Sábado, 21 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

MONITOR DA IMPRENSA > FÓRMULA 1

Emissoras pressionadas a não transmitir GP do Bahrein

Por lgarcia em 13/04/2012 na edição 689

 

Tradução: Larriza Thurler (edição de Leticia Nunes)

 

Ativistas estão pedindo a emissoras, incluindo a BBC e a Sky, que boicotem o Grande Prêmio do Bahrein e não transmitam o evento esportivo, programado para o dia 22/4. O pedido veio depois que diversas equipes afirmaram esperar que a corrida seja cancelada por questões de segurança, após uma recente onda de violência em protestos pró-democracia no país.

O detentor dos direitos comerciais da Fórmula 1, Bernie Ecclestone, disse que nenhuma equipe havia expressado preocupações com ele, mas ressaltou que seria uma quebra de contrato se alguma realmente não participasse do evento. Segundo a Associação das Equipes da Fórmula 1 (Fota), a decisão sobre o cancelamento da corrida é responsabilidade da Federação Internacional de Automobilismo (FIA). Representantes das equipes devem se encontrar com Ecclestone em Xangai, no Grande Prêmio da China, neste final de semana.

Reformas e protestos

Contribuíram para os pedidos dos ativistas as demandas contínuas da maioria xiita para reformas na monarquia sunita, assim como as preocupações sobre o destino do ativista Abdulhadi al-Khawaj, que está há mais de 60 dias em greve de fome na prisão. “Se a Fórmula 1 realmente for realizada no Bahrein, apesar dos pedidos dos cidadãos e de ativistas para ser cancelada, gostaríamos de ver que há pessoas apoiando nossa causa e que não irão transmitir a corrida”, declarou a filha do ativista, Zainab al-Khawaj. “Trazer a Fórmula 1, colocar todos estes anúncios em todos os lugares com a palavra ‘celebração’, enquanto as pessoas estão sufocadas em suas cidades devido às máscaras de gás, enquanto um ativista morreu há apenas duas semanas e enquanto meu pai está morrendo em um hospital militar é mandar a mensagem ao povo do Bahrein de que nada mudou”.

A família de al-Khawaj teve contato com ele negado por três dias. A Anistia Internacional pediu pela sua libertação, e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu ao governo que reconsidere sua recusa para permitir que a Dinamarca assuma a custódia do ativista. Sua filha ficou feliz de ter conseguido falar com ele brevemente ao telefone, depois de ele ter concordado em beber água.

O Ministério do Interior informou que sete policiais ficaram feridos por uma bomba caseira, esta semana, em Eker. O governo culpou os manifestantes que pediam pela libertação de al-Khawaj e classificou o bombardeio de “ato terrorista”. A AP noticiou que, também esta semana, grupos com pedaços de madeira e ferro saquearam um supermercado de um grupo de negócios xiita. O ataque parece ter ligação com uma série de represálias e intimidação por grupos sunitas furiosos com os protestos que já duram mais de um ano.

Sem indícios de cancelamento

A rede britânica BBC, que compartilha os direitos de transmissão da corrida no Reino Unido com a Sky até 2018, disse em declaração que, como o evento foi oficialmente sancionado pela FIA, espera cobri-lo como parte das obrigações contratuais. “Entretanto, estamos em comunicação constante com a FIA e vamos monitorar a situação atentamente”, afirmou. Já a Sky não se pronunciou sobre o assunto.

Bahrein tem um contrato até 2016 para sediar o Grande Prêmio, mas as regras afirmam que qualquer corrida cancelada por dois anos consecutivos não poderia ser incluída de volta ao calendário. Autoridades do país, que cancelaram a corrida em 2011 por conta dos tumultos políticos durante a Primavera Árabe, não indicaram que pretendem fazer o mesmo este ano. Informações de Caroline Davies [The Guardian, 11/4/12].

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