Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

MONITOR DA IMPRENSA > MODELO ALTERNATIVO

Site da Forbes investe em jornalismo colaborativo

12/06/2012 na edição 698
Tradução: Larriza Thurler (edição de Leticia Nunes)

Há dois anos, o site da revista Forbes era como o da maioria das outras publicações. Hoje, transformou-se: é mais um sistema operacional do que um site – com tecnologia usada por centenas de colaboradores para publicar conteúdo de maneira independente. Cada colaborador age sozinho, por meio de blogs, sendo responsável pela redação e edição das matérias, além da construção de uma audiência leal. A Forbes oferece tecnologia e remunera apenas alguns dos autores. Nas palavras de Lewis DVorkin, diretor de produtos da Forbes.com, trata-se de um “jornalismo empresarial baseado em incentivos”.

A audiência do site dobrou no último ano para 30 milhões de usuários únicos por mês, em parte graças a quase 100 mil posts criados por quase mil autores. O novo modelo da Forbes está fundamentado em alguns princípios da web, como uma forma editada de blogar, a união de pequenas peças sob uma marca poderosa, e o poder das plataformas tecnológicas. Fórmula semelhante ajudou o Huffington Post a crescer e se tornar um dos sites de maior audiência nos EUA. Uma das diferenças é que a Forbes remunera alguns dos seus colaboradores e é mais seletiva.

Dentre os autores estão jornalistas profissionais, empreendedores, escritores, acadêmicos e outros especialistas. “Todos os textos são aprovados pela nossa equipe”, explica Dvorkin, que foi o arquiteto do modelo de conteúdo de colaboradores da Forbes. “Olhamos a experiência e as credenciais dos colaboradores. E recusamos muitos deles”.

Ganha-ganha

Alguns colaboradores recebem recompensas, como uma remuneração mensal com base na audiência que trazem para o site e pagamentos extras quando o visitante retorna. Para muitos, escrever sob a marca Forbes é sinônimo de status e atenção que rendem aumento na venda de livros ou convites para palestras. Para a Forbes, as vantagens são o conteúdo a baixo custo e a flexibilidade (cada colaborador pode ter o contrato rescindido com um mês de aviso prévio).

Por outro lado, há desvantagens, como a falta de edição. Os colaboradores são cuidadosamente selecionados, mas não há a edição tradicional antes da publicação de seus textos. Um produtor vai analisar a matéria com mais atenção se ela ganhar destaque na home. Alguns colaboradores já cometeram erros e tiveram que se desculpar. DVorkin garante que o modelo funciona e é melhor do que o tradicional, das redações. “É a sua marca, sua página e é preciso acertar. Se não, você não vai ganhar público”, explica. “A audiência monitora e edita mais do que os editores”.

Uma outra fraqueza é o potencial para conflitos de interesse, especialmente entre colaboradores não remunerados, que escrevem para promover seus livros ou empreendimentos. A Forbes tenta evitar este risco com uma regra de transparência: antes de enviarem seus textos, os colaboradores têm de revelar qualquer possível conflito de interesse. Informações de Jeff Sonderman [Poynter, 29/5/12].

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