Segunda-feira, 23 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

MONITOR DA IMPRENSA > NORUEGA

Maior massacre do país perde destaque nas capas dos jornais

24/04/2012 na edição 691
Tradução de Larriza Thurler (edição: Leticia Nunes)

Cinco dias depois do início do maior caso do sistema judicial na história da Noruega, já se apresentavam sinais de fadiga da imprensa local sobre o julgamento do ultradireitista Anders Behring Breivik, responsável pelo massacre que deixou 77 mortos em julho do ano passado. No fim da semana passada, muitos dos maiores diários locais já estampavam temas diferentes em suas capas.

Embora muitos estejam cansados da cobertura homogênea, as feridas do dia 22/7 continuam abertas entre os noruegueses. “Se acompanhasse [a cobertura] minuto a minuto, ficaria tão cheia de raiva e desgosto que poderia ir lá e jogar pedras nele, o que não quero fazer”, afirmou a aromaterapeuta Halina Burger, em frente ao tribunal onde ocorre o julgamento de Breivik. Ao deixar uma rosa – símbolo do Partido Trabalhista – do lado de fora da corte, ela ressaltou que o massacre foi um choque do qual o país não se recuperou. “Foi um ataque a todos nós. Um ataque à nossa dignidade, à liberdade e a tudo que é bonito neste país”.

Extremista de ultradireita, Breivik provocou um ataque a bomba na capital, Oslo, matando oito pessoas. Em seguida, foi até uma ilha onde acontecia um acampamento de verão com jovens do Partido Trabalhista, onde fez mais 69 vítimas, desta vez a tiros. No início do julgamento, na semana passada, Breivik assumiu os crimes, mas alegou ter agido em legítima defesa. A previsão é de que o julgamento dure 10 semanas.

O grande problema

Outra pessoa que acompanhava a movimentação em frente ao tribunal, que não quis se identificar, afirmou que a mídia está obcecada demais com detalhes, e pouco preocupada com o problema maior. “Não tenho certeza se o certo a se fazer é expor as ideias errôneas do terrorista, ou simplesmente ignorá-lo”.

Por outro lado, para a professora Silje Gloppen, ainda que os pontos de vista de Breivik sejam “repugnantes”, foram aprendidas lições com ele. “Noruegueses e, creio eu, o resto do mundo, têm de considerar a possibilidade de que este homem esteja falando a verdade quando diz acreditar que nossa ‘cultura e etnicidade norueguesa’ está ameaçada pelo multiculturalismo”, disse, lembrando que as ideias de Breivik são compartilhadas “por muitos”, e citando comentários de leitores em sites de notícias noruegueses e uma verdadeira batalha entre moderadores da Wikipedia e extremistas que tentam, como dizem, “expor a verdade” na internet. “Temo que a esquerda política tenha há muito tempo falhado em compreender que há desafios com a nova sociedade que precisam ser debatidos”. Informações de Helen Pidd [The Guardian, 20/4/12].

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