seremos novamente convocados a pagar.

Plebiscito na TV

Mas, pelo jeito, nem tudo está perdido.

Em artigo recente, os ministros das Comunicações, Hélio Costa, da Secretaria Geral da Presidência, Luiz Dulci, e da Secretaria de Comunicação Social, Franklin Martins, afirmaram que o ‘governo não vai vetar temas na 1ª Conferência Nacional de Comunicação’, a ser realizada entre os dias 1º e 3 de dezembro deste ano.

Aproveito então para sugerir tema para um dos infindáveis debates desses congressos. Que tal propor uma consulta popular, uma espécie de plebiscito para saber se os brasileiros querem continuar bancando as emissoras publicas brasileiras.

Aproveitaríamos e mostraríamos em debate ao vivo para todo o Brasil, os verdadeiros custos, as formas de gestão, os números de empregados e os critérios de admissão de milhares de funcionários que trabalham nas emissoras públicas brasileiras.

Uma transmissão de TV ao vivo e a cores para decidir se o brasileiro está disposto a bancar, fiscalizar e assistir a essas emissoras.

E já que o governo promete não vetar temas na Conferência Nacional de Comunicação, sugiro o debate, a consulta popular e a leitura do artigo ‘Diretor da TV Brasil teme pelo projeto e diz que Cruvinel é má gestora’ de Renato Rovai para a Revista Fórum (ver aqui)

Foi só uma sugestão!

(*) É jornalista, professor de jornalismo da UERJ e professor visitante da Rutgers, The State University of New Jersey. Fez mestrado em Antropologia pela London School of Economics, doutorado em Ciência da Informação pela UFRJ e pós-doutorado em Novas Tecnologias na Rutgers University. Atualmente, faz nova pesquisa de pós-doutorado em Antropologia no PPGAS do Museu Nacional da UFRJ sobre a ‘Construção da Imagem do Brasil no Exterior pelas agências e correspondentes internacionais’. Trabalhou na Rede Globo no Rio de Janeiro e no escritório da TV Globo em Londres. Foi correspondente na América Latina para as agências internacionais de notícias para TV, UPITN e WTN. É responsável pela implantação da TV UERJ online, a primeira TV universitária brasileira com programação regular e ao vivo na Internet. Este projeto recebeu a Prêmio Luiz Beltrão da INTERCOM em 2002 e menção honrosa no Prêmio Top Com Awards de 2007.. Autor de diversos livros, a destacar ‘Telejornalismo, Internet e Guerrilha Tecnológica’, ‘O Poder das Imagens’ da Editora Livraria Ciência Moderna e o recém-lançado ‘Antimanual de Jornalismo e Comunicação’ pela Editora SENAC, São Paulo. É torcedor do Flamengo e ainda adora televisão.’

 

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