Sábado, 25 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

MONITOR DA IMPRENSA > SUDÃO

Conflito fora da pauta mundial

30/11/2004 na edição 305

Dick Rogers, ombudsman do jornal The San Francisco Chronicle, afirmou em artigo publicado em 21/11 que pouco se fala na mídia sobre a situação do Sudão – em guerra civil há 21 anos. Como resultado do conflito, o país, assolado pela fome e pela miséria, contabiliza dois milhões de mortos e quatro milhões de pessoas expulsas.

Enquanto jornais dão grande visibilidade aos conflitos no Iraque, no Afeganistão e em Israel, o Sudão está fora da pauta. Contudo, nos últimos dois anos, os conflitos étnicos entre o governo e as forças rebeldes têm se intensificado na região de Darfur, levando um total de 1,5 milhão de pessoas a viverem em acampamentos de refugiados.

Pouco dessa ‘tragédia humana entrou nas páginas dos jornais, incluindo o Chronicle, e muito raramente foram dadas primeiras páginas para o assunto’, diz Rogers. O ouvidor ressalta que as palavras e imagens sobre o horror, o drama, a política e os poucos sinais de esperança têm sido insuficientes para informar os leitores. Esses não podem ser culpados por não saberem localizar o Sudão no mapa, dizer a origem dos problemas no local ou como o governo britânico está lidando com a crise.

De acordo com o arquivo do Chronicle, este ano o jornal publicou 65 matérias sobre o Sudão. Destas, 23 eram notas de três ou quatro parágrafos que não podem nem começar a contextualizar a situação. Apenas três matérias deram primeira página. Uma professora da cidade de Reno (em Nevada, EUA), Jean Irwin, disse não entender porque a Guerra no Sudão não recebe boa cobertura da imprensa. Segundo ela, os ’50 mil mortos em sete meses fazem as mil tropas de coalizão mortas no Iraque parecerem insignificantes’.

Índices impressionantes

Jean levantou alguns aspectos que devem ser levados em consideração para se tornar pública a situação precária do país. Primeiro, o número de mortes ultrapassou a taxa de civis mortos desde a Segunda Guerra. Em segundo lugar, a ONU considerou Darfur a pior crise humanitária do mundo. E, por último, o momento é propício, já que o Conselho de Segurança das Nações Unidas se reuniu há duas semanas para discutir a situação do país e trabalhar pela paz.

O editor do Philadelphia Inquirer, Robert J. Rosenthal, que foi correspondente do jornal na África há 20 anos, disse que os editores consideraram a hipótese de enviar um correspondente para o Sudão. Porém, outros eventos como as eleições presidenciais dos EUA e a guerra do Iraque demandaram muitos custos.

Em Ruanda, berço de outro genocídio africano, grande parte do mundo foi privada de informações sobre os acontecimentos. Neste momento, Rogers coloca que os jornais, incluindo o Chronicle, poderiam aprender com essa lição e não permitir que ela se repita.

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