Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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MONITOR DA IMPRENSA > PETER THEO CURTIS

Dias após morte de James Foley, jornalista americano é solto na Síria

27/08/2014 na edição 813

Tradução e edição: Leticia Nunes. Informações de Dion Nissenbaum, Victoria McGrane e Nour Malas [“U.S. Journalist Peter Theo Curtis Released After Being Held in Syria”, The Wall Street Journal, 24/8/14], da Associated Press [“Journalist Peter Theo Curtis returns home after being freed”, The Guardian, 27/8/14] e de Alan Krawitz [“Journalism Under Attack”, 10,000 Words, MediaBistro, 22/8/14] 

O jornalista americano Peter Theo Curtis chegou aos EUA na terça-feira [26/8] após 22 meses refém do grupo extremista sírio Frente al-Nusra, ligado à al-Qaeda. Curtis, de 45 anos, foi libertado no domingo [24/8] após negociação mediada pelo Catar. Ele foi entregue a funcionários da ONU, que, após uma avaliação médica, o encaminharam a membros do Exército americano.

A família de Curtis disse não saber o que levou a sua soltura – que teria sido feita por “princípios humanitários” e sem pagamento de resgate. Uma leitura possível é que, ao libertar Curtis, a Frente al-Nusra poderia estar tentando dissociar sua imagem do grupo Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIS) após a divulgação do vídeo do assassinato do também jornalista americano James Foley. A Frente e o ISIS romperam relações no início do ano, e diversas facções rebeldes sírias consideradas moderadas que são contrárias ao ISIS apoiam a Frente.

A mãe de Curtis, Nancy Curtis, disse estar aliviada com a volta do filho, mas lembrou que a ocasião não era completamente festiva “por causa dos eventos da semana passada”, referindo-se à morte de Foley. Assim como Curtis, Foley também trabalhava como freelancer e foi sequestrado em 2012 na Síria. Em 19/8, o ISIS divulgou um vídeo na internet que mostrava a decapitação de Foley. O grupo alegou que o assassinato foi uma retaliação à ofensiva militar americana no norte do Iraque. “Meus sentimentos vão para as outras famílias que estão sofrendo”, afirmou Nancy.

Curtis já havia escrito sobre a Síria para a revista New Republic, mas não estava a serviço de alguma publicação quando foi sequestrado. Segundo uma prima, o jornalista – que em 2011 se converteu ao Islã – estava no país para escrever sobre a guerra civil. A família chegou a receber pedidos de resgate, mas nunca conseguiu verificar se vinham de fato dos sequestradores.

Por sete meses, Curtis dividiu o cativeiro com o fotojornalista americano Matthew Schrier, que conseguiu fugir em agosto de 2013. Em entrevistas, Schrier contou que foi espancado e que escapou por um buraco no porão onde os dois eram mantidos. Na ocasião, Curtis também tentou fugir, mas não conseguiu passar pelo buraco.

Profissão perigo

A morte de Foley e a soltura de Curtis trouxeram à tona o debate sobre a falta de segurança enfrentada por correspondentes em zonas de guerra. Jornalistas, que no passado eram respeitados como elementos neutros, viraram alvos. O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) mantém listas – atualizadas quase diariamente – com casos de profissionais de imprensa que foram mortos, sequestrados, espancados ou intimidados ao tentar simplesmente fazer seu trabalho. A Síria, em especial, tornou-se um país extremamente perigoso para os jornalistas. Pelo menos 69 profissionais teriam morrido na cobertura do conflito entre rebeldes e forças leais ao presidente Bashar al-Assad, estima o CPJ.

Samantha Power, embaixadora dos EUA nas Nações Unidas, enfatizou a importância do trabalho dos jornalistas que se arriscam para cobrir o conflito sírio. “Theo Curtis, Jim Foley e outros jornalistas viajaram à Síria para mostrar os horrores indescritíveis que são cometidos contra inocentes – para apenas se tornarem vítimas de forças brutais desencadeadas e estimuladas pelo conflito”, afirmou, prometendo que o governo dos EUA fará todo o possível para libertar com segurança outros americanos mantidos reféns por grupos sírios. 

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