Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

MONITOR DA IMPRENSA > IRÃ

Governo continua a reprimir trabalho jornalístico

24/04/2012 na edição 691
Tradução de Larriza Thurler (edição: Leticia Nunes)

Nada mudou no Irã. Mantendo uma antiga campanha contra a imprensa, autoridades do país puniram, no início do mês, mais dois jornalistas que escreviam para publicações reformistas. Reyhaneh Tabatabaie, do jornal reformista Shargh, foi condenada pela Corte Revolucionária do Irã a um ano de prisão sob acusação de fazer “propaganda contra o estado e enfraquecer os pilares da República Islâmica”. O veredicto listava entre suas ofensas uma reportagem sobre prisioneiros políticos escrita depois das eleições presidenciais de 2009. Reyhaneh havia sido presa em dezembro de 2010 e solta, um mês depois, sob fiança. Ela ainda não foi intimada a cumprir sua sentença.

Poucos dias depois, Mehran Faraji, jornalista que trabalha para diversas publicações reformistas, foi intimado a servir seis meses de prisão. Ele foi preso em dezembro de 2010 e solto, dois meses depois, após pagamento de fiança. Em julho de 2011, Faraji foi condenado a um ano de prisão por “fazer propaganda contra o regime”, mas, em novembro de 2011, uma corte de apelação reduziu sua sentença a seis meses.

Quando o Comitê para a Proteção dos Jornalistas divulgou seu censo anual sobre jornalistas presos em dezembro de 2011, o Irã apareceu como o país com o mais número de jornalistas na prisão: 42. A organização enviou mensagem às autoridades iranianas pedindo que soltem os jornalistas. “É ruim o suficiente que o Irã prenda qualquer jornalista que se atreva a escrever uma opinião crítica”, afirmou o vice-diretor do CPJ, Robert Mahoney. “Mas é ainda pior que os que estão na prisão tenham negados direitos como visitas de familiares e cuidado médico adequado. Pedimos a autoridades que concedam direito à visita de membros da família e que soltem todos os que estão doentes”.

Alguns casos mencionados pelo CPJ:

** Farshad Ghorbanpour, preso desde dezembro de 2011, teve negadas as visitas da família. Ghorbanpour, que escreve para veículos reformistas, foi preso pela primeira vez em 2007, e libertado sob fiança. Logo depois, o jornalista foi condenado a um ano de prisão e a uma multa de cerca de R$ 9,4 mil por agir “contra a segurança nacional” ao “fazer propaganda contra o regime” e “ganhar receita ilícita” por meio da cooperação com o site de notícias reformista Oroz Online. Autoridades não revelaram se sua atual detenção está relacionada com a sentença.

** Mohammad Davari, condenado em 2010 a cinco anos de prisão sob acusações antigoverno, sofre de problemas no coração, entre outras doenças, e teve negada a licença pelo terceiro ano consecutivo. Autoridades impuseram fiança de R$ 754 mil, uma quantia que sua família não poderá arrecadar.

** Ehsan Houshmand, preso em janeiro acusado de fazer propaganda contra o regime, sofreu de severa dor de ouvido depois de ser agredido durante um interrogatório. Autoridades avisaram a Houshmand que sua mulher, Nahid, seria presa se ele divulgasse qualquer informação sobre o caso ou sua condição.

** Familiares de Saeed Madami, editor de uma revista mensal reformista que foi proibida, disse ter ficado na solitária desde sua prisão, no começo de janeiro. Sua mulher afirma que não foi informada sobre suas condições na prisão ou a que acusação responde.

** Kouhyar Goudarzi, que escreve para o Comitê de Repórteres de Direitos Humanos (CHRR), foi liberado sob fiança no dia 12/4 depois de oito meses de prisão. Goudarzi havia sido condenado a cinco anos de prisão, acusado de “fazer propaganda contra o regime” e de “assembleia e conspiração contra o regime”. Preso no ano passado, ficou em confinamento na solitária na penitenciária de Evin por mais de 60 dias. Anteriormente, havia sido preso em dezembro de 2009 e serviu um ano de prisão sob acusação semelhante. Sua mãe, Parvin Mokhtare, que foi presa em agosto por falar com a imprensa internacional durante a prisão do filho, foi solta em março.

Informações do CPJ [17/4/12].

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