Sábado, 19 de Outubro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1059
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Condé Nast fecha Gourmet e outras três revistas

07/10/2009 na edição 558

Quatro revistas a menos nas bancas americanas e 180 empregos eliminados na redação da Condé Nast. A editora anunciou esta semana que deixará de publicar a Gourmet, de gastronomia; a Cookie, destinada a pais; e a Elegant Bride e Modern Bride, às noivas. Das perdas, acredita-se que a que mais deixará leitores saudosos é a Gourmet – a publicação representa para a gastronomia o que a Vogue representa para a moda.


Desde 1941, suas páginas traziam informações sobre culinária e viagens; sua história, no entanto, será encerrada com a edição de novembro. Sob a liderança da editora Ruth Reichl, a Gourmet costumava gastar rios de dinheiro com fotografias suntuosas, cozinhas para testar as receitas e viagens exóticas; era uma revista que tinha os ricos como personagens e leitores. Ruth, ex-crítica de gastronomia do New York Times, provavelmente deixará a editora.


Gourmet vs. Bon Appétit


Segundo Maurie Perly, porta-voz da Condé Nast, a empresa continuará a editar a revista de receitas Bon Appétit. As duas publicações têm focos editoriais divergentes: enquanto uma capa recente da Bon Appétit elencava os melhores cachorros-quentes dos EUA, um artigo da Gourmet mostrava como críticos gastronômicos gastam US$ 1.000 em suas cidades. ‘Trabalhar para a Gourmet era como voar na primeira classe. Ela arruinou as outras revistas de gastronomia. As sessões de fotografia eram organizadas como cenas de filmes hollywoodianos’, diz Jay Rayner [The Guardian, 5/10/09]. Segundo Rayner, metade de um andar do prédio da Condé Nast, na Times Square, em Nova York, era reservado para a cozinha na qual as receitas eram testadas.


O fim da Gourmet reflete uma mudança maior tanto dentro quanto fora da empresa: a influência e o poder de compra estão agora com a classe média. Os anúncios em revistas luxuosas caíram drasticamente, enquanto supermercados compram espaço publicitário em revistas mais acessíveis, como a Every Day With Rachel Ray, especializada em receitas produzidas em meia hora, e a Food Network Magazine. Segundo a Media Industry Newsletter, a Condé Nast perdeu oito mil páginas de anúncios nas edições de outubro de suas revistas, em comparação ao mesmo período do ano passado – a Gourmet foi a mais atingida, com perda de 43%. ‘Contratamos a empresa de consultoria McKinsey & Company para ajudar a avaliar cada negócio clinicamente, e não emocionalmente’, conta Charles H. Townsend, executivo-chefe da editora.


A Gourmet era menor que a Bon Appétit; a primeira tem tiragem de 980 mil e a última, de 1,35 milhão. Nos primeiros seis meses deste ano, de acordo com o Audit Bureau of Circulation, a Bon Appétit registrou vendas maiores nas bancas. As quatro revistas fechadas pela Condé Nast podem ter futuro em outros meios. ‘A Gourmet pode render bons livros, programas ou negócios na web’, aposta Townsend. Mas não foi revelado o que acontecerá com elas. Com informações de Stephanie Clifford [New York Times, 6/10/09].

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