Domingo, 25 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1051
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MONITOR DA IMPRENSA >

Estudantes de jornalismo ainda veem valor nos impressos

26/02/2013 na edição 735

É uma tendência familiar na imprensa: dificuldades financeiras, demissões, cortes de custos. A ameaça é de que a versão impressa dos jornais desapareça de uma só vez.

Nos EUA, universidades com cursos de jornalismo estão adaptando seus currículos para a mudança do mundo midiático. A Universidade de Maryland, por exemplo, mudou seu foco do jornalismo impresso para o jornalismo em múltiplas plataformas, dando atenção não só para a escrita, mas para áudio, vídeo e interatividade.

Mas o fim dos jornais impressos não é imediato, e, curiosamente, jovens estudantes de jornalismo ainda veem valor em lê-los. Carmina Taylor, uma estudante de fotojornalismo e sociologia na Universidade da Georgia, pensa que ainda é muito cedo para abandonar a mídia tradicional. “A imprensa não virou obsoleta”, diz. “Ainda existem pessoas que não têm acesso aos meios digitais e entram em contato com as notícias pelos meios tradicionais”.

Carmina assina a versão impressa do New York Times – e não a versão digital, porque seus olhos se cansam da tela do computador. A estudante vê outros benefícios no jornal em papel. “Assim eu conheço a estrutura do jornal em vez de só visitar o seu website, onde notícias importantes vão sendo enterradas com as notícias mais recentes”, afirma. “No jornal de papel, a página principal continua sempre a mesma”.

Amber Larkins, que estuda jornalismo em multiplataformas na Universidade de Maryland, lê com frequência o Washington Post e diz que gosta de ter uma cópia impressa do jornal e escrever para a seção de estilo. Para ela, o jornal impresso é uma boa maneira de guardar os artigos que escreve.

“Eu realmente gosto de ver meus artigos exibidos onde quer que seja, mas quando estão em uma edição impressa, sei que sempre os terei guardados”, diz. “Com a Internet, se eu não for cuidadosa e salvar em PDF, posso perdê-los”.

Transição

Uma razão pela qual os jornais não podem fazer a transição entre impresso e digital tão rápido é que a publicidade impressa continua a gerar alguma receita, afirma David Westphal, editor-chefe de um instituto de jornalismo médico na Universidade do Sul da California. “Acredito que muitos jornais esperam que o período em que os impressos continuam a atrair publicidade e público dure o tempo suficiente para permitir uma transição bem sucedida para o mundo digital”.

Para Westphal, os jornais necessitam desse tempo para descobrir como gerar receita através das mídias digitais. Na transição para a mídia online, alguns títulos já passaram a adotar sistemas de restrição de conteúdo, que limitam o acesso do site para assinantes após a leitura de um certo numero de artigos.

“Após um período em que pareceu impossível fazer pessoas pagarem por qualquer coisa, jornais estão encontrando formas híbridas para fazer usuários pagarem por assinaturas digitais”, diz. “Mas a publicidade digital não está se materializando. O mundo digital ainda é muito jovem e não há dúvidas de que haverá outras abordagens e estratégias que provarão ser mais bem sucedidas”. Segundo Westphal, jornais tomaram diferentes abordagens no mundo digital, mas os impressos provavelmente ainda existirão “por muitos anos”.

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