Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

MONITOR DA IMPRENSA > CASO JUDITH MILLER

Emprego em risco no Times

27/10/2005 na edição 352

A repórter do New York Times Judith Miller começou a discutir seu futuro profissional com o jornal, incluindo a possibilidade de um severance package (o equivalente ao Fundo de Garantia nos EUA). Segundo um advogado envolvido nas negociações, está se tentando chegar a um acordo sobre três questões: o valor do Fundo de Garantia, um espaço na página de opinião do Times para Judith responder às críticas recebidas e a publicação de uma declaração escrita pelo jornal e por Judith sobre os termos de sua saída.


A demissão de Judith é complicada porque ela é protegida pelo contrato do Newspaper Guild of America, sindicato nacional dos jornalistas, que determina que a demissão de um jornalista por erros éticos ou incompetência deve ser justificada. De acordo com o sindicato, o jornal deve primeiro notificar o repórter de que há um problema. Se este não se resolver, o jornal deve enviar um aviso formal. Se o repórter receber outro aviso formal, ele pode ser suspenso ou demitido. Em qualquer etapa, o sindicato pode intervir se achar que o repórter está sendo injustiçado.


As negociações começaram em um encontro na segunda-feira (24/10) entre Judith e o publisher, Arthur Sulzberger Jr.. Tanto Sulzberger quanto o editor-executivo, Bill Keller, afirmaram que gostariam de ter tido mais conhecimento sobre as circunstâncias que levaram Judith a preferir ser presa a revelar a fonte que teria lhe passado a identidade de Valerie Plame como agente da CIA. Judith só aceitou testemunhar posteriormente quando recebeu a liberação de sua fonte – Lewis Libby, chefe de gabinete do vice-presidente Dick Cheney. A repórter testemunhou duas vezes diante do grande júri conduzido pelo promotor Patrick Fitzgerald, que investiga se oficiais do governo violaram leis numa possível tentativa de depreciar o diplomata Joseph Wilson, marido de Valerie, crítico das ações do presidente Bush com relação ao Iraque.


O advogado da jornalista alegou que a repórter não é alvo da investigação, mas ela poderia ser chamada novamente para testemunhar se houver acusações formais no caso. O grupo New York Times Co. está pagando as contas legais de Judith, mas não está claro se eles irão continuar a pagar se ela deixar de ser funcionária da empresa.


Briga pública


A discussão sobre a demissão de Judith surgiu dias depois da briga travada em público nas páginas do jornal entre o Times e a repórter. Keller e Sulzberger Jr. expressaram arrependimento pelo apoio equivocado a Judith antes e durante o período que passou presa por se recusar a testemunhar diante ao grande júri que investigava o vazamento da identidade da agente da CIA.


O jornal começou a se distanciar da repórter na semana passada, depois da revelação dos detalhes da relação entre Judith e Libby em um artigo escrito em primeira pessoa por ela e em outro escrito pela equipe do jornal explicando o caso. Os artigos sugeriram que Judith pode ter enganado o Times sobre um encontro secreto com Libby, e que o jornal foi negligente em não perguntar à repórter sobre seu envolvimento antes do caso avançar. No fim de semana, a colunista Maureen Dowd e o ombudsman, Byron Calame, escreveram artigos questionando se Judith poderia continuar trabalhando no jornal. Calame recebeu um grande número de cartas e e-mails dos leitores sobre sua coluna de domingo e decidiu publicá-las em seu blog na quarta-feira (26/10), em vez de esperar a próxima coluna.


Atualmente, Judith está de férias. Ela foi libertada da prisão no fim de setembro. Em 2002, Judith foi uma dos 10 repórteres que ganharam o Prêmio Pulitzer pela cobertura no Oriente Médio depois dos ataques do 11/09/01. No entanto, o jornal teve de se retratar posteriormente por suas reportagens errôneas escritas antes da invasão do Iraque, que apontavam para a existência de armas de destruição em massa no país. Informações de Joe Hagan [The Wall Street Journal, 26/10/05], Editor&Publisher [27/10/05], Anna Schneider-Mayerson, Tom Scocca e Gabriel Sherman [New York Observer, 25/10/05] e Daniel Engber [Slate, 24/10/05].

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