Sábado, 20 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1046
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MONITOR DA IMPRENSA >

Debate divide equipe do Post

15/12/2005 na edição 359

A recém-contratada ombudsman do Washington Post, Deborah Howell, deu início a uma discussão acalorada entre a equipe da edição impressa do jornal e os jornalistas que produzem a versão online. A polêmica teve início no domingo (11/12), quando Deborah publicou em sua coluna semanal artigo com o título ‘The Two Washington Posts‘ (Os dois Washington Posts). Nela, a ombudsman relatou as diferenças entre a edição impressa do Post, com circulação diária de 671.322 cópias, e o sítio de internet, que recebe cerca de oito milhões de visitantes únicos mensalmente.


Grande parte dos comentários de Deborah foi direcionada ao colunista Dan Froomkin, que escreve a coluna ‘White House Briefing’ (Informe da Casa Branca, tradução livre) para o sítio, sobre o governo Bush. ‘Os repórteres políticos do Post não gostam da coluna ‘White House Briefing’, do colunista Dan Froomkin, por considerá-lo muito opinativo e liberal. Eles temem que alguns leitores pensem que Froomkin é um repórter da Casa Branca’, declarou. No fim do texto, a ombudsman sugeriu que ‘o sítio deveria modificar o nome da coluna de Froomkin’. Ela citava o editor de política nacional, John Harris, que reclamou que ‘o nome causa confusão e diminui nossa credibilidade como repórteres objetivos’.


Polêmica


Na segunda-feira (12/12), Froomkin respondeu às críticas de Deborah no blog do Post, informando aos leitores as características do sítio e como são tomadas as decisões editoriais. Poucas horas depois, sua resposta havia gerado mais de 100 comentários, a maioria deles em sua defesa. ‘Eu acredito que o presidente dos EUA, não importa seu partido, deva passar por um exame jornalístico minucioso. E ele deve saber facilmente resistir a este exame. Eu estava preparado para agir da mesma maneira com John Kerry, se ele tivesse se tornado presidente’, declarou o colunista, defendendo a objetividade de seus textos.


Em sua coluna, Froomkin costuma citar outras fontes de notícias e comenta a cobertura política dos principais meios de comunicação dos EUA. ‘Leitores regulares sabem que minha coluna é, antes de tudo, uma compilação de trabalhos de outros jornalistas e blogueiros. Os links tornam mais fácil para os leitores avaliarem minha credibilidade’, afirma.


Panos quentes


Na manhã desta quinta-feira (15/12), Harris tentou neutralizar o debate sobre o colunista em um chat no sítio do jornal. No começo da semana, o editor de política nacional confirmou suas críticas em uma entrevista à Editor & Publisher e no blog Press Think. Harris começou o chat afirmando que há toneladas de perguntas sobre o tema, mas que ele responderia apenas algumas, por já ter falado – e talvez até demais – sobre a polêmica.


O editor admitiu que o nome da coluna de Froomkin era um assunto que poderia causar confusão, mas que se tratava apenas de uma questão pequena e que ele não tinha a intenção de tentar calar uma das vozes mais populares da internet. ‘Por toda a proporção que o assunto tomou, tudo ficou muito enfadonho no final’, afirmou. O editor-executivo do sítio, Jim Brady, alega que a coluna está no ar por dois anos e nunca houve reclamação sobre ela.


Mais problemas


Deborah abordou outros problemas apontados pelos repórteres do impresso. Um deles é a prática de colocar no sítio, junto às matérias, links para blogs que as comentam – mesmo quando o comentário é negativo. Analistas de mídia argumentam que esta prática dá credibilidade excessiva aos blogs.


Já os jornalistas da seção Metro reclamam da falta de destaque que suas matérias recebem no sítio. Este ano, foi instalada uma tecnologia que muda os destaques da página principal de acordo com a localização do internauta, que fornece seu endereço quando se registra no sítio. Quem acessa de Washington vê as manchetes das editorias de política local e entretenimento; aos computadores de fora da região são mostradas notícias de interesse geral.


Enquanto o debate continua, o presidente do Post, Don Graham, admite a importância da internet para o jornalismo e seus impactos na mídia tradicional. ‘Nossos competidores online, o Google em particular, estão inovando com produtos inteligentes para tornar nossa vida mais complicada. Jovens leitores estão menos inclinados a nos ler do que eu podia imaginar’, confessou. ‘Eu passei a acreditar que seremos capazes de falar sobre determinados temas de uma forma melhor na internet do que na versão impressa’. Informações de Jay DeFoore [Editor & Publisher, 12/12/05].

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