Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

MONITOR DA IMPRENSA > CHINA

Discurso sobre liberdade na rede irrita governo

26/01/2010 na edição 574

O jornal chinês Diário do Povo, porta-voz do Partido Comunista, acusou os EUA de montar um ‘ciberexército’ e uma ‘brigada de hackers‘, além de explorar sites como o Twitter e o YouTube para fomentar os distúrbios políticos no Irã. O Partido parece ter ficado extremamente irritado com o discurso da secretária de Estado americana Hillary Clinton contra a censura na internet, na semana passada.

O discurso de Hillary foi realizado no Newseum, museu em Washington dedicado ao jornalismo, e teve como gancho recentes ciberataques envolvendo o Google. A companhia americana ameaçou abandonar seus negócios na China e disse que não pretende mais colaborar com o governo comunista em seus esforços para controlar a internet no país.

Empresas de internet estrangeiras que desejam abocanhar um pedaço do lucrativo mercado online chinês – que tem mais de 300 milhões de internautas – devem se submeter a regras governamentais. Temas considerados sensíveis pelas autoridades, como o massacre da Praça da Paz Celestial, não aparecem nos resultados de pesquisas online. Fóruns, blogs e sites na rede são altamente vigiados e, caso comecem a abrigar críticas aos líderes do país, são imediatamente bloqueados.

Livre fluxo

A postura do governo diante da internet costuma ser duramente criticada por líderes de países democráticos. O imbróglio com o Google e a crítica pública de Hillary, no entanto, incomodaram bastante as autoridades chinesas que, rapidamente, alertaram Washington de que sua mensagem contra a censura na internet poderia prejudicar os laços entre os dois países. ‘Por trás do que a América chama de liberdade de expressão existe uma trama política. Como surgiram os distúrbios após as eleições iranianas?’, alfinetou o Diário do Povo, em editorial, no dia seguinte ao discurso da secretária de Estado. ‘Surgiram por causa da guerra online lançada pela América, via vídeos do YouTube e do microblog Twitter, espalhando rumores, criando rachas, impulsionando a revolta e a discórdia entre seguidores de facções reformistas’.

‘Temos medo de que, aos olhos dos políticos americanos, apenas informações controladas pela América sejam consideradas informações livres, apenas notícias reconhecidas pela América sejam notícias livres, apenas discursos aprovados pela América sejam discursos livres, e apenas o fluxo de informações que se adeque aos interesses americanos seja livre’, completou o jornal. O editorial ainda defendia o controle sobre a rede, afirmando que os EUA não permitiriam o livre fluxo de informações obscenas ou sobre terrorismo. A China bloqueou o YouTube em março do ano passado, no aniversário dos distúrbios no Tibet, e o Twitter em junho, pouco antes do 20º aniversário da violenta repressão aos protestos por reformas na Praça da Paz Celestial. O Facebook foi cortado em julho. Com informações de Lucy Hornby [Reuters, 24/1/10].

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