Quinta-feira, 19 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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MONITOR DA IMPRENSA >

Emissora fará investigação do caso Rather

Por Edição de Leticia Nunes (com Dennis Barbosa e Elis em 28/09/2004 na edição 296

A emissora americana CBS decidiu indicar dois investigadores independentes para averiguar em que circunstâncias foi ao ar a reportagem do programa 60 Minutes sobre o passado de George W. Bush no serviço militar, baseada em documentos supostamente falsos. Os nomes escolhidos foram o ex-executivo da AP, Louis Boccardi, aposentado após 36 anos na agência, e o ex-procurador-geral Dick Thornburgh.

Dan Rather, o âncora que coordenou a reportagem sobre Bush, teria ficado insatisfeito com a indicação do segundo, de acordo com fontes do New York Times [23/9/04], pois ele serviu diretamente a dois presidentes republicanos – um deles Richard Nixon, que chegou a ter desavenças diretas com Rather. Thornburgh também já teve rusgas com a CBS em 1989, quando o Departamento de Justiça, onde trabalhava, teria considerado a possibilidade de intimar um repórter da emissora para interrogá-lo a respeito de uma investigação de um congressista. Boccardi tem experiência em analisar problemas de mau jornalismo. Ele fez parte da comissão que investigou o New York Times após o escândalo envolvendo o repórter-plagiador Jayson Blair. A CBS, oficialmente, defende a indicação de ambos, afirmando que eles têm ‘integridade e habilidade incomuns’

Movimento anti-Rather

Depois que Rather e a CBS admitiram publicamente que não poderiam comprovar a autenticidade dos documentos apresentados contra Bush, uma onda de falta de credibilidade se abateu sobre eles. Gerentes de diversas afiliadas locais dizem estar recebendo mensagens de uma campanha pedindo a demissão do âncora. Segundo a AP [23/9/04], a origem do movimento seria o blog rathergate.com.

O New York Daily News [23/9/04] noticia que pelo menos uma rádio do interior do país já deixou de retransmitir programação da CBS. ‘Toda vez que a voz de Dan Rather entrava no ar, as linhas telefônicas incendiavam de ligações’, conta o gerente de operações da estação de Norfolk, estado de Virginia. De acordo com o New York Post [23/9/04], a audiência do noticário CBS Evening News, apresentado por Rather, despencou em Nova York. No dia 20/9, quando ele pediu desculpas por não poder comprovar a origem dos documentos militares, havia apenas 135 mil telespectadores nova-iorquinos sintonizados na CBS. Uma semana antes, seu público fora quase o dobro. No dia 21/9, ele subiu para 176 mil espectadores, mas, ainda assim, estava aquém dos 213 mil que tivera sete dias antes.

Apesar de toda a repercussão negativa do caso, os negócios da companhia que controla a CBS, a Viacom, não devem ser muito afetados. No ano passado, a divisão jornalística nacional da rede foi responsável por, no máximo, US$ 300 milhões dos US$ 3,6 bilhões embolsados pela mega-corporação, que tem maior presença na indústria do entretenimento – onde controla, por exemplo, os estúdios Paramount e os canais MTV e Showtime. No entanto, a tendência pró-democrata da diretoria da Viacom pode representar um problema neste momento em que a companhia tenta resgatar uma imagem de imparcialidade, destaca o New York Sun [21/9/04]. O presidente do conglomerado, Summer Redstone, é um ‘democrata liberal’ declarado e sempre contribui para as campanhas do partido rival dos republicanos. Dos treze diretores da Viacom, oito contribuíram para algum candidato democrata nestas eleições e outros dois ocuparam cargos de governo sob presidências democratas.

Kerry estaria envolvido?

A Casa Branca chamou atenção para a revelação de que um assessor do presidenciável democrata John Kerry conversou com a fonte dos documentos sobre Bush, o ex-membro da Guarda Nacional Bill Burkett, antes de o 60 Minutes mencionar os papéis no ar. Militante anti-Bush, Burkett afirma que tinha um ‘entendimento’ com a produção do programa de que entraria em contato com o assessor Joe Lockhart em troca do fornecimento dos documentos.

Segundo o Washington Post [22/9/04], a CBS nega que houvesse algum tipo de acordo. Lockhart, por sua vez, afirma que foi contatado pela produtora Mary Mapes, que pediu que ligasse para Burkett porque ele teria sido prestativo numa reportagem. O assessor diz que atendeu o pedido mesmo sem saber exatamente quem era o ex-membro da Guarda Nacional e que, na conversa que tiveram, não ficou sabendo do teor da reportagem que o programa exibiria. Os republicanos acusam Kerry de ter agido de forma coordenada com a CBS News. ‘A idéia de que um agente político de alto escalão como o senhor Lockhart não conversou sobre a essência da matéria é difícil de acreditar’, observa o diretor de comunicações da Casa Branca, Dan Bartlett.

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