Sábado, 26 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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MONITOR DA IMPRENSA > PERSPECTIVAS PARA O JORNALISMO

A esperada volta do sentimento

31/12/2012 na edição 727
Tradução: Jô Amado (edição de Larriza Thurler)

A mudança é gradual. Com o tempo, vemos mais de algumas tendências e menos de outras – pontuadas por explosões de inovação. São essas explosões que interpretamos como mudança, embora não o sejam. Elas apresentam reações ao longo caminho da mudança. Por essa razão, a professora de comunicação da Universidade de Illinois, Zizi Papacharissi [Nieman Journalism Lab, 19/12/12], não acredita nem está interessada em prever o futuro. Prefere que ele a surpreenda.

Ela gostaria de ser surpreendida em 2013 pela volta do sentimento às reportagens, à cocriação. Não se trata de notícias sentimentais, mas de notícias que foram tornadas melhores por meio (sim, propagação gerada por algoritmos, mas não sua redação) do sentimento, que conduz, dirige, informa e pluraliza processos de notícias e de valores. Os jornalistas sempre se debateram com o sentimento em suas reportagens, ou tentando administrar suas emoções contra o dogma da objetividade do jornalismo ocidental, ou encontrando maneiras significativas de integrar a emoção às matérias em geral.

Isso porque o equilíbrio entre a emoção e a notícia é delicado. Os jornalistas mais experientes, em suas matérias mais memoráveis, conseguem esse perfeito equilíbrio entre emoção e informação, entre a cor e a notícia, entre o afetivo e o cognitivo. Por outro lado, o tipo de matérias menos memoráveis é muitas vezes caracterizado pela excessiva emoção e pela desinformação que o excesso produz.

Jornalistas têm a rara oportunidade de usar as mídias sociais para resolver um velho conflito envolvendo o significado da emoção no jornalismo – e resolvê-lo de maneiras que evolua para além dos binários subjetividade/objetividade. Não existe uma receita que sirva para todos. Contextos diferentes pedem abordagens diferentes. Mas um verdadeiro equilíbrio entre sentimento e notícia pode ser conseguido através das mídias sociais e pode conduzir a avant journalisme(s) – ou seja, jornalismos híbridos de liminaridade, pluralidade e interrupção.

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