Terça-feira, 11 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1016
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MONITOR DA IMPRENSA >

Deep Throat e outras fontes anônimas

15/02/2005 na edição 316

Trinta e três anos depois do escândalo que derrubou o presidente americano John Nixon, a identidade da principal fonte do repórter Bob Woodward continua em segredo. O jornalista diz que só revelará o verdadeiro nome de Deep Throat (Garganta Profunda) depois que ele morrer.

Um dos maiores mistérios de uma das mais importantes coberturas da história do jornalismo está com os dias contados, afirma o escritor e ex-conselheiro da Casa Branca John W. Dean, em artigo para o Los Angeles Times [6/2/05]. A revelação da identidade da fonte do então repórter do Washington Post, afirma Dean, será um banho de água fria no longo e atual debate sobre o uso de fontes anônimas nos EUA.

O escritor afirma que foi pego de surpresa no meio deste debate, alimentado, em parte, pelo juiz Thomas F. Hogan (colega de faculdade de Dean), que tem punido jornalistas por se recusarem a revelar suas fontes na investigação do vazamento da identidade da agente da CIA Valerie Plame. Como colunista, escritor freelancer e autor de seis livros de não-ficção, Dean diz que faz, ele próprio, uso das tais fontes anônimas.

Neste artigo para o LA Times, a informação de que em breve o mundo conhecerá a identidade da principal fonte do caso Watergate é fruto de uma delas. Dean ficou sabendo, em off, para usar o jargão jornalístico, que Woodward teria avisado a seu editor-executivo no Post, onde ainda trabalha, que Deep Throat está doente. De fato, o ex-editor-executivo do jornal Ben Bradley – uma das poucas pessoas a quem o repórter confidenciou a verdadeira identidade de sua fonte – afirmou publicamente que já escreveu o obituário de Throat.

Dean conta que tem pouquíssimas dúvidas de que a tão misteriosa fonte seja algum de seus ex-colegas de Casa Branca na época do governo Nixon. Ele não se atreve, porém, a apontar nomes – apesar de já ter feito isso em outra ocasião, há alguns anos. Diz apenas que, daqui a pouco tempo, descobriremos se Woodward tem protegido, há três décadas, um criminoso ou uma simples fonte que lhe forneceu boas informações – ‘e algumas erradas, que Woodward nunca corrigiu’, afirma.

O artigo de Dean foi publicado um dia após a inauguração da exposição, na Universidade do Texas, de documentos ligados ao caso Watergate. Woodward e Carl Bernstein, seu companheiro na cobertura de 1972, venderam suas anotações manuscritas e outros documentos da investigação à universidade.

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