Segunda-feira, 16 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1054
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ENTRE ASPAS >

Entre a cobertura objetiva e o cenário apocalíptico

29/04/2009 na edição 535

A gripe suína ganhou as primeiras páginas de jornais do mundo inteiro esta semana. É destaque diário, também, nos noticiários televisivos, e espalhou-se pela internet, com todo o tipo de informação e debates ocorrendo em sítios como Twitter e Facebook.


Pesquisas online mostram que o termo ‘gripe suína’ levou milhões de internautas, nos últimos dias, a páginas como Wikipédia, Google e sítios do Centro de Controle de Doenças dos EUA (CDC, na sigla em inglês), atrás de dados e notícias sobre a doença. Uma busca no Google na terça-feira (28/4), por exemplo, apontou 5,4 milhões de cliques para o termo. O tráfego na página principal do CDC subiu 442% na semana passada, e o órgão também está usando o Twitter para enviar alertas para os internautas. ‘Assim como os números de casos da gripe continuam a subir, o mesmo acontece com o interesse do público’, afirma Heather Hopkins, analista de uma empresa americana que monitora o tráfego de internet. Segundo ela, as pessoas buscam informações sobre a disseminação da doença e sobre seus sintomas.


Ansiedade


Ainda que a maior parte dos casos se concentre no México – das vítimas confirmadas, apenas uma pessoa, um bebê mexicano, morreu fora do país, nos EUA –, analistas de mídia acreditam que a intensidade da cobertura sobre a doença tem aumentado o nível de ansiedade da população. ‘Há uma diferença entre manter nossos leitores e telespectadores informados e espetacularizar a história’, diz a blogueira Arianna Huffington. ‘A mídia tende a gostar de cenários apocalípticos, como o da gripe aviária e o do bug do milênio’


Segundo Susannah Fox, diretora do Projeto de Internet e Vida Americana do Centro de Pesquisas Pew, após um primeiro momento em que o público informou-se pela TV e jornais, ele agora busca atualizações na internet – e parece estar voltando-se mais a sítios informativos do que a páginas sensacionalistas. ‘Os blogs, o Twitter e outras tecnologias sociais estão ajudando a ‘aumentar o volume’, mas a maior parte das pessoas ainda busca suas notícias nas fontes tradicionais’, diz ela.


No Reino Unido, famoso pelos tablóides sensacionalistas, o início da semana trouxe manchetes com graves previsões sobre uma possível pandemia global. No Independent, um membro da Agência Nacional de Saúde especialista em gripes afirmou que entre 15 e 50% da população britânica pode contrair da doença. O Daily Express alegou que o número de mortes em todo o mundo pode chegar a 120 milhões. O Daily Mail questionou se a doença já teria chegado ao país. Informações da BBC News [27/4/09], Glenn Chapman [AFP, 29/4/09] e Sue Zeidler e Steve Gorman [Reuters, 29/4/09].

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