Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

MONITOR DA IMPRENSA > TV NOS EUA

Parcerias pasteurizam notícias, mas garantem sobrevivência

12/06/2012 na edição 698
Tradução: Larriza Thurler (edição de Leticia Nunes)

As afiliadas das redes de TV americanas CBS e NBC disputam telespectadores no Texas ao mesmo tempo em que cooperam na apuração das notícias, comenta o repórter de TV e web Brian Stelter em artigo no New York Times [28/5/12]. Elas são de proprietários diferentes, mas compartilham espaço de trabalho, vídeos e até textos escritos para os âncoras dos noticiários noturnos. Por isso, os telespectadores acabam assistindo, nos dois canais, às mesmas matérias sobre acidentes de carro e entrevistas com políticos locais.

O mesmo acontece com outras redes, em dezenas de cidades dos EUA – alguns canais chegam a compartilhar os mesmos âncoras. Críticos alegam que há cada vez menos jornalistas cobrindo notícias locais. Na opinião de Perry Sook, presidente e executivo-chefe da Nextar, proprietária da KLST, afiliada da CBS em San Angelo, no Texas, as parcerias são uma estratégia de sobrevivência para as emissoras menores.

Os acordos de parceria, no entanto, estão atraindo a atenção de reguladores federais. A Comissão Federal de Comunicações (FCC) não sabe, ao certo, quantos existem, o que impossibilita julgar seus efeitos. Mas segundo Julius Genachowski, presidente da FCC, a comissão começou agora a avaliar melhor este cenário.

Importância da TV local

Mesmo com o aumento do acesso à internet, a TV local ainda é a principal fonte de notícias para a maior parte dos americanos. Os proprietários das emissoras, entretanto, vêm reduzindo gradualmente os custos e a competição. O primeiro acordo para venda de anúncios aconteceu há uma década e eles se tornaram cada vez mais comuns, em especial durante a recessão. Os acordos possibilitaram que muitas emissoras adiassem planos de demissão.

Um estudo da Universidade de Delaware, feito no ano passado, contabilizou a existência de pelo menos 83 acordos nos 210 mercados de TV do país. Tais parcerias são mais comuns em mercados menores – embora também aconteçam em cidades maiores, como Denver. Na opinião de DuJuan McCoy, proprietário da KIDY, elas são extremamente necessárias nos mercados pequenos. Custa US$ 1 milhão (pouco mais de R$ 2 milhões) manter uma emissora em um mercado do tamanho de San Angelo, no Texas. Além disso, os anunciantes têm agora mais opções de plataforma, como seus sites ou perfis nas redes sociais, o que reduz o orçamento para TV. “É muito difícil, quase impossível, gerar receita para justificar as despesas para se produzir notícias locais”, resume McCoy.

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