Domingo, 19 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

MONITOR DA IMPRENSA > ALEMANHA

Empresa aluga de manifestantes

Por Leticia Nunes (edição), com Larriza Thurler em 23/01/2007 na edição 417

Vai um manifestante aí? Um sítio alemão teve a curiosa idéia de alugar manifestantes para participar de protestos públicos. Pela modesta quantia de US$ 188 por dia, uma organização pode desfrutar de manifestantes de boa aparência para ajudar a passar sua mensagem política para o público.

Erento.com é o nome da página que oferece o serviço. ‘O que a geração de 1968 fazia por paixão, as pessoas agora fazem por dinheiro’, afirma David Gordon Smith em artigo no Der Spiegel [18/1/07]. A Erento é uma companhia de Berlim que faz a ligação entre prestadores de serviços ou proprietários a possíveis clientes e compradores.

O sítio pode ser considerado no mínimo excêntrico. O aluguel de manifestantes é encontrado junto a esquis, computadores, aviões particulares e carruagens para casamentos. Pelos perfis apresentados, a maioria das 300 pessoas listadas como manifestantes é jovem e atraente. Há opções de homens ‘atléticos’ e mulheres de olhos verdes e ‘cabelos bem compridos’. A partir das informações pessoais, pode-se escolher candidatos pelo tom da pele, classificados como ‘europeus’, ‘africanos’, ‘sul-americanos’ ou ‘asiáticos’.

Profissionais e éticos

Questionado pelo Der Spiegel, um porta-voz da empresa afirmou que, em sua maioria, os manifestantes são estudantes, desempregados e donas de casa. Os pseudo-protestantes são livres para negociar seu preço com os clientes. Grande parte parece ter aderido ao contrato padrão de US$ 188 por seis horas de trabalho, mas alguns podem ser contratados por US$ 13 a hora. A Erento fica com 4,9% do dinheiro, e o resto vai para o manifestante. Fundada em 2003, a companhia hoje oferece serviços em 2.200 categorias. O porta-voz completa que a criação do aluguel de manifestantes surgiu a partir da procura de organizações pelo serviço.

Se protestar virou um negócio, para os manifestantes-profissionais não vale tudo. ‘Eles têm que decidir sozinhos de que tipo de protestos participariam’, diz o porta-voz. ‘Uma pessoa pode ser a favor de reformas no setor de saúde, enquanto outra pode ser contrária à questão’. Manifestações neo-nazistas ou que promovem discriminação, entretanto, estão fora de questão. Os pseudo-protestantes podem segurar cartazes, gritar slogans ou apenas formar uma pequena multidão. Estariam eles dispostos a atirar coquetéis molotov ou lutar com policiais? Smith, no Der Spiegel, acredita que não. Pelo menos não por US$ 13 a hora.

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