Terça-feira, 26 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

MONITOR DA IMPRENSA > CAÇA MENTIRAS

Projeto do Post checará dados em discursos de candidatos

21/08/2012 na edição 708
Tradução: Larriza Thurler (edição de Leticia Nunes)

O editor de política nacional do Washington Post, Steven Ginsberg, teve uma ideia brilhante ao ouvir um discurso repleto de mentiras de um político em Iowa, há alguns meses. “Foi um destes eventos em um estacionamento do lado de fora de um bar e o candidato estava falando para cerca de 30 pessoas. Durante 45 minutos, ele disse muitas informações que eu sabia que não eram verdadeiras – e que todos sabiam também”, contou.

Na ocasião, Ginsberg pensou que poderia haver um modo de oferecer às pessoas presentes a um comício uma checagem dos fatos em tempo real. O editor compartilhou a inquietação com Cory Haik, produtora-executiva para notícias digitais do Post. O resultado da conversa foi um projeto chamado TruthTeller (Contador de Verdades, na tradução livre), enviado ao Knight News Challenge, concurso da Fundação Knight que premia os projetos mais inovadores na área de jornalismo.

A ideia acabou não sendo selecionada entre os finalistas do concurso. Mas ganhou fôlego este mês quando a Fundação Knight anunciou que ele estava entre cinco projetos de inovação para receber financiamento como parte de um novo fundo chamado Protoype.

Tecnologia para combater mentiras

Michael Maness, vice-presidente de jornalismo e inovação de mídia da Fundação, disse que o interesse da Knight em verificação de informações é resultado do fato das redações estarem mais enxutas e, por conta disso, haver menos jornalistas com tempo disponível para verificar declarações de políticos e personalidades públicas. Por sua vez, as mídias sociais ampliam o alcance de fatos duvidosos jogados no ar pelos políticos. É muito fácil produzir conteúdo, mas é difícil separar as mentiras das verdades.

Nos EUA, em ano de eleição presidencial, há uma quantidade imensa de recursos gastos em propaganda política – nacional, estadual e localmente. Estes anúncios geralmente incluem informações incorretas. Não é possível investir o mesmo valor dos anúncios com checagem dos fatos, mas a tecnologia pode ser uma aliada.

Ajustes no projeto

Originalmente, o Post havia solicitado R$ 1,4 milhão para o projeto – e recebeu R$ 100 mil do Prototype Fund. Assim, os objetivos iniciais do TruthTeller foram ajustados de acordo com o novo orçamento. A princípio, Ginsberg e Cory tinham previsto um aplicativo para telefones que captaria áudio de um discurso ou de uma propaganda na TV para determinar se era falso ou verdadeiro. O sistema usaria tecnologia para comparar o discurso com um banco de dados, declarações antigas e outras informações que tiveram sua veracidade verificada. Se o politico estiver dizendo uma mentira que já tiver sido checada pelo blogFact Checker, do Post, o aplicativo alertaria o usuário.

Com um valor bem abaixo do solicitado, Cory afirmou que agora o objetivo inicial é construir um banco de dados com informações já verificadas e torná-lo disponível a jornalistas do Post. Isto faria com que o processo de verificar os fatos fosse mais veloz. Os recursos seriam destinados à criação de um código para o protótipo.

Se tudo correr bem, o banco de dados será usado nos debates presidenciais. “O objetivo é chegar mais perto ao tempo real que havíamos previsto. São robôs nos ajudando a fazer um jornalismo melhor – mas ainda com jornalistas”, afirmou. Há planos de parceria com Dan Schultz, do MIT, que trabalha em um projeto sobre o tema, chamado Truth Goggles. Informações de Craig Silverman [Poynter, 8/8/12].

***

Leia também

Truth Goggles assusta políticos e jornalistas ao checar notícias em tempo real

Patrulhamento de políticos: o que a imprensa pode fazer pelo leitor

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem