Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

MONITOR DA IMPRENSA > ELE NÃO LÊ JORNAL

Economista destrói mitos da indústria jornalística

Por Leticia Nunes (edição), com Larriza Thurler em 27/03/2007 na edição 426

Ele pode mudar a compreensão sobre a indústria jornalística nos EUA, mas não costuma ler os jornais da região onde vive. ‘Quando eu morava em Boston, nunca lia o [Boston] Globe. Vergonhosamente, eu tenho pouquíssimo conhecimento do que acontece localmente’, confessa o jovem economista Matthew Gentzkow, da Universidade de Chicago – onde não lê nem o Chicago Tribune nem o Chicago Sun-Times. Ainda assim, Gentzkow vem mostrando, em estudos recentes, que conhece os jornais melhor do que eles próprios.


Aos 31 anos, ele atraiu atenção nacional nos últimos meses por pesquisas que revelam, entre outras coisas, que a parcialidade política dos jornais é guiada por motivos econômicos, e não ideológicos, e que os sítios de internet roubam, sim, leitores das publicações impressas, mas não tanto quanto a indústria alardeia.


Segundo o professor Austan Goolsbee, que recrutou o economista para a Universidade de Chicago, Gentzkow é um dos mais promissores e interessantes jovens economistas da atualidade. Goolsbee afirma que Gentzkow é formado por uma combinação de aprendizado acadêmico rigoroso com um apetite (raro para economistas) em cutucar a mídia. ‘A indústria de mídia é tão importante, mas ainda assim não tínhamos alguém que a tornasse seu foco principal [de estudos]’, explica o professor.


Riqueza de material


Gentzkow percebeu que os jornais seriam um bom modelo de pesquisa pela quantidade de dados disponíveis sobre eles. ‘Há uma riqueza de informações porque os anunciantes realmente se importam com quem lê o que, quem assiste o que’, explica. O economista também gosta dos impressos porque o estudo deles permite a abordagem de temas mais amplos. Foi o caso da polêmica pesquisa intitulada ‘Quem guia a inclinação da mídia?’, em parceria com o economista Jesse Shapiro. Os dois começaram a observar as palavras usadas nos registros de 2005 do Congresso, classificando por partido os termos mais usados pelos políticos nos discursos para tratar de temas específicos.


A partir daí eles analisaram estes mesmos termos em textos jornalísticos publicados em mais de 400 diários. Foi usada uma escala para ‘medir’ a incidência de termos considerados republicanos ou democratas nos jornais. O resultado da pesquisa revela que donos conservadores não necessariamente publicam jornais conservadores, do mesmo modo que redações liberais não necessariamente produzem jornais liberais. De fato, a inclinação política das publicações se encaixa com as preferências do público. Resumindo: os jornais apenas dão aos leitores o que eles querem ler. Informações de Mark Fitzgerald [Editor & Publisher, 25/3/07].

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