Quarta-feira, 23 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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MONITOR DA IMPRENSA > MÍDIA NO REINO UNIDO

Denúncias de grampos telefônicos atingem Trinity Mirror

30/10/2012 na edição 718
Tradução: Jô Amado (edição de Larriza Thurler)

As ações da empresa Trinity Mirror despencaram na terça-feira (23/10) depois que quatro pessoas entraram na justiça contra a editora dos tabloides Daily Mirror e The People. Um dos denunciantes – o ex-técnico da seleção de futebol do Reino Unido Sven-Göran Eriksson – entrou com uma ação alegando escutas telefônicas clandestinas no Daily Mirror quando Piers Morgan era o editor. Morgan negou continuamente qualquer envolvimento com grampos telefônicos. Antes de ser editor do Daily Mirror, ele ocupou o cargo no News of the World.

Os três outros que abriram a ação são a atriz Shobna Gulati, da novela Coronation Street, da ITV; Abbie Gibson, ex-babá da família do jogador David Beckham; e Garry Flitcroft, ex-capitão do time de futebol Blackburn Rovers. Suas acusações referem-se ao Sunday Mirror e ao The People. As queixas alegam “quebra de confiança e mau uso de informação privada” em relação à “intercepção e/ou mau uso de mensagens de voz e/ou intercepção de contas telefônicas”. Não foram dados detalhes sobre as ações. O grupo reforçou que seus jornalistas “trabalham de acordo com a lei criminal e o código de conduta da Comissão de Reclamações sobre a Imprensa [Press Complaints Commission – PCC]”.

As ações na justiça serão fortemente sentidas pelo Trinity Mirror, que tem uma capitalização de mercado da ordem de 180 milhões de libras (cerca de R$ 570 milhões) e vem lutando contra uma queda de circulação dos jornais e uma receita publicitária frágil. Na terça-feira, as ações do grupo caíram 12,5%, ou 9 pontos, no pregão da manhã. A força ou a fraqueza das ações judiciais ainda está por ser vista. Referem-se a artigos publicados há muitos anos. O fato de os casos ainda estarem numa fase inicial significa que não se espera uma contestação judicial por parte do grupo.

“Quase no topo da lista”

Representados por Mark Lewis e Taylor Hampton, os denunciantes terão quatro meses para consolidar seus processos contra o grupo. A News International, editora do agora finado News of the World, enfrentou um número muito superior de ações judiciais, mas resistiu às consequências devido à influência de sua mantenedora, a News Corporation. O grupo teve que pagar US$ 224 milhões (cerca de R$ 450 milhões) em dívidas de litígio e valores de acordos relacionados ao escândalo de telefones grampeados. Também enfrenta a possibilidade de audiências no tribunal, onde os advogados das supostas vítimas solicitam a abertura de documentos internos do grupo que tenham algum vínculo com o caso. O grupo disse publicamente que não empreendeu investigação alguma sobre supostas práticas ilegais por parte de seus jornais porque não existiam provas de que seus jornalistas tivessem grampeado telefone algum.

Robert Jay, conselheiro do Inquérito Leveson, que investiga o escândalo dos grampos no Reino Unido, desafiou Piers Morgan em dezembro a reconhecer que o Daily Mirror estivera “quase no topo da lista dos autores de malfeitos” do pior comportamento da imprensa britânica. Na época, o ex-editor do tabloide respondeu: “Nem uma única pessoa fez reclamação alguma contra o Daily Mirror, formal ou informal, sobre telefones grampeados.” Informações de Salamander Davoudi [Financial Times, 23/10/12].

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