Domingo, 19 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

MONITOR DA IMPRENSA > REINO UNIDO

Após período de trégua, tabloides voltam a receber queixas

10/07/2012 na edição 702
Tradução: Larriza Thurler (edição de Leticia Nunes)

O número de queixas sobre o assédio de jornalistas e invasão de privacidade no Reino Unido está voltando aos níveis anteriores ao escândalo dos grampos no tabloide News of the World, ocorrido há um ano. O caso que levou ao fechamento do jornal envolvia a adolescente Milly Dowler, sequestrada e assassinada em 2002. Descobriu-se que, enquanto estava desaparecida, Milly teve seu celular grampeado pelo tabloide da News International. O caso provocou indignação pública e levou a uma crise de credibilidade na famosa imprensa sensacionalista britânica.

As queixas consideradas sérias o suficiente para serem levadas à Comissão de Reclamações sobre a Imprensa (PCC, sigla em inglês) caíram drasticamente no segundo semestre do ano passado, depois que um inquérito – batizado de Inquérito Leveson – foi criado em julho, a pedido do premiê David Cameron, para avaliar os padrões éticos da mídia. Os tabloides, ao que parece, acalmaram-se nos meses seguintes. O secretário de Educação, Michael Grove, chegou a alertar que a situação havia criado uma atmosfera de autocensura para a liberdade de expressão.

Segundo dados da PCC, foram publicadas 110 notificações consultivas em 2010. No ano seguinte, foram enviadas 119 notificações nos primeiros seis meses e apenas 27 no segundo semestre, depois do escândalo. Mas a tal “atmosfera de autocensura” parece ter durado pouco: já na primeira metade de 2012, foram emitidas 66 queixas – voltando à média de 2010, o que sugere que os tabloides voltaram a ganhar confiança. Segundo o especialista em mídia Jonathan Coad, os tabloides inicialmente tiveram o comportamento melhorado com o Inquérito Leveson. “No entanto, o efeito inicial passou”, comentou.

Invasão de privacidade

Entre as pessoas que abriram queixas no ano passado estão celebridades e cidadãos comuns, como os pais de Sebastian Bowles, garoto de 11 anos morto em um acidente de ônibus quando voltava de uma viagem de esqui na Suíça. Edward e Ann Bowles alegam que fotos suas e da filha de nove anos foram tiradas sem sua permissão quando eles aguardavam em frente a um hotel, junto com outras famílias que perderam parentes no acidente, por um ônibus. E mesmo com outros ônibus tentando protegê-los da imprensa, muitos fotógrafos os perseguiram. Além disso, repórteres ficaram do lado de fora de suas casas em Londres e na Bélgica, chegando a perseguir seus vizinhos. Fotos da página de Bowles no Facebook também foram usadas sem permissão, mesmo ele tendo optado pelos níveis de privacidade mais rígidos da rede social.

As notificações são enviadas de maneira confidencial pela PCC aos veículos de comunicação do país. Elas não são divulgadas, mas em alguns casos são tornadas públicas: em 2007, por exemplo, o órgão fez um apelo para que fotógrafos não mais acampassem em frente à casa de Kate Middleton, então namorada do príncipe William.

A PCC deve ser extinta após o Inquérito Leveson, substituída por um novo órgão “independente”, criado por meio de negociações complexas entre os membros do inquérito, a indústria jornalística e políticos. Informações de Juliette Jowit [The Guardian, 1/7/12].

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