Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
Menu

MONITOR DA IMPRENSA >

Conservador se despede do Times

01/02/2005 na edição 314

William Safire se despediu de sua coluna na página de Op-Ed do New York Times na segunda-feira, 24/1. Foram 30 anos de trabalho e mais de três mil textos de opinião publicados. Safire irá continuar a escrever sua coluna dominical na revista do Times, sobre língua inglesa, mas deixa a Op-Ed para se dedicar à presidência da Dana Foundation, organização de incentivo ao estudo neurocientífico, da qual participa há mais de dez anos.

Em sua última incursão à página reservada aos textos opinativos do jornal, o colunista conservador deixou duas contribuições. O primeiro texto ensinava as regras básicas para se ler uma coluna política. Safire deu aos leitores dicas de como nunca procurar a notícia no lide, pois o bom colunista a insere no meio do texto, e nunca encher a caixa de mensagens do colunista com e-mails furiosos cada vez que se incomodar com uma coluna, pois ele ficará feliz em ver que seu texto incomodou.

O segundo texto falava de sua ‘aposentadoria’. Para explicar a saída aos leitores, Safire recorreu ao tema que irá pontuar sua vida a partir de agora: o cérebro. O co-descobridor da estrutura do DNA, James Watson, diz ele, recomendou-lhe há alguns anos que nunca se aposentasse. ‘Seu cérebro precisa de exercícios, ou irá atrofiar’, explicou o cientista. Voltando 50 anos no tempo, porém, Safire recorda-se de uma entrevista com o publicitário e congressista Bruce Barton, que lhe falou sobre a necessidade do homem de sempre buscar algo novo. ‘Quando você tiver acabado de mudar, você estará acabado’.

Pensar no corpo, mas sem esquecer da mente

Combinando os dois conselhos, o colunista tira sua própria lição, que promete seguir. ‘Nunca se aposente, mas planeje mudanças em sua carreira para manter seus neurônios funcionando’, diz ele. Com o aumento da expectativa de vida – que, nos EUA, subiu de 47 para 77 anos no século passado – a sociedade começou a se preocupar seriamente em como manter o corpo saudável por tanto tempo. A obsessão pelo corpo levou ao esquecimento da cabeça.

Safire defende a idéia de que cuidar do corpo e deixar o cérebro de lado faz com que a vida longa se torne insuportável. ‘Nos tornamos um fardo para nós mesmos e para a sociedade’, explica. ‘Estender a vida do corpo faz mas sentido quando preservamos a vida da mente’. Com este pensamento, foi criada a Dana Alliance for Brain Initiatives. ‘Encorajando alguns dos mais prestigiados neurocientistas a sair de sua redoma e explicar de forma clara o potencial da ciência do cérebro, David Mahoney e Jim Watson [fundadores] conseguiram aumentar o apoio privado para a pesquisa do tema’, conta Safire.

Ele diz que nunca teve pretensões de se tornar um cientista, mas ajudou a Fundação com a publicação de revistas científicas e de um sítio de internet, que abriu um canal entre cientistas, jornalistas e pessoas interessadas em informações confiáveis. Ser um polemista do Times também o ajudou a ampliar, dentro do jornal, o debate sobre ciência. A Dana costuma promover fóruns para a discussão de assuntos ligados a neuroética, como clonagem, drogas e tratamentos para doenças mentais. Safire diz que seu apetite voltou-se completamente para esta ‘comida para o cérebro’.

Por isso, há dois anos, ele avisou ao publisher do Times que a eleição presidencial de 2004 seria sua última grande cobertura como colunista político, para que pudesse assumir em tempo integral a presidência da Fundação. ‘Medicina e ciência genética alongarão nossas vidas. Da mesma forma, a neurociência tornará possível a agilidade mental em nosso envelhecimento. Todos deveriam aproveitar os presentes físicos e mentais que ganharemos’, defende ele.

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem