Domingo, 17 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

MONITOR DA IMPRENSA > AMÉRICA LATINA

Emissoras querem unir países vizinhos

15/03/2005 na edição 320

‘Imagine a al-Jazira em estilo sul-americano’, diz Monte Reel, correspondente do Washington Post, para desenhar o que seriam os projetos de dois canais de televisão financiados pelos governos venezuelano e brasileiro. Em artigo intitulado ‘Toda a América Latina, o tempo todo’ [10/3/05], escrito de Brasília, o jornalista noticia a criação do Telesur e da TV Brasil, canais a serem lançados ainda este ano.

A comparação com a Jazira, emissora do governo do Catar, pode não ser perfeita, diz Reel, mas resume, na opinião dele, o objetivo primordial dos canais sul-americanos: ter maior controle sobre imagens e textos locais e menos dependência das gigantescas TVs por satélite internacionais.

Rede de cooperação

‘Nós precisamos ter um ponto de vista que venha da América do Sul, e não da Europa ou dos EUA’, diz Aram Aharonian, diretor da venezuelana Telesur que, apoiada pelo presidente Hugo Chávez, tem recebido auxílio técnico e financeiro da Argentina, Brasil e Uruguai. Uma das expectativas dos organizadores dos dois projetos é que eles ajudem a criar e fortalecer uma unidade entre os países vizinhos – e, quem sabe, desenvolver a mesma iniciativa de cooperação proposta pela União Européia. ‘O que é novo não são as emissoras em si, mas sim o processo de integração entre os países sul-americanos’, explica Eugênio Bucci, presidente da Radiobras.

Com esta mentalidade, os executivos da TV Brasil, com sede em Brasília, pretendem formar parcerias com canais de TV locais e de países vizinhos. ‘Tanto eles como os executivos da Telesur dizem que não serão rivais, mas parceiros com o objetivo comum de mostrar o mundo pelos olhos da América Latina’, ressalta Reel. A programação da emissora brasileira – que teve um piloto, filmado no Fórum Social Mundial de Porto Alegre, apresentado para executivos de mídia, há duas semanas – deverá ser formada por uma mistura entre jornalismo, programas culturais e documentários.

Os principais desafios das novas emissoras? Não se transformar em um mero veículo de propaganda governamental, e serem aceitas no exterior como fontes de informação confiáveis. Na primeira questão, alguns analistas – como o diretor da Fundación para un Nuevo Periodismo Iberoamericano, Jaime Abello – temem a influência, entre outras coisas, do discurso inflamado de Hugo Chávez. ‘É claro que há o medo da parcialidade, porque há um tipo de ativismo envolvido na criação da Telesur’, diz, ressaltando que o fato de que muitos jornalistas respeitados já estão envolvidos no projeto sugere que ele irá buscar legitimidade internacional, e não servir de meio para um jornalismo pró-Chávez.

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