Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

MONITOR DA IMPRENSA > JOGO CRUEL

Documentário mostra o poder da TV sobre as pessoas

17/03/2010 na edição 581

Um documentário francês marcado para ir ao ar nesta quarta-feira (17/3) na TV estatal mostra os assustadores resultados de um experimento para avaliar o poder da televisão, e já provocou polêmica na França mesmo antes de sua exibição. O documentário reproduziu um teste psicológico dos anos 60 – de autoria do professor Stanley Milgram, da Universidade de Yale – em que voluntários davam um choque elétrico em um estudante por acreditar que isso melhoraria sua memória.


Desta vez, a estratégia foi usada para mostrar como um apresentador de um game show teria autoridade para persuadir os participantes a infligir dor em uma pessoa. Todos os voluntários acreditavam estar participando de um piloto para um programa de TV. Mais de 80% destas 69 pessoas foram convencidas pelo apresentador a aplicar choques cada vez fortes em um homem, mesmo com gritos intensos de dor. No palco, a vítima – interpretada por um ator – era questionada e, a qualquer resposta errada, recebia os choques elétricos, até finalmente parecer que havia perdido os sentidos.


Incentivados pelo apresentador, 70% dos participantes riram ao menos uma vez durante a ‘tortura’. Apenas 19% decidiram interromper os choques antes de se alcançar a carga máxima de 420 volts. ‘O fato de ser um jogo faz com que as fronteiras entre realidade e ficção fiquem turvas, então mesmo se o seu parceiro gritar e lhe implorar para parar, você ainda pensa que está em um jogo’, afirma o produtor Christophe Nick. ‘Quando uma pessoa está sozinha, cara a cara com alguém que está fazendo mau uso de seu poder, então ela se torna completamente maleável e obediente’.


Influência do sistema


O estudo de Milgram, na década de 60, teve início poucos meses antes do julgamento israelense contra o nazista Adolph Eichmann por seu papel em organizar o transporte e assassinato de seis milhões de judeus no Holocausto, e tinha como objetivo explicar a obediência a uma figura autoritária que instruía as pessoas a tomar atitudes contrárias a seus princípios morais.


Nick afirma que adaptar o experimento para a TV serviu ao propósito de levantar questões sobre o papel que este veículo de comunicação assumiu na sociedade moderna e o grau de influência que pode ter sobre o comportamento humano. ‘No estudo comportamental da obediência, de Milgram, 62% dos participantes obedeceram a comandos desprezíveis, enquanto na TV este número subiu para 81%. Por isso, a questão não é apenas sobre a submissão a uma autoridade, mas sobre o poder de um sistema global, que é a TV’, disse o produtor. Informações de Thierry Chiarello [Reuters, 16/3/10].

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