Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

MONITOR DA IMPRENSA > IRAQUE

Exército americano justifica assassinato de jornalista

Por Edição de Leticia Nunes (com Larriza Thurler) em 11/10/2005 na edição 350

Uma investigação militar americana sobre o assassinato de Yasser Salihee, médico e correspondente do grupo de mídia americano Knight Ridder no Iraque, em junho, confirmou que ele foi morto com um tiro na cabeça por um soldado americano e teve seu corpo abandonado em seu carro no meio da rua. O relatório concluiu que o tiroteio do qual o jornalista foi vítima foi justificado e necessário porque os soldados pensaram que Salihee era um homem-bomba ou que estava tentando atropelar os soldados assim que ele se aproximou da patrulha na parte oeste de Bagdá.

Um dos investigadores passou cerca de um mês examinando o incidente e chegou à conclusão de que o atirador agiu de acordo com as normas do exército americano – avaliação confirmada por seus superiores. Ele observou, entretanto, que a decisão dos soldados de deixar o corpo ‘em plena vista e abandonar a área não poderia ter tido um impacto positivo na população local’.

A região onde aconteceu o tiroteio, Amariyah, é conhecida por ter muitos rebeldes. No dia anterior à morte de Salihee, uma patrulha americana foi atingida por um franco atirador na mesma área; tropas que circulam pela região são constantemente ameaçadas por carros-bomba. Os próprios oficiais do governo de Bagdá admitem que os rebeldes controlam partes de Amariyah.

Lugar errado na hora errada

No dia do assassinato do jornalista, uma patrulha de soldados iraquianos e americanos foi para Amariyah após ouvir tiros. Os soldados se posicionaram à procura de um homem suspeito de ser um franco atirador que teria sido visto em um telhado. As tropas bloquearam três estradas com tanques militares e uma quarta, sem tanques – todas elas levavam até o local onde estava posicionada a patrulha. O jornalista passou pela quarta estrada e soldados afirmaram ter acenado e gritado para que ele parasse. Ele pode não ter visto os soldados, porque eles estavam posicionados ao lado da estrada e não no meio dela. Assim que ele passou, foi atingido por tiros na cabeça.

Uma testemunha iraquiana, entrevistada por um correspondente do Knight Ridder em Amariyah, apoiou a versão do exército. Segundo ela, os ‘soldados tentaram gritar e acenar, e os americanos atiraram no carro, que estava com as janelas fechadas e com ar-condicionado ligado’. Outra testemunha afirmou que não ouviu gritos, mas estava claro que Salihee não estava prestando atenção ao que acontecia ao seu redor.

O soldado americano que matou o jornalista alegou que ele e outro soldado estavam posicionados ao lado da estrada e que eles deram três tiros de alerta antes de atirar em direção ao carro.

Dia de folga

Salihee, que tinha 30 anos, estava em seu dia de folga e ia colocar gasolina no carro para levar sua filha ao clube. O exército americano pagou US$ 2.500 de indenização à família do jornalista e um valor adicional de US$ 2.500 por danos ao carro.

Não há números confiáveis de civis iraquianos mortos por tropas americanas no Iraque desde o começo da guerra, em março de 2003. O Comitê para Proteção dos Jornalistas declarou no mês passado que tropas americanas haviam matado no mínimo 13 jornalistas no Iraque, e na maioria dos casos o exército não investigou ou não tornou público seus relatórios. Informações de Tom Lasseter [Knight Ridder, 1/10/05] e da Editor & Publisher [3/10/05].

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