Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

ENTRE ASPAS > CHINA

Em meio à crise, expansão internacional

20/01/2009 na edição 521

As maiores organizações de mídia da China, que operam sob rígida censura do governo, planejam investir bilhões de dólares na expansão de seus negócios no exterior, como parte de um esforço para melhorar a imagem do país no mundo e a reputação dos próprios veículos de comunicação. Gigantes chineses como a China Central Television (CCTV); a agência estatal de notícias Xinhua; o jornal Diário do Povo, do Partido Comunista; e o grupo Shanghai Media deverão abrir sucursais em outros países e produzir matérias em inglês. Muitos já anunciaram planos de contratar chineses fluentes em língua inglesa e especialistas em mídia estrangeiros.

Na semana passada, o South China Morning Post publicou que será criado no país um canal de notícias 24 horas nos moldes da al-Jazira, com correspondentes no mundo todo. O plano chinês de expansão vai na contramão das empresas de comunicação internacionais, que, por conta da crise no setor, estão demitindo funcionários e fechando escritórios. Na China, por sua vez, as organizações beneficiam-se da pujante economia. Grandes empresas internacionais, na tentativa de entrar no mercado chinês, investem, anualmente, milhões de dólares em publicidade em jornais e TV. A CCTV, maior e mais rica rede de TV chinesa, já é transmitida internacionalmente em espanhol, inglês e francês, mas pensa em ampliar ainda mais sua atuação. A rede irá se mudar, em breve, para uma sede de US$ 700 milhões em Pequim.

Por uma imagem mais positiva

Segundo artigo de David Barboza no New York Times [14/1/09], o projeto de expansão ainda não foi confirmado oficialmente. Mas Yu Guoming, vice-reitor da Escola de Jornalismo da Universidade Renmin, em Pequim, informou que trabalhou nos últimos dois meses como consultor de organizações de mídia para o governo e que a Xinhua tem planos de obter uma licença para criar um canal de notícias em inglês. ‘O governo vai fazer esta expansão, mas ainda está sendo discutido como e o que vai ser feito. Não há um plano detalhado’, contou.

Alguns especialistas chineses acreditam que o governo de Pequim está especialmente preocupado com sua imagem internacional e frustrado com o modo como a China é retratada na imprensa ocidental. ‘Na era em que vivemos, quem tiver habilidades de comunicação avançadas e capacidade de espalhar seus valores e culturas será capaz de influenciar efetivamente o mundo’, opina o diretor do departamento de publicidade do Comitê Central do Partido Comunista da China, Liu Yunshan.

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