Terça-feira, 17 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

MONITOR DA IMPRENSA > O FUTURO DO JORNAL

Editoras adotam mensagem positiva de colaboração

10/04/2012 na edição 689
Tradução de Larriza Thurler (edição: Leticia Nunes)

Jornais americanos tentam lutar contra a narrativa de declínio de anúncios impressos, queda de circulação e encolhimento nas redações, substituindo-a por uma mensagem de maior colaboração na indústria jornalística, crescimento da confiança em novos modelos de negócios digitais e até mesmo investimento ocasional em novos produtos impressos.

Recentemente, em uma conferência que reuniu a Associação de Jornais dos EUA, a agência de notícias Associated Press e a Sociedade Americana de Editores de Jornais, editoras afirmaram que iniciativas colaborativas, incluindo a NewsRight, empresa criada para rastrear o uso não autorizado de conteúdo online, e a Find n Save, site de negócios locais, estavam gerando novas receitas. “O tempo da escuridão da indústria ficou para trás, substituído pelo da inovação, experimentação e criatividade”, disse Caroline Little, executiva-chefe da Associação de Jornais dos EUA. Dean Singleton, presidente da Associated Press, pediu à indústria que se “una para lutar contra inimigos em comum e aqueles que navegam livremente no nosso conteúdo”.

Em busca de receita

Muito do debate, entretanto, concentrou-se na mudança nas expectativas da receita digital. “Foram três anos difíceis, mas acredito que as pessoas veem agora um novo horizonte que oferece reais oportunidades”, disse Bob Dickey, chefe da divisão de jornais locais da Gannett. Os testes feitos pela Gannett com assinaturas digitais ficarão acima das expectativas, e a editora pretende, até setembro, aplicar o modelo de assinatura para todos os seus 80 títulos. “Acreditamos sinceramente que isto estabilizará nossos negócios quando chegarmos a 2013”, afirmou. Uma pesquisa encomendada pela Gannett mostrou que consumidores estão dispostos a pagar por conteúdo online. “Em vez de eles pensarem que estão pagando pela entrega do produto, queremos que entendam que estão pagando pelo conteúdo em si”, explicou.

Editoras que começaram a cobrar pelo acesso online não sofreram queda de tráfego, como temeram, disse Mary Junck, presidente e executivo-chefe da Lee Enterprises. A adoção de tablets e smartphones gerou um aumento de 70% no número de visitantes únicos móveis. “Os tablets têm um ambiente no qual consumidores estão acostumadas a comprar aplicativos”, observou Doug Franklin, do Cox Media Group. Segundo Jim Maroney, presidente e executivo-chefe do Dallas Morning News, usuários de tablets gastam 28 minutos em média lendo suas edições, o mesmo tempo gasto com o jornal impresso. O Dallas Morning News aumentou o preço da assinatura impressa em outubro, mas ofereceu 5% de desconto aos leitores que não optassem pelo acesso digital. Cerca de 70% pagaram pelo acesso digital. “Isto foi um outro bom sinal de que temos uma audiência engajada que também quer estar engajada com nossos produtos de maneira digital”.

O encontro foi realizado após um relatório da Generator Research ter concluído que jornais na América do Norte ainda enfrentam um declínio em suas receitas digital e impressa, de US$ 36,4 bilhões em 2011 (cerca de R$ 66 bilhões) para US$ 32 bilhões (em torno de R$ 58 bilhões) em 2012, ocasionado por uma queda de 23% nos anúncios impressos e 15% nas assinaturas impressas. Entretanto, ainda assim editoras expressaram confiança no impresso. Informações de Andrew Edgecliffe-Johnson [Financial Times, 6/4/12].

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