Sábado, 23 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

MONITOR DA IMPRENSA > ELEIÇÕES NOS EUA

Emissoras apostam na cautela

Por Edição de Leticia Nunes (com Dennis Barbosa e Elis em 09/11/2004 na edição 302

Para evitar a repetição do fiasco de 2000, quando anunciaram prematuramente o vencedor errado, as emissoras de televisão americanas tiveram cautela na cobertura da eleição presidencial do último dia 2/11. Mostraram-se mais preocupadas em noticiar as informações com segurança do que em ultrapassar suas rivais com furos jornalísticos.

Para tanto, tomaram algumas providências. Os analistas políticos da NBC ficaram posicionados em uma sala sem monitor de TV, para que não se preocupassem com a programação de outras emissoras. A Fox tinha quatro executivos a postos para aprovar, ou não, os anúncios dos vencedores em cada estado. Já a CBS decidiu e avisou aos telespectadores que não declararia o vencedor em nenhum estado, e sim ‘faria uma estimativa’ do possível vencedor. ‘Eu prefiro ser o último do que estar errado’, dizia com orgulho o veterano Dan Rather.

Telões e helicópteros

Quanto menos informação as emissoras passavam para o público, mais caprichavam na apresentação de sua cobertura. A CNN alugou o gigante painel da Nasdaq, na Times Square, para projetar os dados da apuração. A NBC transmitiu direto da chamada ‘praça da democracia’, do lado de fora do Rockefeller Center. Seu mapa eleitoral – para apontar a contagem dos votos nos estados – era feito em gelo no rinque de patinação, e era mostrado por câmeras em helicópteros. Os estados eram pintados de spray vermelho ou azul à medida que os vencedores eram anunciados.

As emissoras começaram a receber os resultados da pesquisa de boca de urna à tarde, quando o período de votação ainda não havia terminado. Os números mostravam vantagem significativa de John Kerry. Alguns sítios de internet publicaram os índices das pesquisas durante o dia. Mas, com prudência, a cobertura televisiva foi mais neutra, e o tom dos âncoras e analistas começou a mudar ao longo da noite, quando os números começaram a indicar a virada de George W. Bush em estados decisivos.

Quem ganhou? Quem ganhou?

As grandes ABC, CBS, NBC, CNN e Fox, junto com a agência AP, desfizeram seu consórcio de pesquisas eleitorais, o Voter News Service, depois das falhas em 2000 e 2002. Este ano, contrataram dois tradicionais institutos – Mitofsky International e Edison Media Research – para se responsabilizarem pelas pesquisas. Desta forma, todas elas tinham basicamente os mesmos dados nas mãos ao mesmo tempo. Mesmo assim, já no fim da noite, as informações começaram a divergir.

O problema foi o decisivo – e indeciso – estado de Ohio. A Fox News Channel foi a primeira a declarar que Bush havia ganho em Ohio, logo depois da meia-noite. Coordenada com a previsão de vitória republicana também no Alasca, concluiu a emissora, o presidente estaria praticamente reeleito, pois teria conquistado 269 dos 270 votos necessários no colégio eleitoral. A NBC juntou-se à Fox logo depois, à uma da madrugada. Mas, às quatro horas da manhã, ABC, CBS e CNN ainda afirmavam que Ohio continuava sendo território indefinido. Por outro lado, enquanto as três emissoras declararam a vitória de Bush no estado de Nevada, Fox News e NBC seguraram a informação. Por sua projeção, a vitória em Nevada garantiria a presidência ao republicano. Aparentemente, as duas emissoras mostravam-se relutantes em atribuir a vitória à Bush sem que o próprio candidato ou John Kerry fizesse alguma declaração sobre o assunto.

Abertas em baixa, Fox em alta

No fim das contas, não foi uma noite lá muito proveitosa para as emissoras abertas. Todas tiveram índices de audiência piores do que os medidos na eleição de 2000, informou o Nielsen Media Report. A última cobertura de eleição presidencial do âncora Tom Brokaw na NBC foi vista por uma média de 15,2 milhões de telespectadores. Há quatro anos, a emissora abocanhou 18 milhões. Na CBS, sob o comando de Dan Rather, o público foi de 9,5 milhões de pessoas, contra 13 milhões da última eleição. E 13,2 milhões – um milhão a menos do que em 2000 – acompanharam a cobertura de Peter Jennings na ABC.

Quem comemorou a queda de audiência das rivais foi o canal a cabo Fox News Channel, que conquistou a maior audiência no horário nobre em sua história. Há quatro anos, o canal havia sido visto por 2,4 milhões de pessoas; na terça-feira passada, este número chegou a pouco mais de 8 milhões de telespectadores. Ou seja, a Fox conseguiu a proeza de aumentar sua audiência em 235% com relação à última cobertura de eleição presidencial. A CNN também teve um tímido aumento de 7% no seu público, chegando a 6,2 milhões de telespectadores. As informações são de Howard Kurtz [The Washington Post, 3/11/04], David Bauder [AP, 3/11/04], Alessandra Stanley [The New York Times, 3/11/04] e Lisa de Morais [The Washington Post, 4/11/04].

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