Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

MONITOR DA IMPRENSA > VENEZUELA

Estudantes mortos em protesto contra fechamento da RCTV

27/01/2010 na edição 574

Bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha foram usadas pela polícia venezuelana para conter milhares de universitários que participaram de protestos esta semana, em Caracas, depois de o governo tirar do ar o canal de oposição Radio Caracas Television (RCTV).


No domingo [24/1], diversos provedores de TV a cabo receberam ordens para não mais transmitir a RCTV. O canal crítico ao presidente Hugo Chávez não havia cumprido novas regras que obrigavam a exibição de programação específica, como discursos do presidente. Outros cinco canais tiveram seus sinais interrompidos, mas nenhum deles era tão assistido quanto à RCTV.


Nos protestos, partidários de Chávez chegaram a jogar garrafas e pedras nos estudantes, que gritavam ‘A Radio Caracas vai voltar!’. Dois estudantes foram mortos, em episódios diferentes, em Mérida. Pelo menos cinco universitários sofreram asfixia e ferimentos leves, informou Enrique Montbrun, diretor de serviços de saúde do distrito de Baruta, na capital. Um jornalista também ficou ferido. ‘Liberdade de expressão é um direito que todos nós apoiamos e que deve ser defendido’, opinou o estudante Alejandro Perdomo, de 19 anos, que acusou o presidente de tentar silenciar as críticas ao governo. ‘Esta é a ação que deve ser tomada contra quem se recusar a cumprir a lei’, defendeu Chávez.


Cerco


Em 2007, a RCTV foi forçada a deixar a TV aberta depois que Chávez se recusou a renovar sua licença de funcionamento, acusando-a de participar de um golpe frustrado em 2002 para derrubá-lo do poder. Organizações de defesa da liberdade de imprensa e líderes da Igreja Católica Romana condenaram a retirada da RCTV do ar, classificando a ação como parte de um esforço maior para silenciar os críticos do presidente. Para a organização internacional Repórteres Sem Fronteiras, a atitude do governo é uma ‘reação alérgica às vozes dissidentes na mídia do país’.


O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, P.J. Crowley, afirmou que a embaixada americana desaprova a ação. ‘Claramente, achamos que uma mídia livre e independente é vital para qualquer democracia. E toda vez que o governo fecha uma rede independente existe um motivo para preocupação’, declarou. O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, Jose Miguel Insulza, ofereceu-se para ser mediador do conflito entre Chávez e a mídia, e pediu ao governo que autorize uma visita da Comissão de Direitos Humanos Interamericana. O Ministério do Interior designou quatro investigadores para avaliar as circunstâncias da morte dos dois estudantes. Informações de Fabíola Sanchez [AP, 25/1/10] e da CNN [27/1/10].

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