Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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MONITOR DA IMPRENSA >

Ex-executivos do império Murdoch comparecem ao tribunal

02/10/2012 na edição 714

Dois dos ex-principais executivos de jornais de propriedade de Rupert Murdoch, ambos próximos ao primeiro-ministro David Cameron até tempos atrás, compareceram ao tribunal de Old Bailey, no centro de Londres, na semana passada, para responder a acusações relacionadas ao escândalo dos grampos telefônicos que abalou a imprensa britânica. Rebekah Brooks, que foi a principal executiva do conglomerado de mídia britânico de Murdoch, e Andy Coulson, ex-editor do tabloide News of the World, posteriormente diretor de comunicação do primeiro-ministro David Cameron, devem voltar para uma próxima audiência no dia 12 de dezembro. A data do julgamento foi marcada para 9 de setembro de 2013.

Cinco outros jornalistas e um detetive particular também são acusados por vários delitos. Em um caso, esses trâmites envolvem Rebekah, Coulson, o detetive particular Glenn Mulcaire, quatro ex-editores do News of the World e um ex-chefe de reportagem do tabloide, todos acusados de interceptar comunicações por meio de grampos telefônicos. No segundo caso, Rebekah é acusada de conspirar para obstrução de justiça em relação ao inquérito policial sobre os grampos. Além dela, são acusados seu marido, um assessor pessoal, seu motorista e três homens responsáveis pela segurança da News International. Na audiência da semana passada, os acusados apenas confirmaram suas identidades e continuam em liberdade, sob fiança.

Confusões de Coulson

Durante meses a fio, a polícia vem desenvolvendo uma série de investigações, envolvendo vários jornalistas e gerentes, sobre telefones grampeados, conspiração para esconder provas e corrupção de autoridades públicas. Além disso, várias personalidades ligadas ao entretenimento e esporte deram início a ações legais procurando indenização por interceptação ilegal de mensagens pessoais de e-mail.

O escândalo teve como foco a maneira pela qual a imprensa britânica trabalha, mostrando uma relação íntima entre jornalistas, policiais e a elite política, assim como questionando a decisão de Cameron de contratar Coulson. Ele é acusado de conspirar para interceptar mensagens de voz para celular. Cameron contratou-o antes de ser primeiro-ministro, mas o manteve como diretor de comunicação após a vitória dos conservadores na eleição de 2010.

À medida que o escândalo se ampliava, de início Cameron apoiou Coulson, mas as revelações sobre a interceptação ilegal de mensagens telefônicas continuava. Coulson demitiu-se em janeiro de 2011, dizendo que o escândalo não o deixava concentrar-se em seu trabalho no governo. Em julho de 2011, Coulson foi detido e interrogado pela polícia sob a suspeita de grampear telefones e pagar ilegalmente a autoridades por informações. Em maio deste ano, ele foi detido pela polícia escocesa num outro caso, acusado de mentir sob juramento sobre se tinha conhecimento dos telefones grampeados no News of the World.

Grampo em mensagens de voz

Num caso paralelo, Rebekah, de 44 anos, responde a acusações de conspirar para obstrução de justiça. Promotores acusam-na, e a seu marido Charlie Brooks, treinador de cavalos de corrida, de esconder provas de policiais. Vários outros membros de sua equipe também são acusados. Ela negou as acusações de grampear telefones. Rebekah já foi uma das pessoas mais influentes no jornalismo britânico, como editora de dois tabloides de enorme circulação de Murdoch, comandando as operações em estreito contato com Cameron.

Os outros cinco jornalistas do News of the World – que Murdoch mandou fechar em consequência do escândalo – são acusados pelo escândalo dos telefones grampeados, assim como Glenn Mulcaire, detetive particular.

Rebekah, seu marido e Coulson sempre negaram ter incorrido em malfeitos e disseram que enfrentariam as acusações. Alguns dos outros réus, mas não todos, também emitiram declarações públicas negando haver participado de malfeitos. Nenhum deles abriu qualquer processo legal.

Durante vários anos, os executivos da News International insistiram que os grampos telefônicos eram obra de um único repórter. No início de 2007, Clive Goodman, um jornalista que fazia a cobertura da família real para o News of the World, foi condenado a quatro meses de cadeia por ter grampeado mensagens de voz por celular de autoridades do palácio real, em 2005 e 2006. Nessa época, Mulcaire também foi condenado a seis meses de cadeia. Informações de Alan Cowell [New York Times, 26/9/12] e Paul Sonne [Wall Street Journal, 26/9/12].

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