Domingo, 21 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1033
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ENTRE ASPAS >

Ex-suspeito diz que tablóides quase destruíram sua vida

10/03/2009 na edição 528

Robert Murat, tido erroneamente como suspeito de envolvimento no desaparecimento da menina inglesa Madeleine McCann, revelou o que os tablóides fizeram de mal a ele. ‘Chegou perto de destruir nossas vidas’, contou, em sua ‘primeira e única declaração’ sobre o caso, em um debate na Cambridge Union Society, maior associação de alunos da Universidade de Cambridge.

O britânico Murat, de 35 anos, ganhou uma quantia estimada em US$ 845 mil em acordos de processos de calúnia, na maior parte envolvendo tablóides. ‘Me senti como uma raposa sendo perseguida por uma matilha, em meio a um romance kafkiano e o filme Inimigo do Estado [que conta a história de um advogado que recebe um vídeo que denuncia um poderoso oficial da CIA e passa a ser perseguido por agentes]’, desabafou. Segundo ele, as mentiras geraram e-mails de ódio e ameaças a ele, sua mãe, sua companheira, filha e ex-mulher.

Furo

Murat, que morava na Praia da Luz, em Portugal, envolveu-se no caso após ter se oferecido para traduzir declarações de testemunhas durante a busca policial por Madeleine, após seu desaparecimento em um hotel na região, em maio de 2007. Ela nunca foi encontrada e seus pais – também considerados suspeitos no início – receberam dinheiro em processos de calúnia e difamação. No caso de Murat, uma jornalista britânica que cobria a história estava tão ‘ansiosa para dar um furo’ que criou um. ‘Ela tentou convencer a polícia portuguesa de que eu estava agindo de maneira suspeita’, contou ele.

Murat não chegou a ser preso, mas foi interrogado e tornou-se suspeito oficial. A partir daí, pipocaram acusações de pedofilia, de ter sido visto do lado de fora do hotel onde a família McCann estava hospedada, de ter um cômodo secreto em sua casa – foram várias especulações alimentadas pela mídia para gerar vendas e lucros, concluiu posteriormente a polícia. Cego de um olho, Murat chegou a ler em um tablóide que na verdade tinha um olho de vidro e logo vieram citações de amigos de infância contando que ele costumava tirar o olho nas festas. ‘Não tenho olho de vidro’, desabafa.

Também participaram do debate Murray Morse, ex-editor do Cambridge Evening News e agora editor-chefe do Daily and Sunday Sport, e Peter Bazalgette, co-criador do reality show Big Brother. Ambos reconheceram o mal que os tablóides fizeram a Murat e comentaram o drama envolvendo a celebridade britânica Jade Goody, ex-participante do Big Brother que está com câncer em estágio terminal. Na opinião de Morse, a decisão de Jade de fazer propaganda com seu câncer foi ‘moralmente correta’ e deu mais visibilidade à doença que qualquer campanha poderia ter dado. Informações de Michael White [The Guardian, 6/3/09].

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