Segunda-feira, 24 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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MONITOR DA IMPRENSA > TSUNAMI

Diário indonésio volta à ativa

11/01/2005 na edição 311

As ondas gigantes invadiram e destruíram a redação do único jornal da província indonésia de Aceh, em 26/12. Os equipamentos de sua gráfica foram parar, completamente destroçados, num estacionamento perto do prédio. Mas a perda maior do Serambi Indonesia foi em sua equipe. Dos 270 funcionários, 60% estão desaparecidos. Os editores têm esperança de que alguns estejam vivos, mas tenham sido arrastados para locais distantes e estejam sem poder entrar em contato, já que as linhas telefônicas ainda não funcionam em certas partes da província. Estima-se que, no fim das contas, o número de mortos na equipe do jornal chegue a 100.

Mesmo brutalmente atingido, o Serambi voltou a ser publicado seis dias após a tragédia. Fundado no fim da década de 1980, o jornal, que sobreviveu a ameaças do governo e dos rebeldes por sua cobertura incisiva, parece ter superado também a tsunami. Em versão mais fina, impressa na cidade de Lhokseumawe e distribuída gratuitamente, lia-se a manchete ‘Cólera ameaça nossos refugiados’. Ainda na primeira página, foram impressos um número de telefone e uma mensagem pedindo que os funcionários façam contato.

‘Nós precisamos que nossa equipe se comunique conosco e precisamos dar informações às pessoas’, justifica o chefe da sucursal de Lhokseumawe, Ismail Syah. Segundo Chris Brummitt [AP, 3/1/05], é importante que o Serambi, estabelecido numa das mais controladas e problemáticas regiões da Indonésia, se reerga e volte à antiga forma.

Ameaças de todos os lados

O jornal, que tem circulação diária de 40 mil exemplares, ganhou destaque depois da queda do ditador de longa data Suharto, em 1998. Suharto havia fechado publicações que criticavam seu governo e denunciavam a brutalidade de suas forças de segurança contra movimentos separatistas em Aceh e outras regiões. Com sua saída do poder, o Serambi ganhou liberdade para fazer coberturas mais completas e dar voz também aos rebeldes.

A brecha durou pouco e, no ano passado, o exército – mais importante instituição da província – passou a ameaçar o fechamento do jornal caso seus repórteres continuassem a publicar comentários de separatistas. Com relutância, os editores acataram a ordem. O Serambi passou então a ser ameaçado pelos rebeldes, que o acusam de tomar o lado do governo.

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