Terça-feira, 13 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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MONITOR DA IMPRENSA >

Romney reacende debate sobre financiamento do governo

16/10/2012 na edição 716

“Eu gosto da PBS. Gosto do Garibaldo [personagem de Vila Sésamo]. Na verdade, gosto de você também”, disse o candidato republicano Mitt Romney ao mediador Jim Lehrer, que tem um programa na PBS, no debate presidencial do dia 3/10. “Mas não vou continuar gastando dinheiro para pegar emprestado da China”. A promessa de Romney de interromper os subsídios à rede PBS e as piadas subsequentes entre ele e o presidente Barack Obama sobre o destino do icônico do pássaro Garibaldo chamaram atenção para o tema do financiamento público da TV e rádio e o transformaram em um assunto eleitoral – para desânimo da PBS e emissoras locais que queriam que a questão continuasse sendo não-partidária.

Um vídeo sarcástico da campanha de Obama sobre a menção de Romney ao Garibaldo registrou mais de três milhões de views no YouTube (até 13/10), mais do que qualquer vídeo de Romney no site de compartilhamento de vídeos. O vai e vem de argumentos pode ser um presságio de uma luta pelo financiamento de emissoras públicas no ano que vem. Emissoras públicas já vêm se preparando com uma campanha online, “170 milhões de americanos pelas emissoras públicas”, referência ao alcance mensal combinado.

As campanhas de Obama e de Romney veem vantagens políticas no debate sobre se o governo deve ajudar a pagar pela programação de rádio e TV. De um lado, permite que Romney se coloque como alguém que corte orçamentos e atraia conservadores que acreditam que programas que programas da mídia pública tenham tendência liberal; do outro, possibilita que Obama faça graça da proposta de Romney e chame atenção para eleitores que se opõem a cortes de emissoras públicas.

Executivos da mídia dizem que a questão está tendo mais atenção do que realmente merece. “Gostaríamos de estar fora do foco o mais rápido possível. Achamos que há assuntos mais importantes para os candidatos presidenciais falarem do que nosso pouco financiamento”, disparou Patrick Butler, chefe do principal grupo de emissoras de TV públicas, a Associação de Emissoras de TV públicas (APTS, sigla em inglês).

O orçamento das emissoras públicas tem sido alvo dos republicanos no Congresso; em 1994, o então presidente da Câmara dos Deputados, Newt Gingrich, pediu a privatização da rede PBS. Mas Paula A. Kerger, executiva-chefe da PBS, disse não se lembrar quando um candidato presidencial opôs-se ao financiamento em um fórum tão público.

Financiamento representa menos de um centésimo do orçamento federal

Na realidade, o governo não dá dinheiro diretamente à PBS ou à NPR. Em vez disso, o Congresso financia a Corporation on Public Broadcasting, grupo sem fins lucrativos destinado a promover as telecomunicações públicas no país, que distribui os recursos. Uma grande parte vai para a programação de TV, o restante vai para 581 emissoras de rádio e TV locais. A maior parte delas pagam para licenciar e exibir programas como Morning Edition e All Things Considered.

A Corporation for Public Broadcasting recebeu US$ 445 milhões (em torno de R$ 909 milhões) este ano – cerca de 2/3 desse valor foram diretamente para emissoras de rádio e TV locais, o resto foi para custos administrativos e de programação. A quantia total representa apenas um centésimo (0,014%) do orçamento federal e equivale a 15% do total da receita PBS, por exemplo.

Argumentos a favor do financiamento

Os argumentos a favor do financiamento focam nos fatos de que emissoras de TV e rádio públicas são altamente educativas e que o financiamento do governo beneficia especialmente áreas rurais com poucas opções de mídia. Diversos gerentes de emissoras de TV afirmaram que receberam muitas mensagens de apoio em redes sociais e em telefonemas de telespectadores após o debate.

Se o Congresso retirar esse financiamento, a NPR e a PBS poderiam provavelmente sobreviver. Vila Sésamo também provavelmente sobreviveria, pois recebe patrocínios corporativos e recursos de merchandising. Mas, segundo um relatório do Congresso, o corte de financiamento público deixaria 54 emissoras de TV públicas e 76 de rádio, em sua maioria na área rural, como o risco de não conseguir se sustentar. Alguns telespectadores poderiam até recorrer à internet para se informar, mas a PBS diz que é vista em muitos lares rurais que não têm acesso à TV a cabo ou internet banda larga.

Segundo o consultor Kevin Zelnio, apenas duas redes de TV a cabo, a Nick Jr. e a Disney Jr., oferecem programação educativa para crianças. “A programação de outras emissoras públicas não chega perto do valor educacional dessas duas emissoras e da PBS”. Ou seja, para famílias que não podem pagar pela programação a cabo, a PBS é a única opção.

Um estudo feito em 2000 dividiu 62 jovens de Oklahoma em três grupos: um assistiu ao programa Mr. Roger's Neighborhood, da PBS; outro, Power Rangers (não educativo); o outro grupo de controle não assistiu à TV. Os que assistiram Power Rangers tiveram mais problemas em focar em tarefas e cometeram mais grosserias. Um outro estudo, feito há 30 anos, revelou que Vila Sésamo teve efeitos positivos em habilidades acadêmicos e sociais de crianças em idade pré-escolar. A grande preocupação do fim do financiamento do governo seria deixar o país sem emissoras de rádio e TV públicas, que seriam substituídas por emissoras de TV comerciais que são mais saturadas de comerciais e menos educativas.

De acordo com uma pesquisa da Zogby, 55% dos entrevistados eram contra aos cortes, enquanto apenas 35% concordaram com o fato de que “o governo não pode subsidiar TV pública”. Está programada para 3/11 uma passeata em Washington para defender o financiamento da PBS, chamada “Marcha de um Milhão de Muppets”, em referência aos bonecos de Vila Sésamo. Informações de Brian Stelter e Elizabeth Jensen [The New York Times, 12/10/12], de Brad Plumer [The Washington Post, 10/10/12] e do The Guardian [13/10/12].

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